platao:varia:alma-movimento
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| + | ===== A Alma, "o movimento capaz de se mover ele mesmo ===== | ||
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| + | O ateniense. — Eis uma nova questão a ser colocada, à qual, mais uma vez, nós mesmos daremos a resposta. Se todas as coisas se confundissem e ficassem imóveis, como a maioria dos nossos sábios ousa afirmar, qual movimento, dentre aqueles de que falamos, deveria necessariamente surgir primeiro? Evidentemente, | ||
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| + | Clinias. — Nada mais verdadeiro. | ||
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| + | O ateniense. — Já que nossa discussão chegou a este ponto, respondamos à seguinte pergunta. | ||
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| + | Clinias. — Qual? | ||
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| + | O ateniense. — Se vemos essa primeira mudança se manifestar em uma coisa feita de terra, água ou fogo, seja separada ou misturada, que caráter diremos que ela realiza? | ||
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| + | Clinias. — Você está me perguntando se diremos que essa coisa vive, uma vez que se move por si mesma? | ||
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| + | O ateniense. — Sim. | ||
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| + | Clinias. — Que ela vive, sem dúvida. | ||
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| + | O ateniense. — E então, para todo ser em que vemos uma alma, não é o mesmo? Não devemos concordar que ele vive? | ||
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| + | Clinias. — Sim. | ||
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| + | O ateniense. — Pare aí, por Zeus! Você não aceitaria conceber, a respeito de qualquer objeto, três coisas? | ||
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| + | Clinias. — O que você quer dizer? | ||
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| + | O ateniense. — Uma é a essência; a outra, a definição da essência; a terceira, o nome. Por outro lado, a respeito de cada ser, duas questões podem ser levantadas. | ||
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| + | Clinias. — Quais são essas duas questões? | ||
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| + | O ateniense. — Às vezes | ||
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| + | Clinias. — O que queremos dizer com isso não é | ||
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| + | algo como isto? | ||
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| + | O ateniense. — Como o quê? | ||
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| + | Clinias. — Certas coisas, e, entre outras coisas, certos números, podem ser divididos em dois: quando é o caso de um número, seu nome é “par” e sua definição “um número que se divide em duas partes iguais”. | ||
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| + | O ateniense. — Sim, é isso que quero dizer. Ora, não é a mesma coisa que expressamos em ambos os casos, quando nos pedem a definição, | ||
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| + | Clinias. — Absolutamente. | ||
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| + | O ateniense. — Qual é, então, a definição daquilo que tem o nome de “alma”? Temos outra a fornecer além daquela de há pouco, “o movimento capaz de se mover a si mesmo”? | ||
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| + | Clinias. — Movimentar-se a si mesmo, essa é, então, você afirma, a definição desse mesmo ser que tem o nome de “alma” em nossa linguagem comum? | ||
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| + | O ateniense. — É exatamente isso que afirmo. Se assim é, lamentamos ainda alguma insuficiência nesta prova, dada por nós, de que a alma é idêntica ao princípio da geração e do movimento e, da mesma forma, dos seus contrários, | ||
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| + | Clinias. — De modo algum; pelo contrário, demonstramos adequadamente que a alma é o mais antigo de todos os seres, uma vez que a demonstramos como princípio do movimento. | ||
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| + | O ateniense. — Não é verdade, então, que o movimento produzido externamente em qualquer ser e que nunca lhe confere o poder de se mover por si mesmo vem em segundo lugar e até mesmo em tantos lugares abaixo quanto se possa imaginar, visto que é uma mudança em um corpo realmente privado de alma? | ||
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| + | Clinias. — É verdade. | ||
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| + | O ateniense. — Absolutamente correto e plenamente real, absolutamente e perfeitamente verdadeiro seria, portanto, essa prioridade de origem que reconhecemos à alma em relação ao corpo, e essa situação secundária e posterior do corpo, uma vez que, por natureza, a alma comanda e o corpo obedece. | ||
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| + | Clinias. — Absolutamente verdadeiro. | ||
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| + | O ateniense. — Ora, lembramo-nos do que havíamos concordado anteriormente, | ||
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| + | Clinias. — Perfeitamente. | ||
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| + | O ateniense. — Costumes, | ||
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| + | Clinias. — Necessariamente. | ||
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| + | O ateniense. — Não devemos, então, necessariamente admitir que a alma é a causa do bem, do mal, do belo, do feio, do justo, do injusto e de todos os opostos, uma vez que afirmamos que ela é a causa de tudo? | ||
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