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Luc Brisson

PLATON. Le banquet. Tradução: Luc Brisson. 5e éd. corrigée et mise à jour ed. Paris: Flammarion, 2007.

  • O Banquete apresenta seis elogios a Eros feitos por Fedro, Agáton, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes e Sócrates — este em nome de Diotima —, seguidos do elogio de Sócrates feito por Alcibíades, que chega após o discurso socrático.
  • Fedro de Mirrínonte aparece em três diálogos de Platão — o Protágoras, o Banquete e o Fedro —, sendo mencionado já em 433/432 a.C. em companhia de Erixímaco e Agáton.
    • No Protágoras, Fedro figura entre os ouvintes de Hípias de Élis, tendo então cerca de dezoito anos, idade aproximada também de Erixímaco e Agáton.
    • No Banquete, com cerca de trinta e quatro anos, Fedro propõe pela boca de Erixímaco que Eros seja o tema da discussão.
    • No Fedro, Fedro aparece como discípulo pouco inclinado a pensar a retórica de modo diferente do ensinado por Lísias ou outros especialistas.
  • O elogio de Eros feito por Fedro revela excelente conhecimento da arte oratória e notável domínio de suas regras, com referências a diversos autores que atestam boa erudição literária.
    • Fedro demonstra grande preocupação com a saúde, sendo amigo do médico Erixímaco, cujo pai Acoumeno também é médico.
    • Fedro conhece a doutrina de Hipócrates e apoia a proposta de Erixímaco sobre moderação no consumo de vinho.
    • Fedro e Erixímaco estão entre os primeiros a deixar a festa após a irrupção de novos foliões.
  • Fedro foi acusado de parodiar os mistérios de Elêusis em 415 a.C., quando o meteco Teucros denunciou ao Conselho participantes de duas infrações religiosas — a paródia dos mistérios e a mutilação dos Hermas.
    • Fedro conseguiu fugir com seus cúmplices, mas seus bens foram confiscados e o aluguel de uma casa e de um terreno em seu demo natal foi recolhido pela cidade.
    • Lísias, no discurso Sobre os bens de Aristófanes, informa que Fedro, ao casar com sua prima, “era um homem pobre, mas que não havia se tornado pobre por culpa própria”.
    • Um certo Diogiton mudou-se para a casa de Fedro em data situada entre 409 e 401.
  • Sobre Pausânias, praticamente nada se sabe fora do Corpus platonicum, sendo descrito por Xenofonte no Banquete como ardente defensor da paiderastia.
    • Aristófanes possivelmente fez do amor de Pausânias por Agáton alvo de zombaria em comédias.
    • No Protágoras, dezesseis anos antes do Banquete, Pausânias e Agáton aparecem juntos perto do leito do sofista Pródico de Ceos.
    • Pausânias deve ser mais velho que Agáton, seu amado (eromenos), estimando-se que tivesse cerca de cinquenta anos na época da vitória de Agáton.
  • Erixímaco, filho de Acoumeno, é médico, o que explica seu papel de defensor da moderação no consumo de vinho durante o banquete.
    • Em 433/432, Erixímaco se encontra em companhia de Fedro na casa de Cálias, ouvindo os sofistas mais célebres.
    • Acoumeno, pai de Erixímaco e amigo de Sócrates, também é médico, conforme atestam o Fedro, Xenofonte nos Memoráveis e o próprio Banquete.
    • O mesmo Acoumeno parece ter sido denunciado em 415 por parodiar os mistérios, segundo Andócides.
  • Aristófanes, o maior poeta cômico da antiga comédia, filho de Filipe e pai de Araros, nasceu pouco antes de 457 e morreu pouco depois de 385.
    • Em 423, sete anos antes do Banquete, Aristófanes encena as Nuvens, onde zomba de Sócrates.
    • Aristófanes ataca Agáton nas Tesmofórias em 411 e renova as críticas nas Rãs em 405, quando Agáton já havia partido para a Macedônia.
