autores:ferreira-dos-santos:platao
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| + | ====== Platão ====== | ||
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| + | ==== Platão (428-347 a. C.) ==== | ||
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| + | Foi discípulo de Sócrates, o qual aparece como principal interlocutor em quase todas as suas obras dialogais. | ||
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| + | Após a morte de Sócrates, viajou pelo Egito, Cirene, a Grande Grécia, entrando em contato com as filosofias egípcias, a pitagórica e a eleática. Em 387, fundou em Atenas, perto do ginásio de Academos, sua escola (Academia), dedicando-se daí em diante, ao ensino e à composição de suas obras. Antes de Sócrates, teve por mestre Crátilo, que seguia a doutrina de Heráclito, exagerando-a. Quando Heráclito disse que não nos podemos banhar duas vezes no mesmo rio, Crátilo afirmou que, por ser tão rápido e contínuo o câmbio, não podíamos fazê-lo nem uma só vez. Negava ainda Crátilo que as palavras, sempre estáveis, pudessem expressar as coisas em sua instabilidade, | ||
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| + | Foi daí que Pitagoras - PITÁGORAS deduziu sua teoria do ser. É aparência ilusória o que corresponde à falaz opinião sensível (fenômenos), | ||
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| + | Mas transpareciam novos problemas para Platão. Como podemos reconhecer o que ignoramos? Estabelecia, | ||
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| + | São as idéias os arquétipos (tipos primeiros), que servem de modelo ao criador (demiurgo) para formar as coisas, e estas não passam de meras imitações daquelas. | ||
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| + | Mas nasceram novas interrogações. Todos os objetos ou fatos, de qualquer espécie, possuíam seus arquétipos? | ||
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| + | Platão não respondeu categoricamente. A multiplicidade das idéias criava o problema das conexões e relações recíprocas, | ||
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| + | Platão afirmava que as idéias eram vivas e não inertes e rígidas, como pensavam tantos. Havia entre elas comunhão ou união recíproca. | ||
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| + | Mas havia idéias incompatíveis umas com as outras (as opostas), mas a outras cabia-lhes o papel de enlace, de encadear, como a idéia do ser, do um, do todo. | ||
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| + | Caberia à dialética, como ciência das idéias, distinguir quais as que concordam e quais as que excluem, bem como quais as que unem e as que dividem, bem como classificá-las. | ||
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| + | Cinco eram as idéias mais importantes para Pitagoras - PITÁGORAS: ser, repouso e movimento, idêntico e distinto. É a idéia do Bem a suprema entre todas, a que sobre todas esparge sua luz e seu calor, a que empresta verdade ao conhecido e capacidade intelectiva ao cognoscente. Para Pitagoras - PITÁGORAS, era o Bem o que constituía a natureza de Deus, criador e ordenador do cosmos, modelado segundo um arquétipo eterno, criado com harmonia e proporção, | ||
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| + | Não pode o bem ser causa do mal. Mas existe o mal. É que existe uma concausa, que se opõe ao bem e resiste-lhe, | ||
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| + | É a matéria o contrário das idéias. É o não-ser, negatividade, | ||
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| + | Comparava Pitagoras - PITÁGORAS os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, com os quatro sólidos geométricos regulares: cubo, icosaedro, octaedro e a pirâmide, que ele decompunha em triângulos. Era marcante a influência do pitagorismo nessas idéias de Pitagoras - PITÁGORAS Mas a matéria oferece resistência às formas, sua ação é desordenada, | ||
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| + | Quanto mais diretas ao criador, mais perfeitas as obras: o cosmos. Era para Pitagoras - PITÁGORAS o homem uma união de corpo e alma. A alma é a essência do soma - corpo e tem a natureza das idéias (simples, invisível, mutável) e, porque contemplou as idéias, tem a capacidade de recordar-se delas; isto é, de conhecimento. É a alma o princípio do movimento e da vida, e é imortal. | ||
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| + | Mas a alma tem três faculdades: alma racional (alma-cabeça), | ||
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| + | O bem divino, idêntico ao belo e ao verdadeiro, é a espiritualidade. A alma, prisioneira do corpo, deseja libertar-se. E a libertação não se faz com o suicídio, mas com a purificação e a elevação contínua a uma espiritualidade divina. É o amor a aspiração à espiritualidade pura. Mas, o mundo sensível é o reflexo do esplendor das idéias e o caminho para a contemplação dos estágios mais altos da beleza espiritual pura; e é com o esforço constante da vontade que permite a conquista dessa purificação das paixões, que é a virtude. Para cada parte da alma, há uma virtude: a racional possui a sabedoria, a passional a coragem, a fortaleza; a apetitiva, a temperança. | ||
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| + | Mas essas três virtudes precisam ser harmônicas e subordinadas. Portanto, a uma mais elevada, que é a justiça, a virtude por excelência, | ||
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| + | Assim cabe ao Estado a função punitiva, de caráter ético e de elevação moral. Cabe ao Estado fornecer o maior bem aos cidadãos, aos homens, não propriamente comodidades e gozos, porque estimulam a avidez, a in-temperança e a injustiça, mas de bens espirituais em primeira plana. Para isso, deve o Estado ter a mesma ordem hierárquica que existe na alma individual. | ||
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| + | Em sua famosa República, estabelece Pitagoras - PITÁGORAS o regime para ele ideal. | ||
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| + | A educação deve ser dada não à classe oprimida, mas à classe dos superiores. Deve eliminar-se todo interesse e vínculo particulares (propriedade privada, família, etc), que possa entrar em conflito com as exigências do bem comum. Homens, mulheres, crianças e bens devem pertencer ao Estado. A educação deve ser dirigida por este. A educação será comum aos dois sexos, com música e ginástica, para formar indivíduos fortes, capazes de defender à pátria, libertos de toda passividade ou pieguice na poesia, como em qualquer outra arte. Os indivíduos devem ser selecionados, | ||
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| + | É a tirania o extremo da desordem e da degradação do Estado, porque o tirano suspeita da fidelidade de seus sequazes. É injusto, porque teme. É o tirano o cúmulo da injustiça e, conseqüentemente, | ||
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| + | Mas Platão, no seu livro "As Leis", estabelece concessões, | ||
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| + | Reconhece a necessidade da família e da propriedade privada, e o domínio da lei em substituição ao absolutismo dos sábios. | ||
