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| - | ===== UMBERTO ECO – FICINO | + | ===== FICINO (UMBERTO ECO)===== |
| - | *Excertos de Umberto Eco, "Arte e Beleza na Estética Medieval" | + | |
| + | Excertos de Umberto Eco, "Arte e Beleza na Estética Medieval" | ||
| Marcílio Ficino, que traduzirá e comentará tanto os Diálogos de Platão como as Enéadas de Plotino, empreende por ordem de Cosimo de Medici a tradução do Corpus, que ele traduzirá de forma incompleta com o título de Pimander. Ficino - e com ele todo o ambiente humanístico - considera o Corpus documento de uma antiga sabedoria pré-egípcia, | Marcílio Ficino, que traduzirá e comentará tanto os Diálogos de Platão como as Enéadas de Plotino, empreende por ordem de Cosimo de Medici a tradução do Corpus, que ele traduzirá de forma incompleta com o título de Pimander. Ficino - e com ele todo o ambiente humanístico - considera o Corpus documento de uma antiga sabedoria pré-egípcia, | ||
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| Vejamos imediatamente como estas posições impõem a Ficino uma visão estética diferente da escolástica. No trecho que segue (de Sopra lo amore, um comentário ao Simpósio platônico, vv. 2-4), Ficino retoma todos os temas clássicos da estética medieval, mas para contestá-los. | Vejamos imediatamente como estas posições impõem a Ficino uma visão estética diferente da escolástica. No trecho que segue (de Sopra lo amore, um comentário ao Simpósio platônico, vv. 2-4), Ficino retoma todos os temas clássicos da estética medieval, mas para contestá-los. | ||
| - | *Alguns são de opinião que a Beleza é uma certa posição de todos os membros, ou, na verdade, comensuração e proporção com suavidade de cores: opinião que não compartilhamos. Pelo fato de que, estando esta disposição das partes não só nas coisas compostas, nenhuma coisa simples seria bela. Mas nós vemos também as cores, os lumes, uma voz, um fulgor de ouro, a alvura da prata, a Ciência, a Alma, a Mente, e Deus, coisas que muito nos deleitam, como coisas muito belas. Acrescente-se que a proporção inclui todos os membros do corpo composto juntos, de modo que ela não está em nenhum dos membros de per si, mas em todos juntos. Portanto, qualquer dos membros em si não será belo. Mas a proporção de todo o composto nasce também das partes: assim, disto resulta um absurdo, e este é que as coisas que não são por sua natureza formosas dariam à luz a Beleza. | + | Alguns são de opinião que a Beleza é uma certa posição de todos os membros, ou, na verdade, comensuração e proporção com suavidade de cores: opinião que não compartilhamos. Pelo fato de que, estando esta disposição das partes não só nas coisas compostas, nenhuma coisa simples seria bela. Mas nós vemos também as cores, os lumes, uma voz, um fulgor de ouro, a alvura da prata, a Ciência, a Alma, a Mente, e Deus, coisas que muito nos deleitam, como coisas muito belas. Acrescente-se que a proporção inclui todos os membros do corpo composto juntos, de modo que ela não está em nenhum dos membros de per si, mas em todos juntos. Portanto, qualquer dos membros em si não será belo. Mas a proporção de todo o composto nasce também das partes: assim, disto resulta um absurdo, e este é que as coisas que não são por sua natureza formosas dariam à luz a Beleza. |
| (...) A mesma razão nos ensina que não pensemos ser a Beleza suavidade de cores: porque muitas vezes a cor em um velho é mais clara, e em um jovem é maior graça. E nos da mesma idade às vezes acontece que aquele que supera o outro em cor é superado pelo outro em graça e beleza. Que ninguém ouse afirmar ser a formosura uma mistura de figura e cor: porque assim as ciências e as vozes às quais faltam cor e figura, e ainda as cores e os lumes, que não têm determinada figura, não seriam dignos de Amor. | (...) A mesma razão nos ensina que não pensemos ser a Beleza suavidade de cores: porque muitas vezes a cor em um velho é mais clara, e em um jovem é maior graça. E nos da mesma idade às vezes acontece que aquele que supera o outro em cor é superado pelo outro em graça e beleza. Que ninguém ouse afirmar ser a formosura uma mistura de figura e cor: porque assim as ciências e as vozes às quais faltam cor e figura, e ainda as cores e os lumes, que não têm determinada figura, não seriam dignos de Amor. | ||
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| (...) A divina Potência supereminente, | (...) A divina Potência supereminente, | ||
| - | (...) E nós não duvidamos ser esta beleza incorpórea: | + | (...) E nós não duvidamos ser esta beleza incorpórea: |
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