====== Mumificação filosófica dentro do túmulo cósmico ====== * Transmutação do corpo mortal em sah divino e a recuperação do eidos * Compreensão do túmulo como templo de Osíris, onde a múmia (//sah//) funciona como símbolo do //eidos// restaurado * Definição da mumificação como transmutação ritual do mortal no eterno, e não mera conservação física * Identificação dos membros do corpo com divindades específicas (//neteru//), asseverando a deificação integral do ser * Reunião dos //membra disiecta// osirianos através do poder vinculativo de símbolos análogos aos //sunthemata// neoplatônicos * O poder transfigurador das medu neter e a realização do akh * Uso da linguagem divina (hieróglifos animados) para transformar o iniciado em um espírito de luz (//akh//) * Prática da recitação rítmica e interpretativa como meio de construção da identidade divina unitária * Função da recordação (//anamnesis//): "Eu recordo o que esqueci" como fundamento para o despertar no além-mundo * O conceito de //sakhu//: transformações espirituais produzidas por liturgias que demonstram o poder da inteligência solar * A teurgia como drama entre deuses e a criação da presença divina * Natureza das ações cúlticas como execução de um drama no mundo divino, transcendendo a comunicação homem-deus * O sacerdote como porta-voz de um deus para outro, manifestando o poder performativo de criar presença divina * Dependência mútua entre filosofia e prática: o túmulo é construído pela virtude e pela realização da verdade (//maat//) * Atividades de descenso e ascenso da alma (//ba//) vistas como //energeiai// do Uno operando através da pluralidade dos deuses * Complexidade da constituição humana: entre o coração, o nome e a sombra * Crítica à simplificação da dicotomia alma-corpo frente ao espectro complexo de //ka//, //ba//, //akh//, //khat// e //sah// * O coração (//ib//) como centro da inteligência e o nome (//ren//) como essência reveladora da natureza verdadeira * Simbolismo da sombra (//shuyt//) como emanação da divindade e reflexo do poder da luz encarnado no objeto * Interação constante entre Osíris (receptáculo/corpo) e Ra (eidos/luz) como motor da vida cósmica e união dos membros divinos * A alma como agalma multiforme e a imersão do corpo na anima mundi * Definição de Olympiodorus: a alma como imagem sagrada que possui os princípios de tudo o que existe (//panton ton onton//) * Capacidade da alma de ser despertada por coisas sensíveis para realizar sua essência absoluta e recuperar seus princípios internos * Imersão do universo físico no domínio da //anima mundi// (ou //Psuche// divina), imagem ativa do //Nous// * Redução do "corpo" puramente material à indeterminação total quando desprovido de alma e //energeia// * Localização de todos os corpos dentro do Duat cósmico, no interior do corpo divino de Nut ou Osíris