User Tools

Site Tools


Action unknown: copypageplugin__copy
platao:alcibiades1:alcibiades-es

Azcárate

Da tradução espanhola de Azcárate

* O Primeiro Alcibíades tem por objeto a natureza humana e o autoconhecimento como ponto de partida do aperfeiçoamento moral, fundamento de todas as ciências e, em particular, da política.

  • O diálogo se divide em duas partes, sendo a primeira um longo preâmbulo.
  • O justo e o útil constituem, nessa ordem, o objeto da discussão preliminar.
  • Sócrates interpela Alcibíades, que se prepara para discursar, e o leva a admitir que não sabe o que é a justiça, tornando-o incapaz de aconselhar os atenienses.
    • Alcibíades não aprendeu a justiça com nenhum mestre nem por conta própria.
    • Para aprender algo por si mesmo, é preciso reconhecer a própria ignorância e buscar ativamente o conhecimento, o que Alcibíades jamais fez.
    • O povo tampouco pode ensinar a justiça, pois não está de acordo consigo mesmo sobre o que ela é, embora saiba transmitir coisas como a língua.
  • Sócrates demonstra ainda que Alcibíades desconhece igualmente o útil, concluindo que o jovem é inteiramente despreparado para a política.
    • O raciocínio estabelece que o justo é honesto, o honesto é bom e o bom é útil, de modo que o justo e o útil são uma mesma coisa.
    • A incapacidade de Alcibíades decorre de querer falar sobre o que não conhece.
    • Quem pretende governar os outros deve antes instruir-se a si mesmo, cuidando primeiramente de sua própria pessoa.
  • A segunda parte do diálogo investiga como se cuida da própria pessoa, e Sócrates demonstra, por meio de analogias, que esse cuidado tem por princípio o autoconhecimento.
    • O homem não pode aperfeiçoar-se sem saber o que é, nem desenvolver sua natureza sem conhecê-la.
    • Esse ensinamento se resume no preceito socrático: Conhece-te a ti mesmo.
  • O eu ou a pessoa humana não é o corpo nem o conjunto material dos membros e órgãos, que são coisas de que a pessoa se serve, mas distintas dela.
    • Se o homem não é o corpo, deve ser aquilo que dele se serve, ou seja, a alma que o comanda.
    • O homem não pode ser o composto de alma e corpo, pois ambos não comandam simultaneamente: o corpo não se comanda a si mesmo nem comanda a alma.
    • Sócrates conclui que o homem é a alma somente, estabelecendo a distinção profunda entre alma e corpo e afirmando a liberdade como essência humana.
  • Conhecer-se a si mesmo significa estudar a própria alma, voltando a reflexão para a parte excelente dela, onde reside toda a sua virtude.
    • Assim como o olho se vê na parte onde reside a visão, a alma se conhece naquilo que nela há de divino, santuário da ciência e da sabedoria.
    • Nesse âmbito reside a ciência dos verdadeiros bens e males, tanto do indivíduo que se examina quanto de seus semelhantes.
    • Ali também está a arte de evitar as faltas e poupá-las aos outros, tornando-se feliz e fazendo os demais felizes, pois vício e desgraça, virtude e felicidade caminham juntos como efeito da satisfação moral e do remorso.
  • A virtude é, moral e politicamente, a primeira necessidade de um povo e a causa mesma de sua prosperidade, sendo indispensável a quem deseja conduzir os negócios públicos.
    • Ninguém pode ensinar o povo a ser virtuoso sem o ser ele próprio.
    • O governante deve fixar o espírito naquela parte de si mesmo que reflete a sabedoria e a justiça divinas, pois é pelo esforço supremo de sua natureza livre que se aproxima da essência do Deus nele refletido.
    • Longe dessa luz, o governante só pode caminhar às cegas e perder aqueles que o seguem.
    • Vicioso e servil, o homem só é capaz de obedecer, como o corpo serve à alma; a virtude, livre como a própria alma e justa como Deus de quem emana, é a única capaz de criar verdadeiros homens de Estado e promover a felicidade do povo.
platao/alcibiades1/alcibiades-es.txt · Last modified: by 127.0.0.1