  • Agáton, ateniense filho de Tisameno, tinha menos de trinta anos quando venceu o concurso de tragédias em 416 a.C., sendo qualificado de neaniskos no Banquete.
    • No Protágoras, Agáton aparece como “um rapaz muito jovem, ainda adolescente (neon ti eti meirakion), de natureza excelente (kalon te kagathon) e, quanto ao aspecto exterior (idean), perfeitamente belo (kalos)”.
    • Em 411, segundo Aristóteles na Ética a Eudemo, Agáton felicitou Antífon por sua defesa, o que indica preferências não democráticas; nesse mesmo ano Aristófanes o ridiculariza nas Tesmofórias como homossexual passivo e homem efeminado.
    • Por volta de 407, Agáton parte para a corte de Arquelau, rei da Macedônia, onde permanece até sua morte, provavelmente no final do século V, antes de completar cinquenta anos.
    • No plano estilístico, Agáton foi influenciado por Górgias e por Pródico, influência que Sócrates aponta antes de tomar a palavra.
    • Como autor trágico, Agáton introduz a epopeia na tragédia e é o primeiro a escrever uma tragédia com personagens e intriga não extraídos da mitologia tradicional.
  • Sócrates teria cinquenta e três anos em 416, quando ocorre o banquete de Agáton, sendo descrito com traços de comportamento particulares ao longo do diálogo.
    • Habitualmente, Sócrates caminha descalço, evita banhos públicos, teme a multidão, prefere encontros individuais ou em círculo restrito e respeita pouco as convenções sociais.
    • Mergulhado em meditações, Sócrates chega apenas no meio do jantar e não resiste a iniciar discussões de modo intempestivo.
    • Sócrates recorre ao elenkhos mesmo às custas de seu anfitrião Agáton, que deve admitir: “Corro o risco, Sócrates, de ter falado sem saber o que dizia”.
    • Agáton, após novas contradições apontadas por Sócrates, responde como anfitrião cortês, mas com agastamento perceptível: “No que me diz respeito, Sócrates, não estou em condições de discutir contigo; que seja como tu dizes”.
    • Sócrates parece imune à embriaguez e à fadiga, pois, após beber e discutir a noite toda, deixa a casa de Agáton para retomar suas atividades habituais.
    • As palavras de Apolodoro no início do Banquete e o elogio de Alcibíades ao final dão ideia do impacto emocional que Sócrates produzia nos que o cercavam, levando-os a considerar mudanças radicais de vida.
  • Diotima, apresentada por Sócrates como “uma mulher de Mantineia, experiente nesse domínio como em muitos outros, que em determinado momento, dez anos antes da peste, havia levado os atenienses a oferecer sacrifícios que permitiram adiar em dez anos a data do flagelo”, teria instruído Sócrates nas questões do amor por volta de 440.
    • No Banquete, Sócrates pretende relatar palavras pronunciadas vinte e quatro anos antes, quando tinha cerca de trinta anos.
    • O vocabulário e a doutrina expostos por Diotima não aparecem nos primeiros diálogos escritos por Platão a partir de 399, o que gera anacronismo e dúvida sobre a realidade histórica do personagem.
    • O nome masculino Diotimos era comum em Atenas; o feminino Diotima, menos frequente, é atestado na Beócia no início da época clássica e parece significar “honrada por Zeus” ou “que honra Zeus”.
    • A referência à cidade de Mantineia pode ser explicada pela proximidade linguística com mântis, o “adivinho”, caso Diotima seja uma criação ficcional de Platão.
    • Nos cultos de mistérios, as mulheres desempenhavam papel importante, como se constata no Menon e em Demóstenes no Sobre a coroa.
