| A partir desse momento, todo esforço de Platão vai concentrar-se na arte de captar as regras de mistos ou misturas. Esforço singularmente diverso, que vai de exercícios escolares de divisão até a majestosa síntese do Timeu, e leva, além disso, a dar as diretivas e a favorecer o "elã" do pensamento, mais do que criar uma doutrina. No Fedro (265 d), ele definira a dialética por dois movimentos sucessivos; de princípio, "veem-se as coisas dispersas em uma só ideia; depois, por um movimento inverso, dividem-se, ideia por ideia, de acordo com as articulações naturais". É de ressaltar que a análise ou divisão segue aqui a síntese, e que esta, longe de ser o termo e de seguir a análise, é, ao contrário, destinada a servir de ponto de partida da divisão, e, por isso, essencial à dialética. Os exercícios de divisão que se encontram no começo do Político (258 c- 267 c) e do Sofista (218 d-231 c) mostram, sem reservas, como Platão ensinava a prática da dialética pelos alunos da Academia. A divisão é ali apresentada como processo que serve para determinar, cada vez com maior precisão, um conceito, e conduz, em suma, a uma definição; por exemplo: a política é uma ciência, mas as ciências se dividem em ciências que têm por finalidade o conhecimento e ciências que visam à prática. A política enquadra-se no primeiro caso; as ciências do conhecimento dividem-se, por sua vez, em ciências que prescrevem e ciências que julgam. A política está entre as primeiras, e, assim, de divisão em divisão, chega-se a determinar, cada vez mais, o conceito. E claro que a divisão platônica não é um processo simplesmente mecânico, sem o que não escaparia à crítica de Aristóteles, segundo o qual é inteiramente arbitrário situar o termo sobre o qual incide a investigação em um membro da divisão e não no outro (Primeiros Analíticos, I, 31). Não é, com efeito, processo lógico, mas a intuição pode orientar nesse caso. Ademais, se é uma regra quase geral que a divisão deva ser binária, a regra para verificar essa divisão é pouco clara e suscita grandes dificuldades técnicas que Platão conhecia muito bem, mas que não conseguiu resolver. Uma das mais incisivas é saber como distinguir as divisões arbitrárias, tais como a do homem em gregos e bárbaros; divisões legítimas, como a existente entre macho e fêmea. No primeiro grupo (gregos), está apenas determinado, e no segundo não está senão por exclusão do primeiro. No segundo, temos duas características opostas, igualmente positivas (262 e; 263 b). | A partir desse momento, todo esforço de Platão vai concentrar-se na arte de captar as regras de mistos ou misturas. Esforço singularmente diverso, que vai de exercícios escolares de divisão até a majestosa síntese do Timeu, e leva, além disso, a dar as diretivas e a favorecer o "elã" do pensamento, mais do que criar uma doutrina. No Fedro (265 d), ele definira a dialética por dois movimentos sucessivos; de princípio, "veem-se as coisas dispersas em uma só ideia; depois, por um movimento inverso, dividem-se, ideia por ideia, de acordo com as articulações naturais". É de ressaltar que a análise ou divisão segue aqui a síntese, e que esta, longe de ser o termo e de seguir a análise, é, ao contrário, destinada a servir de ponto de partida da divisão, e, por isso, essencial à dialética. Os exercícios de divisão que se encontram no começo do Político (258 c- 267 c) e do Sofista (218 d-231 c) mostram, sem reservas, como Platão ensinava a prática da dialética pelos alunos da Academia. A divisão é ali apresentada como processo que serve para determinar, cada vez com maior precisão, um conceito, e conduz, em suma, a uma definição; por exemplo: a política é uma ciência, mas as ciências se dividem em ciências que têm por finalidade o conhecimento e ciências que visam à prática. A política enquadra-se no primeiro caso; as ciências do conhecimento dividem-se, por sua vez, em ciências que prescrevem e ciências que julgam. A política está entre as primeiras, e, assim, de divisão em divisão, chega-se a determinar, cada vez mais, o conceito. E claro que a divisão platônica não é um processo simplesmente mecânico, sem o que não escaparia à crítica de Aristóteles, segundo o qual é inteiramente arbitrário situar o termo sobre o qual incide a investigação em um membro da divisão e não no outro (Primeiros Analíticos, I, 31). Não é, com efeito, processo lógico, mas a intuição pode orientar nesse caso. Ademais, se é uma regra quase geral que a divisão deva ser binária, a regra para verificar essa divisão é pouco clara e suscita grandes dificuldades técnicas que Platão conhecia muito bem, mas que não conseguiu resolver. Uma das mais incisivas é saber como distinguir as divisões arbitrárias, tais como a do homem em gregos e bárbaros; divisões legítimas, como a existente entre macho e fêmea. No primeiro grupo (gregos), está apenas determinado, e no segundo não está senão por exclusão do primeiro. No segundo, temos duas características opostas, igualmente positivas (262 e; 263 b). |