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Benjamin Jowett

Introdução (resumo)

  • O diálogo conecta os temas do amor e da retórica, explorando suas relações com a filosofia, a alma humana e a arte, sem se restringir rigidamente a um único assunto.
    • As duas palestras iniciais (a de Lísias e a primeira de Sócrates) exemplificam uma retórica falsa e convencional, baseada na persuasão sem conhecimento da verdade, enquanto a segunda palestra de Sócrates, uma recantação, ilustra uma retórica superior fundamentada na dialética e na inspiração divina.
    • O fio condutor do diálogo é a retórica, com a discussão sobre o amor servindo tanto como exemplo da arte retórica quanto como tema mais profundo, onde a filosofia é apresentada como uma forma de loucura divina e de amor pelas ideias.
    • A estrutura final do diálogo critica a retórica técnica e estabelece a dialética como a verdadeira arte de compor e dividir, concluindo que a palavra falada, viva na alma, é superior à palavra escrita, que é apenas uma imagem do conhecimento.
  • O mito da alma, com sua divisão tripartida em um cocheiro e dois cavalos, ilustra a natureza imortal e automotora da alma, sua jornada celestial em busca da verdade e a queda no mundo sensível devido ao desejo desordenado.
    • O cocheiro representa a razão, o cavalo branco representa o impulso racional ou a parte moral (θυμὸς), e o cavalo preto representa a parte concupiscente ou apetitiva, cujo conflito explica a luta interna da alma.
    • No céu, as almas seguem os deuses em procissão e contemplam as essências inteligíveis (justiça, temperança, sabedoria) no hiperurânio, mas a imperfeição do cavalo preto faz com que a maioria das almas perca as asas e caia na terra, assumindo formas humanas conforme a quantidade de verdade vista.
    • A reminiscência do mundo das ideias é despertada pela visão da beleza sensível, que é a única ideia que tem representação visível, levando o filósofo a um estado de “loucura divina” (manía), que é superior à mera sanidade humana.
  • A crítica à retórica convencional, representada por Lísias e pelos manuais dos sofistas, fundamenta-se na sua ignorância sobre a verdadeira natureza do amor, na falta de definição precisa e na ausência de método.
    • O discurso de Lísias é criticado por sua falta de definição de amor, sua desordem temática e sua repetição enfadonha, sendo um exemplo de “arte de encantar” que ignora a diferença entre matéria certa e provável.
    • A primeira palestra de Sócrates, embora superior na organização, ainda é condenada por blasfemar contra o deus Eros ao tratar o amor como algo puramente interesseiro e racional.
    • A verdadeira arte retórica não reside em manuais de técnicas, mas no conhecimento profundo da verdade sobre o assunto e na análise psicológica das naturezas das almas dos ouvintes, assemelhando-se à medicina, que deve conhecer o corpo como um todo.
  • A dialética é apresentada como o método filosófico superior que consiste na capacidade de síntese (reunir o disperso em uma ideia) e análise (dividir a ideia em suas espécies naturais), sendo a base para qualquer discurso verdadeiro.
    • A segunda palestra de Sócrates é usada como exemplo desse método dialético, por conter uma definição de amor e por ser organizada de acordo com princípios lógicos.
    • A dialética é contraposta às listas intermináveis de termos técnicos e “preliminares da arte” ensinados por retóricos como Górgias, Pródico e Tísias, que confundem o conhecimento preparatório com a própria arte da criação.
    • A verdadeira arte de persuasão deve combinar o conhecimento da verdade com a compreensão da alma humana, pois a probabilidade, que é a base da retórica comum, deriva da semelhança com a verdade, que só pode ser conhecida pelo filósofo.
  • O mito final sobre a superioridade da palavra falada sobre a escrita, ilustrado pela história egípcia de Teuth e Tamus, sustenta que a escrita é apenas uma imagem enganosa do conhecimento, incapaz de se defender ou se adaptar.
    • A palavra escrita é comparada a uma pintura que parece viva, mas não responde a perguntas, representando um “filho bastardo” do conhecimento, enquanto a palavra viva, plantada na alma do ouvinte, é o “legítimo”.
    • O verdadeiro escritor ou orador é aquele que escreve na alma do ouvinte, possuindo a verdade e a capacidade de adaptar o discurso às diferentes naturezas, sendo mais um filósofo do que um mero compositor de palavras.
    • A crítica à escrita não é uma condenação absoluta, mas uma defesa da superioridade do diálogo vivo e do conhecimento internalizado, onde o próprio homem se torna o livro ou a epístola viva.
  • A datação do diálogo é incerta, mas a maturidade do pensamento, o estilo e a conexão com o “Banquete” e a “República” sugerem uma fase intermediária e madura da obra de Platão, não um trabalho da juventude.
    • Argumentos baseados nas idades de Lísias e Isócrates são considerados frágeis, pois Platão frequentemente utiliza personagens históricos com liberdade, não se prendendo à precisão cronológica.
    • A presença de elementos como a divisão tripartida da alma, a doutrina da transmigração, a noção cosmológica da alma como princípio de movimento e o tratamento da filosofia como loucura divina apontam para um período próximo ao da “República”.
    • A visão de Sócrates no “Fedro” é predominantemente a visão platônica, e não a do Sócrates histórico, indicando que o diálogo foi escrito após sua morte, em um período em que Platão já havia desenvolvido suas próprias doutrinas.
  • A crítica de Platão aos retóricos no “Fedro” reflete uma preocupação mais ampla com o declínio da literatura e da cultura grega, antevendo a substituição da criatividade pela erudição e pela técnica.
    • Platão contrapõe a arte vazia dos sofistas e retóricos, que ensinam regras sem compreensão da verdade ou da alma, à verdadeira arte que é inseparável da filosofia e do conhecimento das causas.
    • O declínio da literatura grega após o século IV a.C., com o surgimento de um período de escolasticismo, comentários e imitações, exemplifica o triunfo do “preliminar” sobre a criação genuína que Platão já diagnosticava.
    • A defesa da dialética como método de síntese e análise e a ênfase no conhecimento da alma humana como fundamento da retórica são apresentadas como antídotos contra a estagnação intelectual e a perda da capacidade de expressar a verdade.
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