    • Na República, Platão descreve cerimônias purificatórias: “Produzem ademais uma grande quantidade de livros de Museu e de Orfeu, filhos da Lua e das Musas, segundo se diz. Regulam seus sacrifícios com base nesses livros e convencem tanto particulares quanto Estados de que, por meio de sacrifícios e de jogos divertidos, é possível ser absolvido e purificado de qualquer crime, tanto em vida quanto após a morte. Chamam de iniciações essas cerimônias que nos livram dos males do outro mundo e que não se podem negligenciar sem esperar terríveis suplícios”.
    • No Menexeno, Platão empenha-se em acreditar que Péricles teria sido discípulo de Aspásia, de modo que o maior orador e o maior filósofo seriam discípulos de uma mulher.
    • Três posições sobre a historicidade de Diotima foram formuladas: a maioria dos estudiosos, como Taylor, acredita em sua historicidade alegando que Platão não costuma introduzir personagens fictícios; outros, como Wilamowitz-Moellendorf e Bury, duvidam; e outros ainda consideram Diotima, como Parmênides e Zenão no Parmênides, um personagem histórico usado como ficção literária.
    • Xenofonte nos Memoráveis e no Econômico coloca na boca de Sócrates alusões a Aspásia; Ésquines de Esfetos teria composto uma Aspásia; e Antístenes também teria escrito um diálogo socrático intitulado Aspásia.
  • Alcibíades, nascido por volta de 451/450, filho de Clínias — general ateniense morto em Coroneia em 445 —, foi criado na casa de Péricles, seu tutor, e entrou em contato com Sócrates antes da expedição de Potideia em 431.
    • No Protágoras, cuja ação se situa pouco antes do início da Guerra do Peloponeso, Alcibíades é descrito como a presa que Sócrates persegue obstinadamente.
    • No Banquete, em fevereiro de 416, Alcibíades admite que evita Sócrates porque se envergonha do homem em que se tornou.
    • A partir de 420, Alcibíades torna-se porta-voz dos democratas radicais que impulsionam Atenas a se aliar com Argos e com outros inimigos de Esparta; a vitória espartana em Mantineia em 418 desacredita essa política.
    • Em 415, um duplo escândalo eclodiu: a mutilação dos Hermas — pilares quadrangulares de pedra ornados de um phallós e encimados por uma cabeça barbada — e a descoberta de paródias dos mistérios de Elêusis em casas privadas, crimes associados a Alcibíades pela opinião pública.
    • Alcibíades pediu julgamento imediato, mas seus inimigos preferiram que a frota partisse e que ele fosse julgado em sua ausência, acumulando acusações caluniosas contra ele.
    • Acusado de cumplicidade na mutilação dos Hermas e em outras profanações, Alcibíades fugiu e se refugiou em Esparta, onde conspirou ativamente contra Atenas.
    • O desastre ateniense na Sicília foi gigantesco: mais de duzentas trirremes perdidas, doze mil cidadãos mortos ou falecidos em condições atrozes, e os dois comandantes Nícias e Demóstenes executados.
    • Em 412, Alcibíades suscitou revoltas em cidades aliadas de Atenas; perdendo a confiança dos espartanos, buscou refúgio junto a Tissafernes, sátrapa das províncias costeiras anatólicas.
    • A frota ateniense em Samos elegeu Alcibíades estratego; ele comandou operações na Jônia e no Helesponto, obtendo vitória em Cízico em 410, e retornou a Atenas em 407 com plenos poderes.
    • Após a derrota de Notion em 406, seus inimigos o forçaram a se retirar; em 404, foi assassinado na Frígia por ordem de Farnabaze, sobre o qual os Trinta e Lisandro haviam feito pressão.
    • Alcibíades era o símbolo do fracasso da empreitada pedagógica de Sócrates, e o fato de ter sido acusado de sacrilégio permitia associar facilmente, em seu caso, impiedade e corrupção da juventude — as duas acusações que, segundo a Apologia de Sócrates, custaram a vida a Sócrates.

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