autores:fraile:ascensao-ao-um
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| + | ===== Ascensão ao Um ===== | ||
| + | 1. Supressão da matéria — No composto humano, a última diferença é a matéria, que constitui o corpo. Por isso, o primeiro passo é libertar a alma do corpo e das sensações (aisthesis). “É preciso deixar a alma sozinha e separada de todas as coisas”. | ||
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| + | É necessária a libertação dos sentidos e de todas as sensações, | ||
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| + | O estado ao qual o homem chega após essa etapa de purificação é a impassibilidade estoica (ataraxia, apatheia). | ||
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| + | O mesmo resultado é alcançado pela prática das virtudes, em um aspecto ético. Plotino distingue entre virtudes políticas (politikai aretai), que moderam a sensibilidade inferior. São as quatro virtudes cardinais platônicas: | ||
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| + | 2. Supressão da forma discursiva (dianoia). — O segundo esforço tem por objetivo o desprendimento de outra “diferença”, | ||
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| + | É de notar que Plotino não estabelece uma diferença essencial entre sensação e razão discursiva (que se reduz à imaginação). Entre ambas há uma continuidade rigorosa. “O que chamamos de sensação, porque se refere aos corpos, é mais obscura do que a sensação que ocorre no inteligível e não é mais clara, a não ser na aparência. Chamamos de sensitivo o homem daqui de baixo, porque ele percebe menos bem e percebe imagens inferiores aos seus modelos; assim, as sensações são pensamentos obscuros (amydrai noeseis) e os pensamentos são sensações claras (enargeis aistheseis). | ||
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| + | Mas a própria sensação já é inteligível em potência. É um ato da alma, embora produzido por ocasião das impressões dos corpos. A razão discursiva, como tal, não transcende o campo da sensação. Compete-lhe apenas “receber as impressões sensíveis e inteligíveis, | ||
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| + | Por isso, é necessário transcender a razão discursiva, renunciando à ciência e aos objetos da ciência. | ||
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| + | **3.º Supressão da forma intelectiva (noûs).** — Uma vez purificada a alma da forma discursiva, prevalece a forma intelectiva e o ato da intuição sobre o raciocínio. Mas com isso ainda não chegamos ao fim, pois a Inteligência contempla as Ideias, mas acima das Ideias está o Um. Para chegar à intuição do Um, é necessário purificar também a Inteligência, | ||
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| + | A essência do homem, como a de todos os seres, é a unidade, que subsiste abaixo de todas as diferenças. É a marca do Um (iknos tou enos). Por isso, para chegar à unidade perfeita, é necessário suprimir todo tipo de diferença, inclusive a própria forma intelectiva. “Não é pelo caminho da ciência nem pelo pensamento que se tem consciência Dele, mas por uma presença melhor que a ciência... Pois Ele não está ausente de ninguém e, no entanto, é de todos; por isso, está presente e não está, mas está para quem é capaz e está pronto para recebê-lo, como para conseguir estar em harmonia e entrar em contato com ele; em contato por semelhança e pelo poder que existe nele, inato àquele que procede Dele, quando se encontra no mesmo estado em que estava quando veio Dele; então Ele pode ser visto, na medida em que é possível por sua natureza”. | ||
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| + | O Um, que é o objeto da contemplação, | ||
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| + | Para chegar a esse estado, é necessário perder a consciência de si mesmo: “Sim, no estado de inconsciência, | ||
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| + | Nesse momento, o pensamento não vê nenhum objeto, mas simplesmente uma luz pura. “Ele vê sem ver nada, e é então que vê acima de tudo. Assim, a inteligência, | ||
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| + | O homem que chega a essas alturas “já não sabe o que é ele”. “Toda a nossa atividade se dirige ao objeto contemplado; | ||
