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7. Alternativa (78b-84b)
PLATON. Phédon. Monique Dixsaut. Paris: GF-Flammarion, 1991.
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A alternativa formulada por Sócrates em 78b distingue dois tipos de coisas: aquelas para as quais a dispersão é natural e aquelas para as quais há apenas razão de temer que ela ocorra, e essa distinção comanda todo o desenvolvimento seguinte, sendo retomada nas objeções de Cebès e Simmias.
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Uma fumaça tem disposição natural para se dispersar, e é isso que normalmente acontece, ainda que sem necessidade absoluta.
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Um telhado de palha não é predisposto à dispersão, mas pode sofrê-la por circunstâncias externas como ventos violentos repetidos.
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O verbo “convir” designa uma relação mais frouxa do que implicação necessária: uma simples necessidade de fato.
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Mesmo havendo boas razões para julgar a dispersão possível, o temor só é legítimo se for apropriado à natureza da coisa que o experimenta.
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Sócrates procede a uma série de distinções para determinar a qual das duas espécies pertencem a alma e o corpo, estabelecendo que o que é composto está predisposto à dispersão e o que não é composto não pode ser dividido.
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As coisas que permanecem sempre idênticas a si mesmas são, muito provavelmente, as não compostas; as que não cessam de mudar são compostas.
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A divisão, na hipótese considerada, equivale à dispersão, isto é, à destruição da natureza ou da essência da coisa.
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As realidades “em si” pertencem verossimilmente à espécie das coisas não compostas, pois nunca podem perder sua essência nem sofrer a menor alteração.
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Certas coisas igualmente incapazes de mudança pertencem, porém, à espécie das compostas: os deuses (cf. República 380d, 381e) e o Mundo.
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As essências caracterizadas pela unicidade de sua forma são imutáveis e acessíveis apenas ao raciocínio; as coisas múltiplas estão em perpétua mudança e são perceptíveis pelos sentidos, configurando duas espécies de seres: a visível e jamais idêntica, e a invisível e sempre idêntica.
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O corpo assemelha-se à espécie que se dá a ver, enquanto a alma, sendo invisível, é “mais semelhante” ao que é invisível, mas não está naturalmente isenta de mudanças, pois em contato com o sensível “ela erra, é perturbada, gira como se estivesse bêbada” (79c).
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Se a alma se volta para um mundo em perpétuo devir, torna-se presa de contínua alteração.
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Ela se tornará cada vez mais semelhante às coisas compostas por se ter composto, incrustando-se, como Glauco o marinheiro (República X, 611c-613a), de opiniões provenientes de sua união com o corpo.
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Se ao contrário se lança ao que é puro, imutável, imortal e sempre idêntico, cessa de errar e passa a se comportar sempre da mesma forma: pensa, e se torna mais semelhante ao imutável.
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Quanto ao saber quem deve comandar e quem deve obedecer, a distribuição dos papéis é invariável: a alma, feita para dirigir, é “semelhante ao divino”; o corpo, feito para obedecer, semelhante ao que é mortal (80a).
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A primeira conclusão de Sócrates é que a alma pode ser dita muito semelhante “ao que é indissolúvel, quando se liga a essas coisas indissolúveis que são as realidades inteligíveis”, ao passo que o corpo parece pertencer às coisas que têm disposição para se dissolver rapidamente, mas essa conclusão admite imediatamente exceções.
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Certas partes do corpo como ossos e tendões são “por assim dizer imortais” e resistem quase indefinidamente à decomposição, mesmo sendo compostas.
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A alma não é indissolúvel por natureza como o são as Formas, nem está predisposta à dispersão, pois nada garante que, sendo naturalmente composta, será efetivamente decomposta.
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Quando tende a se unificar e a se concentrar, ela está “muito perto de ser indissolúvel” e é razoável pensar que resistirá ainda mais do que ossos e tendões à dissolução.
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A alma não pertence nem às coisas predispostas à dispersão nem às que a excluem por natureza: pode tornar-se uma ou outra conforme seu grau de comprometimento com o corpo e sua capacidade de filosofar corretamente (80d).
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Em nenhuma etapa do raciocínio Sócrates afirma que a alma é não composta, nem apoia a afirmação de sua imortalidade em sua simplicidade.
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Não “convém” à natureza da alma ser dispersada, mas há razão de temer que, ao se separar do corpo, ela sofra tal dispersão caso tenha vivido completamente misturada e submetida a ele, desfigurando-se e condenando-se ao mal supremo.
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Esse mal consiste em tomar por real apenas o que causa impressão no corpo, em identificar saber e sentir, em julgar bom apenas o agradável e mau apenas o penoso.
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A fonte desse comprometimento da alma não é o corpo em si mesmo, mas o apetite, o prazer e o medo (83d).
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Eles conseguem pregar a alma ao corpo e, por excesso de proximidade, a alma acaba quase por se dispersar ela mesma.
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O tumulto dos sentidos, dos prazeres, das dores, dos medos e das sensações não pode destruir a alma, mas os homens dominados por tais almas tornam-se cada vez mais semelhantes ao que são: asnos, lobos, falcões, milanos, abelhas, vespas ou formigas.
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Trata-se menos de reencarnações do que das únicas categorias antropológicas em Platão.
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Empregar a vida em empanturrar-se, matar ou conformar-se sem compreender é aparentar-se a uma espécie animal que nem é preciso tornar-se, pois já se é.
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Para a alma purificada, “não há perigo de que possa temer… ser dispersada ao deixar o corpo” (84b).
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A alma que não teme ser dispersada não tem razão de temê-lo: ela só pode se perverter e se esquecer do que lhe é mais próprio, não se destruir.
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Para escapar a esse esquecimento, ela deve se separar do corpo tanto quanto possível, e é a isso que se dedica a filosofia, desejo de aprender que possui em alguns uma força superior à dos apetites.
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