autores:crouzel:providencia
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| + | ===== Providência ===== | ||
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| + | //CROUZEL, Henri. Origène et Plotin: comparaisons doctrinales. Paris: P. Téqui, 1992.// | ||
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| + | * Identificação e Origem do Movimento Cósmico | ||
| + | * A Providência, | ||
| + | * Rejeição da visão gnóstica: é ímpio afirmar que a Providência não penetra no mundo sensível, ocupando-se apenas dos gnósticos. | ||
| + | * Afirmação da presença providencial: | ||
| + | * A Providência ocupa-se do **todo** mais que das partes. | ||
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| + | * Contexto Textual e Unidade Doutrinal | ||
| + | * Tratados 47 e 48 (III, 2 e III, 3) formam originalmente um só tratado, dividido por Porfírio sob título **Sobre a Providência**. | ||
| + | * Rejeição do acaso como explicação para existência do universo, ainda que seu governo providencial apresente dificuldades. | ||
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| + | * Natureza da Providência Plotiniana | ||
| + | * A Providência não é uma entidade que reflete antes de agir, nem criou um mundo que antes não existia mediante previsão e raciocínio. | ||
| + | * O mundo existe desde sempre e para sempre (eternidade do cosmos). | ||
| + | * A Providência do mundo consiste no fato de ele **decorrer da Inteligência** (Nous). | ||
| + | * Relação temporal: a Inteligência é anterior não cronologicamente, | ||
| + | * A Inteligência, | ||
| + | * Conclusão: a noção de Providência aplica-se apenas indiretamente ao Uno, somente como origem primeira de tudo. | ||
| + | * A Providência é obra da Inteligência, | ||
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| + | * Geração do Mundo Sensível e Governo | ||
| + | * O mundo sensível tira sua existência do mundo inteligível. | ||
| + | * Não nasce de um raciocínio, | ||
| + | * A Inteligência não age como um artífice (demiurgo). | ||
| + | * O universo sensível não é intelecção e razão como o inteligível, | ||
| + | * A Alma do Mundo preside à mistura de matéria e razões (lógoi) que constitui o mundo sensível, governando-o com extrema facilidade, por sua **presença**. | ||
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| + | * Beleza e Otimismo Cósmico | ||
| + | * O mundo é belo se olharmos para os conjuntos, sem atribuir importância excessiva às partes. | ||
| + | * Desenvolvimento de uma visão otimista do mundo, apesar das lutas na natureza e das injustiças humanas. | ||
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| + | * Estatuto das Almas e Responsabilidade | ||
| + | * As almas não dependem da geração: existem sempre, antes e depois de suas encarnações. | ||
| + | * As almas são felizes ou infelizes por sua própria culpa. | ||
| + | * Tudo é recuperado na grande ordem da natureza; o mal também tem sua utilidade. | ||
| + | * Objeção providencial: | ||
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| + | * Limitações Humanas e Livre-Arbítrio | ||
| + | * O homem não pode ter felicidade infalível por ser um ser misto e não absolutamente semelhante a seu arquétipo no inteligível. | ||
| + | * Não se deve acusar a Providência pela maldade humana: as almas têm movimentos próprios, pelos quais a Providência não é responsável. | ||
| + | * A Providência estende-se até a Terra: animais e plantas participam da razão, da alma e da vida. | ||
| + | * O homem situa-se entre deuses e bestas; não é o ser mais precioso do universo. | ||
| + | * Os homens são bons, maus ou intermediários. | ||
| + | * Se alguns dominam e outros são dominados, é porque os primeiros se exercitaram e os segundos não. | ||
| + | * São as armas e a coragem, não as preces, que vencem a guerra; os frutos vêm do trabalho, não da súplica. | ||
| + | * Os maus comandam devido à covardia dos governados. | ||
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| + | * Interação entre Providência e Autonomia Humana | ||
| + | * A Providência não é tudo sozinha; o homem também é algo que o divino não suprime. | ||
| + | * A Providência promete recompensas ou castigos em vida futura, pois o homem é responsável por si e por seu destino. | ||
| + | * Até o pecado involuntário é feito pelo homem. | ||
| + | * A influência dos astros sobre os homens não tem força tal que nada esteja em nosso poder (eph' | ||
| + | * O homem tende ao bem por sua natureza própria, e o princípio de sua ação é o livre-arbítrio (autexoúsion). | ||
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| + | * Diversidade, | ||
| + | * A Razão (lógos) universal não quer que tudo seja bom; como um artista, introduz diversidade. | ||
| + | * Não fez apenas deuses, mas também demônios, homens e animais, pois contém em si uma diversidade inteligível. | ||
| + | * Um drama só é completo com papéis inferiores. | ||
| + | * A Razão não é feita de coisas todas semelhantes; | ||
| + | * É preciso ver não só o presente, mas o passado e o futuro, e as condições mutáveis dos homens (mestres que viram escravos, ricos que viram pobres) devido ao mal uso de condições anteriores (contexto de metempsicose). | ||
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| + | * Ordem Universal e Necessidade do Mal | ||
| + | * As diversas condições humanas não vêm do acaso; tudo é ordenado, e essa ordem providencial estende-se a animais e plantas. | ||
| + | * O divino age sempre conforme sua natureza, que traz em si o belo e o justo. | ||
| + | * A ordem do mundo não vem de um raciocínio, | ||
| + | * É loucura acusar a Razão devido às diferenças entre os seres do mundo sensível. | ||
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| + | * Matéria, Morte e a Analogia Teatral | ||
| + | * Questão: a matéria é causa do estado de luta no mundo, ou foi assim feita por culpa da Razão? | ||
| + | * A morte é necessária para que outros vivam; não é terrível, nem a pobreza. | ||
| + | * A vida é comparada a uma peça de teatro; o homem que só sabe viver a vida inferior é um ator, ou melhor, um brinquedo. | ||
| + | * Onde estão, então, a maldade e o pecado? Toda vida é ato, um movimento não casual, um ato artístico como o do dançarino. | ||
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| + | * Guerra, Harmonia e Função do Mal na Beleza Universal | ||
| + | * É fazendo deficientes as partes do universo que esta Razão gera a guerra, pois a unidade estabelecida pela Razão passa pela constituição de contrários. | ||
| + | * Existe uma harmonia dos contrários. | ||
| + | * Os maus não o são por si mesmos, mas são atores; o autor do drama dá a cada um o papel que escolheu. | ||
| + | * A Alma do Mundo harmoniza os diferentes destinos que lhe vêm segundo a Razão e, tendo-os harmonizado, | ||
| + | * O mal deve ser situado em função da própria beleza do universo: é o que é contra a natureza, concebido no quadro da natureza; é necessário como o carrasco na cidade. | ||
| + | * A coexistência do bem e do mal é necessária; | ||
| + | * Privaríamos a Razão das boas ações se lhe tirássemos as más, pois estas são necessárias à existência das primeiras. | ||
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