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Benjamin Jowett
PARMENIDES
Resumo
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O diálogo Parmênides é cercado de reverência, tanto pela figura histórica de Parmênides quanto pelo próprio texto platônico, sendo o mais copiosamente comentado na Antiguidade e na modernidade, e também o que gerou maior divergência entre os intérpretes.
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O Parmênides é mais fragmentário e isolado do que qualquer outro diálogo, e o propósito do autor não é explicitamente declarado.
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A data é incerta, a relação com os demais escritos de Platão também é incerta, e a conexão entre as duas partes é à primeira vista extremamente obscura.
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Na segunda parte, permanece a dúvida sobre se Platão expõe seus próprios sentimentos pela voz de Parmênides, refutando-o pela sua própria boca, ou se propõe consequências que o próprio Zenão e Parmênides teriam admitido.
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As contradições que decorrem das hipóteses do uno e do múltiplo foram consideradas por alguns como mistérios transcendentais, por outros como mera ilustração de um novo método, parecendo inspiradas por uma espécie de frenesi dialético semelhante ao que se supõe ter prevalecido na escola megárica.
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A crítica à doutrina das Ideias foi considerada não como crítica real, mas como exuberância da imaginação metafísica que permitia a Platão ir além de si mesmo.
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Do ponto de vista estilístico, o Parmênides é um dos melhores escritos platônicos, com a primeira parte dotada de facilidade, graça e interesse dramático, e a segunda marcada por clareza e precisão.
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A segunda metade é um mosaico exquisito, cujas pequenas peças se adaptam umas às outras com extrema fineza e regularidade.
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Como o Protágoras, o Fédon e outros, o conjunto é um diálogo narrado que combina a recitação das falas com observações do narrador sobre o efeito produzido por elas.
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O narrador informa que Zenão e Parmênides não ficaram inteiramente satisfeitos com o pedido de Sócrates de examinar a natureza do uno e do múltiplo na esfera das Ideias, embora o recebessem com sorrisos de aprovação.
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Parmênides é descrito como idoso mas de boa aparência, e Zenão como muito belo; Parmênides finge declinar o grande argumento, no qual, como Zenão sabia por experiência, ele não relutava em entrar.
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O personagem Antifonte, meio-irmão de Platão, que se inclinara à filosofia mas revela agora a disposição hereditária para os cavalos, é apresentado com naturalidade: ao entrar, está dando ordens a um fabricante de freios, detalhe que confirma a descrição prévia.
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Quanto à visita de Zenão e Parmênides a Atenas, pode-se observar que ela é consistente com as datas e pode ter ocorrido; que Platão provavelmente inventou o encontro; que nenhuma conclusão cronológica segura pode ser extraída do episódio; e que a mesma ocasião parece ser referida em outros dois lugares, no Teeteto (183 E) e no Sofista (217 C).
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Muitos intérpretes consideraram o Parmênides uma redução ao absurdo da filosofia eleática, mas essa interpretação é insustentável.
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Seria implausível que Platão, que no Teeteto (183 E) descreve Parmênides como venerável e terrível, de gloriosa profundidade de espírito, colocasse na boca do próprio Parmênides a refutação de suas teses.
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No Sofista, um estrangeiro eleático critica expressamente as doutrinas em que foi educado, admitindo que vai lançar as mãos sobre seu pai Parmênides; nada de semelhante é dito de Zenão e Parmênides no Parmênides.
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Além disso, tal interpretação não oferece conexão satisfatória entre as duas partes do diálogo e é incompatível com a relação de Platão com os eleáticos, que ele trata com maior respeito do que qualquer outro filósofo pré-socrático.
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Nenhuma explicação do Parmênides pode ser satisfatória se não indicar a conexão entre suas duas partes, pois Platão sempre busca algum tipo de ligação entre temas que aproxima.
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Supor que Platão primeiro faz Parmênides atacar as Ideias platônicas e depois procede a um assalto ainda mais fatal à sua própria doutrina do Ser seria a altura do absurdo.
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A passagem em que Platão ataca sua própria teoria das Ideias é uma das que revelam maior poder metafísico em toda a sua obra.
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Os argumentos são quase idênticos aos de Aristóteles e são as objeções que naturalmente ocorrem a um estudioso moderno da filosofia.
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Muitos se surpreenderão ao encontrar Platão criticando as concepções que foram consideradas em épocas posteriores como peculiarmente suas.
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Essa dificuldade levou o crítico Ueberweg, que em geral aceita o cânone autorizado dos escritos platônicos, a condenar o Parmênides como espúrio, posição que a ausência acidental de evidências externas parece à primeira vista favorecer.
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Em resposta, pode-se dizer que nenhum escrito antigo de igual extensão e excelência é conhecido como espúrio; há dúvida sobre se o uso dos mesmos argumentos por Aristóteles não implica que ele conhecia a obra; e condenar o Parmênides como espúrio levaria, como o próprio Ueberweg admite, a condenar igualmente o Teeteto e o Sofista, e portanto o Político.
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A objeção à autenticidade do Parmênides repousa na suposição de que a doutrina das Ideias foi mantida por Platão ao longo de toda a sua vida na mesma forma, o que não corresponde à verdade.
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As Ideias platônicas estavam em constante processo de crescimento e transmutação: ora veladas em poesia e mitologia, ora emergindo como Ideias fixas; em algumas passagens absolutas e eternas, em outras relativas à mente humana, existindo nos objetos externos e ao mesmo tempo transcendendo-os.
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A anamnese das Ideias é insistida principalmente nas partes míticas dos diálogos, ocupando espaço muito reduzido no conjunto da obra de Platão.
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A forma estereotipada que Aristóteles lhes deu não se encontra em Platão.
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Platão é inteiramente sério em suas objeções às próprias doutrinas, e Sócrates não oferece nenhuma resposta a elas.
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As perplexidades que envolvem o uno e o múltiplo na esfera das Ideias são também aludidas no Filebo, igualmente sem resposta.
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Tais perplexidades nunca foram respondidas, nem podem ser respondidas por quem quer que separe o fenomênico do real.
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Supor que Platão, em período tardio de sua vida, teria alcançado um ponto de vista capaz de respondê-las é suposição infundada.
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O progresso real do pensamento de Platão foi parcialmente obscurecido pelas afirmações dogmáticas de Aristóteles e pela degeneração de seus próprios seguidores, entre os quais uma doutrina dos números rapidamente suplantou as Ideias.
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