autores:brun:morte-de-socrates
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| + | ===== Morte de Sócrates ===== | ||
| + | ==== A morte de Sócrates, segundo Jean Brun ==== | ||
| + | Repetidas vezes se quis fazer de Platão o primeiro filósofo ocidental para quem sabedoria era sinônimo de conhecimento. Para um Nietzsche uma tal atitude consagraria a perda definitiva da grandeza dessa visão trágica do mundo que se encontrava nos primeiros filósofos gregos; para um L. Brunschvicg, | ||
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| + | A morte de Sócrates é um escândalo e um crime cometido pela Cidade, mas como é que o Mal se sobrepôs ao Bem, a Mentira à Verdade e a Injustiça à Justiça? Sócrates tinha levado uma vida exemplar, defendendo a sua cidade quando esta se encontrava em perigo e esforçando-se por fazer refletir os Atenienses de modo a torná-los melhores; no entanto, Sócrates, que nas suas conversas dialogadas desmontava com a sua maiêutica e a sua ironia os argumentos especiosos dos sofistas, foi vencido por advogados odiosos e sem talento. Ao ensinar a virtude e ao dar o exemplo, Sócrates atraiu a inimizade e a calúnia de acusadores que o denunciam como ímpio e corruptor da juventude; como pôde a cidade de Atenas ser a tal ponto ingrata com um dos seus melhores cidadãos, como podem ter sido os discursos falsos mais persuasivos que os verdadeiros? | ||
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| + | Deste modo, se podemos dizer com Nietzsche que os predecessores de Platão eram antes de tudo pensadores trágicos que meditavam sobre a condição do homem perante a Natureza e o Destino, não é menos verdadeiro afirmar que Platão refletiu sobre um outro aspecto trágico da condição humana: aquele que lhe foi revelado pela condenação à morte de Sócrates e que provém da injustiça da Cidade. Se existe uma tragédia do homem no mundo, tragédia que mais de um poeta e mais de um mito nos contam, também existe uma tragédia do homem na Cidade, mas esta não é apenas um drama vivido, deve ser também um drama denunciado. Foi a essa tarefa que Platão dedicou a sua vida. | ||
