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Benjamin Jowett
Veja também: Coletânea de excertos da obra completa de Platão, na tradução de Jowett, indexados por termos relevantes
Introdução (resumo)
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Em que relação a Apologia de Platão está com a defesa real de Sócrates, não há meios de determinar, mas ela certamente concorda em tom e caráter com a descrição de Xenofonte.
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O discurso respira um espírito de desafio, com um estilo solto e descontínuo que é uma imitação do modo habitual com que Sócrates falava na ágora e entre as mesas dos cambistas.
Não há muito nos outros diálogos que possa ser comparado com a Apologia, mas o Críton pode ser considerado como uma espécie de apêndice a ela.-
A idealização do sofredor é levada ainda mais longe no Górgias, onde é defendida a tese de que sofrer é melhor do que fazer o mal.
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As declarações das Memorabilia sobre o julgamento e a morte de Sócrates concordam em geral com Platão, mas perderam o sabor da ironia socrática na narrativa de Xenofonte.
A Apologia está dividida em três partes: a defesa propriamente dita, o breve discurso em mitigação da pena e as últimas palavras de repreensão profética e exortação.-
A primeira parte começa com uma desculpa por seu estilo coloquial, afirmando que é inimigo da retórica e conhece apenas a retórica da verdade.
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Ele prossegue dividindo seus acusadores em duas classes: o acusador anônimo, que é a opinião pública, e os acusadores declarados, que são apenas os porta-vozes dos outros.
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As acusações de ambos podem ser resumidas: o primeiro diz que Sócrates é um malfeitor e curioso que investiga coisas sob a terra e acima do céu, fazendo o pior parecer a causa melhor; o segundo, que ele é um malfeitor e corruptor da juventude que não recebe os deuses que o estado recebe, mas introduz outras novas divindades.
A resposta começa esclarecendo uma confusão: nas representações dos poetas cômicos e na opinião da multidão, ele foi identificado com os professores da ciência física e com os sofistas, mas mostra que não é um deles.-
Ele explica a razão de estar com um nome tão ruim, que surgiu de uma missão peculiar que ele assumiu após Querofonte ter consultado o oráculo de Delfos, que declarou que ninguém era mais sábio do que Sócrates.
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Refletindo sobre a resposta, ele determinou refutá-la encontrando um mais sábio, indo aos políticos, aos poetas e aos artesãos, sempre com o mesmo resultado: eles sabiam pouco ou nada e imaginavam saber tudo, enquanto ele sabia que nada sabia.
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Essa ocupação o absorveu completamente e criou inimizades amargas, com os professores de conhecimento se vingando chamando-o de corruptor da juventude.
A segunda acusação ele enfrenta interrogando Meleto, que está presente.-
Ele pergunta quem é o melhorador dos cidadãos se ele é o corruptor, argumentando que é absurdo que um homem seja o corruptor e todo o resto do mundo seja o melhorador.
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Em relação à acusação de não receber os deuses que a cidade recebe e ter outros novos, ele mostra que Meleto tem composto um enigma: não há deuses, mas Sócrates acredita na existência dos filhos dos deuses, o que é absurdo.
Retornando à acusação original, pergunta-se por que ele persistirá em uma profissão que o leva à morte: porque deve permanecer em seu posto onde o deus o colocou, assim como permaneceu em Potideia, Anfípolis e Delion.-
Ele não é tão sábio a ponto de imaginar saber se a morte é um bem ou um mal, e tem certeza de que o abandono do dever é um mal.
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Ele obedecerá a Deus antes do que aos homens e continuará a pregar a necessidade da virtude e do aperfeiçoamento; esta é sua maneira de corromper a juventude, que ele não cessará de seguir, mesmo que mil mortes o aguardem.
Ele deseja que o deixem viver não por sua causa, mas pela deles, porque é seu amigo enviado do céu, como o mutuca que agita o corcel generoso.-
Ele nunca participou dos assuntos públicos porque a voz divina familiar o impediu; se tivesse sido um homem público, não teria vivido e não poderia ter feito nenhum bem.
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Seus discípulos podem ter se tornado bons ou maus, mas ele não pode ser acusado pelo resultado, pois nunca prometeu ensinar nada a eles.
Ele não implorará aos juízes que poupem sua vida, nem apresentará um espetáculo de crianças chorando, pois sente que tal conduta desonra o nome de Atenas e que o juiz jurou não vender a justiça.Como esperado, ele é condenado, e o tom do discurso se torna mais elevado e imperativo.-
Anito propõe a morte como pena; ele, como benfeitor do povo ateniense, deveria ter a recompensa do vencedor olímpico de manutenção no Pritaneu.
