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platao:hipias-menor:jowett

Benjamin Jowett

Veja também: Coletânea de excertos da obra completa de Platão, na tradução de Jowett, indexados por termos relevantes

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O Hípias Menor pode ser comparado aos primeiros diálogos de Platão, nos quais o contraste entre Sócrates e os sofistas é mais fortemente exibido.

  • Hípias, como Protágoras e Górgias, é vaidoso e fanfarrão: afirma saber todas as coisas, saber fazer tudo, inclusive suas próprias roupas; é fabricante de poemas, declamações, anéis de selo, sapatos e estrígeis, e seu cinto, tecido por ele mesmo, é de qualidade superior à persa.
  • É uma natureza mais vaidosa e superficial do que os dois grandes sofistas, mas do mesmo caráter que eles, e igualmente impaciente com o método curto e incisivo de Sócrates, a quem tenta atrair para um longo discurso.
  • Por fim, cansado de ser derrotado em cada ponto por Sócrates, é dificilmente persuadido a prosseguir, à semelhança de Trasímaco, Protágoras e Cálicles, a quem a mesma relutância é atribuída.

Hípias, como Protágoras, tem o senso comum a seu favor ao argumentar, citando passagens da Ilíada, que Homero pretendia que Aquiles fosse o mais bravo e Odisseu o mais sábio dos gregos.

  • Sócrates o derruba pela dialética superior, fingindo mostrar que Aquiles não é fiel à sua palavra, ao passo que nenhuma inconsistência semelhante se encontra em Odisseu.
  • Hípias replica que Aquiles fala falsamente de modo não intencional, mas Odisseu de modo intencional.
  • A questão resultante é se é melhor agir mal intencionalmente ou não intencionalmente: Sócrates, apoiando-se na analogia das artes, defende a primeira alternativa; Hípias, a segunda.
  • Tudo isso é concebido no espírito de Platão, que está muito longe de fazer Sócrates argumentar sempre do lado da verdade.
  • O excesso de raciocínio sobre Homero, claramente satírico, é também do espírito de Platão: a poesia transformada em lógica é ainda mais ridícula do que a retórica transformada em lógica, e igualmente falaciosa.
  • O argumento de Sócrates, que apanha as aparentes inconsistências nas falas e ações de Aquiles, e o paradoxo final “quem é verdadeiro é também falso”, lembram a interpretação de Simônides no Protágoras e raciocínios similares no primeiro livro da República.

Sócrates, ao ter apanhado Hípias nas malhas do voluntário e do involuntário, é obrigado a confessar que anda perdido no mesmo labirinto.

  • Ele faz sobre si mesmo a reflexão que outros fariam sobre ele, à semelhança do final do Protágoras.
  • Não se admira de estar em dificuldade, mas admira-se de Hípias, e torna-se sensível à gravidade da situação quando homens comuns como ele não podem mais recorrer aos sábios para ser ensinados.

A questão da autenticidade do diálogo suscita observações de diversas ordens.

  • Os modos dos interlocutores são menos sutis e refinados do que nos outros diálogos de Platão.
  • A sofística de Sócrates é mais palpável e descarada, e também mais desprovida de sentido.
  • Muitos giros de pensamento e de estilo presentes no diálogo aparecem também nos outros diálogos: se tais semelhanças militam a favor ou contra a autenticidade de um escrito antigo é questão importante que deve ser respondida diferentemente em cada caso, pois tanto um autor pode se repetir quanto um falsário pode imitar.
  • Os paralelismos do Hípias Menor não são do tipo que implica necessariamente obra de um falsário.
  • Os paralelismos do Hípias Maior com os outros diálogos, e a alusão ao Hípias Menor em 285-286 A-B (onde Hípias esboça o programa de sua próxima conferência e convida Sócrates a comparecer com amigos competentes para julgar), são mais do que suspeitos: são de qualidade muito pobre, impossível de atribuir ao próprio Platão.
  • O Hípias Maior se assemelha mais ao Êutidemo do que a qualquer outro diálogo, mas é imensamente inferior a ele.
  • O Hípias Menor parece ter mais mérito do que o Maior e ser mais platônico em espírito; o caráter de Hípias é o mesmo nos dois diálogos, mas sua vaidade e fanfarronice são ainda mais exageradas no Hípias Maior.
  • A arte mnemônica de Hípias é especialmente mencionada em ambos; ele é um tipo inferior da mesma espécie que Hipodamo de Mileto (Aristóteles, Política II 8, § 1).
  • Passagens do Hípias Menor proveitosamente comparáveis com diálogos indubitavelmente autênticos: 369 B comparado com República VI 487 (a astúcia de Sócrates na argumentação); 369 D-E comparado com Laquetes 188 (o sentimento de Sócrates sobre argumentos); 372 B-C comparado com República I 338 B (Sócrates não ingrato); 373 B comparado com República I 340 D (Sócrates desonesto na argumentação).

O Hípias Menor, embora inferior aos outros diálogos, pode razoavelmente ser atribuído a Platão por dois motivos.

  • Apresenta considerável excelência.
  • Conta com tradição uniforme que começa com Aristóteles e sua escola.
  • O fato de o diálogo ficar aquém do padrão das outras obras de Platão, ou de Platão ter atribuído a Sócrates um paradoxo desprovido de sentido (talvez para mostrar que podia superar os sofistas em seu próprio terreno, ou fazer a causa pior parecer melhor, ou simplesmente como experimento dialético), não constitui razão suficiente para duvidar da autenticidade da obra.
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