autores:peters:psyche-neoplatonismo
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| + | ===== Psyche no Neoplatonismo ===== | ||
| + | //PETERS, F. E. Termos filosóficos gregos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1983.// | ||
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| + | 29. A tradição platônica tardia, com a sua teoria altamente desenvolvida da sympatheia, espalhou a sugestão platônica da similaridade da psyche aos eide (ver 18 supra e confrontar metaxu 2) para lhe dar uma posição média fortemente enfática entre os noeta e os aistheta (ver Simplício, In De anima I, 2, p. 30, citando Xenócrates; | ||
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| + | 30. A alma, considerada como uma entidade simples, é uma hypostasis, uma produção do noûs e sua imagem (eikon; Enéadas V, 1, 2), e ao voltar-se para o noûs fica ela própria fecundada e produz, na direção oposta, várias atividades que são reflexo de si própria e cujas expressões são a sensação (aisthesis) e o crescimento (V, 2, 1). A alma, assim, pela própria natureza das coisas, tem uma dupla orientação: | ||
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| + | 31. Mas a alma é mais do que uma hypostasis unitária; o seu afastamento descendente do Uno (hen) fez com que ela se tornasse múltipla, e Plotino vê-se obrigado a explicar com certo pormenor a relação das várias almas que vitalizam os corpos com a hypostasis unitária de que fazem parte (IV, 3, 1-8). Não são, evidentemente, | ||
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| + | 32. A função da alma é, então, vitalizar e governar a matéria (ver Enéadas IV, 8, 3). Como isto se realiza é explicado numa série de metáforas: a alma ilumina a matéria com uma luz que, embora permanecendo no seu ponto de origem (sobre este assunto, ver proodos 3), emite os seus raios para uma escuridão que se aprofunda gradualmente. Ou vitaliza a matéria do mesmo modo que uma rede, inerte fora de água, se espalha e parece tomar vida quando lançada ao mar, sem ao mesmo tempo o afetar (IV, 3, 9). É deste modo que a alma do universo afeta o seu corpo, o kosmos sensível. | ||
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| + | 33. Quanto às almas individuais, | ||
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| + | 34. A alma individual, uma vez «no» corpo (a localização não é, evidentemente, | ||
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| + | 35. Proclo começa o seu tratamento da alma aplicando-lhe a sua familiar doutrina do meio (ver trias). Há três tipos de almas: as divinas (incluindo as almas dos planetas; ver ouranioi e, para a sua influência, | ||
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| + | 36. A perspectiva platônica da alma como substância está ainda em evidência em Proclo onde é descrita (Elem. theol. prop. 188) simultaneamente como vida (zoe) e como coisa vivente (zoon). A sua posição intermédia é afirmada (prop. 190), e, por causa dela, participa tanto da eternidade (aion) em virtude da sua ousia, como do tempo em virtude da sua energeia (prop. 191; ver Plotino, Enéadas IV, 4, 15). A palingenesia é ainda sustentada (prop. 206), mas Proclo nega que a alma possa transmigrar para animais (In Remp. II, 312-313). | ||
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| + | Sobre as faculdades da alma, ver aisthesis, noesis, noûs, orexis; a sua imortalidade, | ||