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Ele não propõe uma contra-pena porque não sabe se a morte, que Anito propõe, é um bem ou um mal, e tem certeza de que o encarceramento e o exílio são males.
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Ele sugere uma multa de uma mina, ou trinta minas, pelos quais seus amigos serão excelentes fiadores.
Condenado à morte, ele afirma que os atenienses não ganharão nada além de desgraça ao privá-lo de alguns anos de vida.-
Ele não se arrepende de sua defesa; preferiria morrer à sua maneira do que viver à maneira deles, pois a penalidade da injustiça é mais rápida do que a morte.
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Ele profetiza que sua morte será a semente de muitos discípulos que os convencerão de seus maus caminhos.
Dirigindo-se àqueles que o absolveriam, ele afirma que o sinal divino nunca o interrompeu durante sua defesa, o que conjectura ser porque a morte para a qual ele está indo é um bem e não um mal.-
Nada de mal pode acontecer ao homem bom, seja na vida ou na morte, e sua própria morte foi permitida pelos deuses porque era melhor para ele partir.
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Ele faz um último pedido: que perturbem seus filhos como ele os perturbou, se parecerem preferir riquezas à virtude.
Deixando de lado a questão de saber se a defesa foi aquela com que Platão o proveu, pergunta-se qual foi a impressão que Platão na Apologia pretendia dar do caráter e conduta de seu mestre na última grande cena.-
Indaga-se se Platão pretendia representá-lo como empregando sofismas ou como irritando propositalmente os juízes, ou se essas sofismas pertencem à época em que ele viveu e ao seu caráter pessoal, e essa aparente arrogância flui da elevação natural de sua posição.
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Observa-se que os sofismas ocorrem em seu interrogatório de Meleto, que é facilmente derrotado nas mãos do grande dialético, e há um toque de ironia neles que os tira da categoria de sofisma.
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A defesa sobre a vida de seus discípulos não é satisfatória, mas a defesa, quando tirada dessa forma irônica, é sem dúvida sólida: seu ensino não tinha nada a ver com suas vidas más.
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O argumento de que se ele corrompeu a juventude, deve tê-lo feito involuntariamente, pretende transmitir a doutrina socrática da involuntariedade do mal, mas é praticamente falso, embora possa ser verdadeiro em algum sentido ideal ou transcendental.
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O argumento de que ele deve acreditar nos deuses porque acredita nos filhos dos deuses é uma refutação da interpretação de Meleto de que ele é um ateu, não da acusação original, e é feito de acordo com as noções de mitologia da época.
Quanto à questão de saber se Platão pretendia representar Sócrates como desafiando ou irritando seus juízes, a resposta é negativa: sua ironia, superioridade e audácia fluem necessariamente da sublimidade de sua situação.-
Ele não está agindo em uma grande ocasião, mas é o que tem sido toda a sua vida; ele não deseja parecer insolente, se pudesse evitar, mas uma defesa que fosse aceitável para seus juízes e pudesse garantir uma absolvição não está em sua natureza fazer.
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Ele não tem o desejo de apressar seu próprio fim, pois a vida e a morte são simplesmente indiferentes para ele, e ele não fará ou dirá nada que possa perverter o curso da justiça.
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A dedicação de si mesmo ao aperfeiçoamento de seus concidadãos é acompanhada pelo espírito irônico com que faz o bem apenas em defesa do crédito do oráculo.
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Sua esperança de imortalidade é incerta; ele concebe a morte também como um longo sono e, por fim, recai na resignação à vontade divina e na certeza de que nenhum mal pode acontecer ao homem bom.
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A gentileza da primeira parte do discurso contrasta com o tom agravado, quase ameaçador, da conclusão.
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Observa-se que a profecia de uma nova geração de professores que repreenderiam e exortariam o povo ateniense em termos mais duros nunca foi cumprida, até onde se sabe.
As observações acima devem ser entendidas como se aplicando com qualquer grau de certeza apenas ao Sócrates platônico, pois não se pode excluir a possibilidade de que, como tantas outras coisas, possam ter sido devidas apenas à imaginação de Platão.-
Os argumentos daqueles que sustentam que a Apologia foi composta durante o processo, baseados em nenhuma evidência, não exigem uma refutação séria, nem os raciocínios de Schleiermacher são conclusivos.
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Que efeito a morte de Sócrates produziu na mente de Platão, não se pode determinar com certeza, mas observa-se que a inimizade de Aristófanes a Sócrates não impede Platão de introduzi-los juntos no Simpósio em amigável intercâmbio, e não há vestígios nos diálogos de uma tentativa de tornar Anito ou Meleto pessoalmente odiosos aos olhos do público ateniense.
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