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| + | ===== Fundo filosófico e religioso das Enéadas ===== | ||
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| + | * Platonismo Médio como Tradição Imediata e Fundação Doutrinária | ||
| + | * Ressurgimento do ensino filosófico positivo na Academia com Antíoco de Ascalão (século I a.C.), superando o ceticismo da Nova Academia. | ||
| + | * Desenvolvimento, | ||
| + | * Caráter erudito e livresco desta filosofia, com ênfase crescente no comentário aos textos de Platão e Aristóteles e na doxografia. | ||
| + | * Postura eclética seletiva: permanência do núcleo platônico com incorporação crítica de elementos estóicos e, sobretudo, aristotélicos. | ||
| + | * Figuras representativas de uma ampla gama intelectual: | ||
| + | * Plutarco: cultura ampla e personalidade atrativa, porém sem profunda originalidade filosófica. | ||
| + | * Albino: filósofo profissional típico, contribuinte sólido para a construção doutrinária. | ||
| + | * Apuleio e Máximo de Tiro: representantes de uma pseudo-filosofia popular e retórica. | ||
| + | * Difusão das ideias em níveis intelectuais inferiores: gnósticos, hermetistas, | ||
| + | * Filo de Alexandria: tentativa pioneira de interpretar as escrituras judaicas através de conceitos do platonismo médio, ainda que de forma inconsistente. | ||
| + | * Neopitagorismo como movimento difícil de distinguir do platonismo médio, formando com este um grupo intelectual único. Numênio como figura de transição (pitagorizante-platônico). | ||
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| + | * Principais Tendências Doutrinárias do Platonismo Médio | ||
| + | * Primeiro Princípio: Deus-Mente (//Nous//) transcendente. | ||
| + | * Início da teologia negativa (descrição por negações). | ||
| + | * Em certos neopitagóricos, | ||
| + | * Lugar das Ideias/ | ||
| + | * Hierarquia de Hipóstases abaixo do Princípio Supremo: | ||
| + | * Por vezes, uma Segunda Mente ou Deus com função cosmogônica ou ordenadora. | ||
| + | * A Alma do Mundo. | ||
| + | * Importância, | ||
| + | * Matéria e Origem do Mal: tendência a soluções dualistas. | ||
| + | * Mal originado em uma Alma má (Plutarco) ou na própria matéria (Numênio). | ||
| + | * Conclusão: A filosofia de Plotino é, em suas linhas essenciais, um desenvolvimento (por vezes ousado e original) da tradição escolar do platonismo médio. | ||
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| + | * Influência e Crítica do Estoicismo em Plotino | ||
| + | * Combate intenso, nos escritos plotinianos, | ||
| + | * Este combate levou Plotino a uma clara compreensão da diferença entre ser espiritual e material. | ||
| + | * Influência positiva do estoicismo em aspectos fundamentais: | ||
| + | * Ênfase na Vida (// | ||
| + | * Visão organicista da realidade: ambos os mundos (espiritual e material) são organismos, unidades-na-diversidade mantidas por uma única vida. | ||
| + | * A libertação do esquema corpóreo estóico permitiu a Plotino originalidade ao desenvolver este senso vitalista, que muito deve ao dinamismo e vitalismo estóicos. | ||
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| + | * Relação com Platão: Fidelidade, Interpretação e Transformação | ||
| + | * Autopercepção plotiniana: sua filosofia não é uma inovação, mas a exposição do sistema platônico verdadeiro, a ser encontrado através da interpretação correta dos Diálogos. | ||
| + | * Diferença fundamental: | ||
| + | * Pontos de genuína concordância com Platão: | ||
| + | * Divisão da realidade em mundo eterno/ | ||
| + | * Esquema de valores e visão da vida humana decorrentes dessa divisão. | ||
| + | * Convicção de que o mundo sensível é bom, ordenado e tem realidade própria. | ||
