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Dialektike

Thomas McEvilley — Configuração do Pensamento Antigo

Dialética antes de Alexandre

  • Distinção entre abordagens filosóficas na Grécia e na Índia
    • Existência de filósofos que visavam refutar proposições filosóficas por meio da desconstrução.
    • Caracterização da abordagem dialética, que procede por negações e refutações, em oposição à lógica construtiva do silogismo.
    • A lógica como representação do impulso metafísico e a dialética como representação do impulso desconstrutivo.
    • Relação de oposição e de alteridade entre lógica e dialética.
  • Fundamentos da lógica e as Leis do Pensamento
    • Pressuposto da lógica de que as coisas possuem essências ou identidades fixas.
    • Definição de que proposições corretamente formadas possuem um valor de verdade claro e indubitável.
    • Exposição das três Leis do Pensamento que asseguram a clareza das identidades.
      • Lei da Identidade: cada coisa é si mesma e nada mais.
      • Lei da Contradição: é impossível para uma coisa ser si mesma e outra coisa ao mesmo tempo.
      • Lei do Terceiro Excluído: tudo deve ser ou A ou não-A, não havendo meio-termo.
    • Equivalência das leis do pensamento aos operadores de linguagem ordinária: Sim, Não e a afirmação de que não há posição intermediária.
  • O mundo dos dialéticos antigos em contraste com o dos lógicos
    • Visão de mundo dos dialéticos, onde as entidades não são absolutamente separadas e os limites são vagos e mutáveis.
    • Potencial rejeição da filosofia das essências através do questionamento dos princípios lógicos que a sustentam.
  • O problema da mudança no contexto da filosofia das essências
    • Dificuldade em explicar a mudança ou o processo num mundo de identidades rígidas.
    • Solução de Aristóteles através do postulado de um reino de potencialidade.
    • Contradição interna no sistema aristotélico pelo reconhecimento de um estado entre o Ser e o não-Ser, violando a Lei do Terceiro Excluído.
  • Elementos formais da lógica e da dialética antiga
    • Elementos formais da lógica: proposições derivadas das Leis do Pensamento e silogismos.
    • Elementos formais da dialética: contestações ao silogismo, com a estrutura elementar de dicotomia e dilema.
      • Processo de dicotomizar uma questão em A ou não-A e subsequentemente transformar a dicotomia em um dilema ao refutar ambas as alternativas.
      • Refutação implícita da Lei do Terceiro Excluído e implicação de que outras alternativas além de A e não-A podem existir.
    • Variação na natureza da refutação aplicada a cada membro da dicotomia.
      • Redução ao absurdo por contradição com a experiência ordinária.
      • Redução ao absurdo por contradição lógica.
      • Redução ao absurdo por regressão infinita, onde a identidade da proposição se dissolve.
  • Sobreposição de funções entre formas dialéticas e lógicas
    • Uso da dialética para posicionar, como no caso de Parmênides, que estabeleceu uma tese positiva ao refutar a contratese.
    • Uso da lógica para negar, como na forma de silogismo modus tollens.
    • Descrição da estrutura de dicotomia e dilema como um modus tollens disjuntivo.
    • Manutenção da separação funcional entre as duas correntes de pensamento ao longo dos milênios, com uma força quase estética e ética.
  • O Sujeito
    • Início da crítica dialética às doutrinas nas tradições grega e indiana através de demonstrações de subjetividade ou relatividade.
    • Contrapontos ao dogmatismo da metafísica inicial, carregada de mito e religião.
    • Interpretação do ceticismo e do relativismo como respostas à dissolução dos sistemas tribais perante conceitos emergentes do estado nacional.
      • Destaque das limitações de qualquer ponto de vista tribal herdado quando da percepção de uma variedade de pontos de vista.
      • Mudança de ênfase da solidariedade comunal para o individualismo subjetivo.
    • Desenvolvimento da lógica como tentativa de alcançar uma verdade objetiva que substituísse os pontos de vista tribais.
      • Validação do estado nacional através de uma nova e maior unidade de verdade.
      • Participação da dialética no colapso dos sistemas de crença tribal e surgimento da lógica em defesa de uma verdade em escala nacional.
      • Contextualização do desenvolvimento na Índia, com a mudança do centro de civilização para o vale do Ganges e o aumento da complexidade cultural.
      • Contextualização paralela na Grécia, com a Liga de Delos e a transição para a Liga Ateniense.
    • Direção contrária na transição da organização tribal para a nacional: o surgimento de pequenas comunidades que mantinham artificialmente a coesão tradicional.
      • Exemplos dos budistas e jainas na Índia e dos pitagóricos e órficos na Grécia.
  • Nyaya
  • A dialética grega no período inicial — brevemente
    • Desenvolvimento do pensamento negativo na Grécia a partir de cerca de 500 a.C. em duas direções: metafísica e cética.
    • Parmênides como representante dos “Deuses” metafísicos, usando a forma dicotomia e dilema para provar a realidade do Ser imutável.
    • Zeno de Eleia, aluno de Parmênides, fornecendo subestruturas para a refutação, especialmente a técnica da regressão infinita em seus Paradoxos.
    • Resposta cética na obra Sobre a Natureza ou Sobre o Não-Ser de Górgias de Leontini, como exemplo inicial de uma dialética total que reduz ao absurdo questões ontológicas, epistemológicas e semânticas.
    • Protágoras, Eutidemo e outros sofistas contribuindo para a formalização da crítica à filosofia.
    • Platão (ou Sócrates platônico) tornando proeminente o termo “dialética”, usando-a para diversos fins.
    • Continuação de ambas as correntes da dialética grega até o século II d.C., com a tradição cética sobrevivendo mais longe na linhagem Pirrônica.
    • Pirro de Elis, viajando para a Índia com Alexandre, marcando o fim do período pré-alexandrino.
    • Conclusão de que atitudes dialéticas semelhantes se desenvolveram na Grécia e na Índia no período pré-alexandrino, mas apenas na Grécia esses métodos se equiparam com métodos formais nesse período.
    • Aparição das formas dialéticas gregas maduras na Índia, no final do período de intercâmbio cultural, na escola budista Madhyamika.

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