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| | ===== Corpo e Alma ===== |
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| | BRISSON & PRADEAU (2002) |
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| | Para Brisson & Pradeau, há uma definição platônica do corpo como instrumento (organon) da alma. Esta definição remonta a Demócrito. Ela é retomada por Platão no Primeiro Alcibíades, mas também adotada por Aristóteles (Ética a Nicômaco VIII, 13), o que lhe confere uma autoridade suficientemente estendida para que Plotino não impute nomeada e exclusivamente a Platão. |
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| | O corpo é para Plotino o resultado de uma informação parcial da matéria. É uma razão (logoi) proveniente da alma que é a causa da existência do corpo. Vide Enéada II, 4, 5. (Brisson & Pradeau (2002, p.128)) |
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| | Segundo Brisson & Pradeau (2002, pg. 128), de maneira muito alusiva, é a definição da alma por Epicuro combatida por Plotino. Epicuro diz que a alma "é um corpo composto de finas partes"; tão finas que, repartidas no conjunto do agregado que é o resto do corpo, elas estão em simpatia com ele (Carta a Heródoto, Diógene Laércio X, 63-68). Uma doutrina similar foi atribuída a Demócrito, do qual Epicuro é dado por herdeiro. |
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| | A alma dá ao corpo as qualidades necessárias à constituição do conjunto do mundo e dos viventes. A alma informa o corpo de tal sorte que ele tenha estas qualidades. Esta alma é a alma do mundo, que se denomina "natureza", como aí retorna longamente o Tratado-30. (Brisson & Pradeau (2002, p.131)) |
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| | Em Enéada IV, 7, 3, Plotino se opõe à definição da alma por Epicuro, "um corpo composto de finas partes"; tão finas que, repartidas no conjunto do agregado que é o resto do corpo, elas estão em simpatia com o corpo. Uma doutrina similar foi atribuída a Demócrito, de quem Epicuro seria herdeiro. Neste Tratado 2, Plotino enfrenta também a definição de alma do estoicismo, que embora materialista lhe parece ao mesmo tempo mais sutil e mais difícil de refutar. |
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| | Contestando que a alma seja um corpo, Plotino, segundo O'Meara, deixa entender que um corpo deve ser composto de um ou mais dos quatro elementos: fogo, ar, água e terra. Ou um composto destes mesmos elementos. Porém estes elementos são sem vida, e coisas compostas destes elementos dependem de algo, uma causa que os ponha juntos. Assim este algo mais é o que significa a alma. Por conseguinte a alma não pode ser corpo, seja como um elemento ou como uma combinação de elementos Enéada IV, 7, 2. |
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| | Ainda segundo O'Meara (1995, p. 17), os estoicos falavam de uma força corpórea, uma espécie de espírito ou sopro cósmico doador de vida, que penetra e organiza uma matéria puramente passiva, criando níveis cada vez mais complexos de realidade material culminando em racionalidade. Plotino, entretanto, assume sua própria concepção do corpo: incapaz de auto-movimento e de auto-organização; sem poder de criar funções superiores, em particular orgânicas. Estas funções devem ser produzidas por algo diferente, que portanto não pode ser um corpo. |
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