| + | * A alma tem um trabalho a fazer no mundo, embora não seja sua verdadeira morada. | ||
| + | * Natureza e destino da alma humana são essencialmente platônicos (com a crucial exceção da união mística final). | ||
| + | * Doutrinas como desenvolvimentos genuínos de ideias platônicas: | ||
| + | * Princípio transcendente do Mundo das Ideias. | ||
| + | * Distinção nítida entre Nous (Inteligência) e Alma. | ||
| + | * Transformações radicais do platonismo, com origem em outras fontes: | ||
| + | * Colocação das Ideias na Mente Divina. | ||
| + | * Ênfase na vida e visão organicista da realidade. | ||
| + | * Doutrina das Ideias dos Indivíduos. | ||
| + | * Doutrina da Infinitude Divina. | ||
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| + | * Relação com Aristóteles: | ||
| + | * Atitude mais independente e crítica que em relação a Platão. Reconhece divergências e considera Aristóteles equivocado quando diverge. | ||
| + | * Compreensão mais precisa do pensamento aristotélico real, favorecida pelos comentaristas peripatéticos (ex: Alexandre de Afrodísias), | ||
| + | * Aristotelismo como filosofia de comentário, | ||
| + | * Apropriação significativa da metafísica e psicologia aristotélicas por Plotino. | ||
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| + | * O Enigma de Amônio Sacas e sua Influência | ||
| + | * Questão central e provavelmente insolúvel: qual o conteúdo do ensino de Amônio Sacas, mestre de Plotino? | ||
| + | * Escassez de informações (Amônio não escreveu, relatos como o de Hierocles são de autenticidade duvidosa). | ||
| + | * Possíveis elementos de seu ensino, conforme tradição indireta: | ||
| + | * Concordância fundamental entre Platão e Aristóteles. | ||
| + | * Doutrina sobre a alma e sua relação com o corpo semelhante à de Plotino (segundo Nemésio). | ||
| + | * Possível defesa de uma criação do universo a partir do nada (doutrina judaico-cristã, | ||
| + | * Se correta a última hipótese, implicaria que a distinção entre Uno e Nous seria uma invenção original de Plotino, não derivada de Amônio. | ||
| + | * Conclusão prudente: quase nada se sabe ao certo, impossibilitando avaliar a originalidade exata de Plotino frente a seu mestre. Longino, contemporâneo, | ||
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| + | * Relação com as Religiões Contemporâneas: | ||
| + | * Cultos públicos oficiais: pouco significado para Plotino, usado apenas como fonte para interpretações alegóricas dos mitos. | ||
| + | * Religiões de Mistério: | ||
| + | * Não contribuíram com ideias doutrinárias, | ||
| + | * Emprestou-lhes apenas simbolismo decorativo (ex: linguagem da luz, embora este seja um símbolo universal da época). | ||
| + | * Cristianismo Ortodoxo: | ||
| + | * Nenhuma evidência de contato direto ou influência consciente por parte de Plotino. | ||
| + | * Incompatibilidades fundamentais entre seu sistema e o cristianismo, | ||
| + | * O valor encontrado nele por pensadores cristãos (de Agostinho em diante) decorre de ressonâncias parciais, não de identidade. | ||
| + | * Gnosticismo (ataque explícito em En. II, 9): | ||
| + | * Rejeição veemente por considerá-lo irracional, inconsistente, | ||
| + | * Oposição radical na visão do cosmos: | ||
| + | * Gnóstico: mundo visível é prisão má, resultado de uma queda, a ser rejeitado e escapado via //gnosis// secreta. | ||
| + | * Plotiniano (fiel a Platão): mundo visível é bom, imagem material da beleza inteligível, | ||
| + | * Similaridades linguísticas e conceituais (ex: matéria como escuridão/ | ||
| + | * Conclusão Sintética do Contexto (segundo G. Quispel): a Antiguidade Tardia é uma terra de três rios distintos — Gnose, Neoplatonismo e Cristianismo — com interconexões, | ||
