===== TRATADO 26 (III, 6) - SOBRE A IMPASSIBILIDADE DOS INCORPORAIS ===== //[[end3>6:|Enéada III,6]]// //BP// **Impassibilidade da alma** * O capítulo 1 examina se as sensações são afecções ou atividades, se as afecções pressupõem o corpo e os juízos a alma, se o juízo é uma espécie de impressão e se o vício e as "paixões da alma" modificam a alma. * O vício e as paixões só modificam a alma se ela for um corpo; se for uma realidade sem grandeza, será dita passiva apenas por analogia com o mundo dos corpos. * O capítulo 2 examina se o vício é uma alteração da alma, discutindo se a virtude é uma harmonia e comparando a alma a um coro de dançarinos. * Cada parte deve ter sua virtude própria; a virtude é a atualização de cada parte da alma em conformidade com o ato do Intelecto; recusa do modelo da cera e do sinete. * No vício e na virtude não há nenhuma adição que faria padecer e alteraria a alma. * O capítulo 3 discute as paixões perguntando qual é a parte do corpo e qual é a da alma: o que é alterado é o composto que é o vivente corporal. * Exame de três paixões particulares: vergonha, prazer e desejo; a realidade da alma é inalterável. * O capítulo 4 examina o que é a potência passiva (pathetikon): nem todas as paixões vêm de uma opinião, mas se acompanham de opinião. * Análise do medo e de suas manifestações corporais; a potência vegetativa onde se enraíza o desejo é uma forma impassível; comparação entre o rapport da alma ao corpo e o da harmonia às cordas de um instrumento musical. * O capítulo 5 examina impassibilidade e purificação: se a alma é intrinsecamente impassível, por que a filosofia propõe uma purificação? * São as "imagens mentais" que é preciso erradicar para assegurar a saúde da alma; a purificação consiste em purificar a alma das opiniões e orientá-la para o alto; a separação consiste ainda em purificar o modo de vida da alma; aparição da noção de "veículo da alma". **Impassibilidade da matéria** * O capítulo 6 refuta a tese estoica segundo a qual o ser é corporal: é preciso refutar o senso comum e os estoicos que se enganam sobre a natureza do ser. * O ser real é a totalidade à qual nada falta; ele vive e pensa; toda adição seria para ele a adjunção de um não-ser; a vida e o intelecto não podem depender do que é inferior ao ser; o ser não é portanto um corpo. * Perante a objeção materialista de que a terra e as montanhas existem, Plotino responde que o que é pesado não pode se levantar, que a queda dos corpos é sinal de fraqueza, e que queda, peso e choques dependem de uma lógica de fraqueza e em última análise do não-ser; o verdadeiro despertar é deixar o corpo. * O capítulo 7 mostra que a matéria não é um corpo, mas o "verdadeiramente não-ser": a matéria é verdadeiramente não-ser, não tem vida, razão nem forma; tudo nela é aparência; comparação com um espelho, tudo o que está "nela" não está verdadeiramente; os reflexos na matéria dependem do ser; as imagens não agem sobre a matéria, que é totalmente impassível. * O capítulo 8 dialoga com Aristóteles: uma realidade só padece de seu contrário; a afecção supõe a contrariedade no interior de um gênero; indestrutível, a matéria é também inalterável; as qualidades sensíveis se afetam mutuamente, mas a questão da presença das qualidades "na" matéria permanece a precisar. * O capítulo 9 continua a discussão com o tratado Sobre a geração e a corrupção de Aristóteles: "estar presente a" e "estar em" são expressões polissêmicas; exemplos da impassibilidade da cera, da luz, de uma pedra e de uma superfície colorada; a alteração acompanhada de paixão supõe uma relação de contrariedade no interior de um gênero; a matéria é isolada, posta à parte, impassível, comparada a lutadores numa casa; a matéria é mais impassível do que as qualidades heterogêneas. * O capítulo 10 mostra que a matéria não sofre alteração: a paixão implica a alteração; ao ser qualificada, a matéria não seria mais um receptáculo indeterminado para as qualidades e perderia sua identidade; toda a realidade da matéria é ser matéria, ela não pode ser alterada. * O capítulo 11 examina em que sentido a matéria, sendo má, participa do bem: as imitações das Formas que estão na matéria se afetam entre si sem afetar a matéria; a matéria não pode receber a beleza; é preciso postular a seu respeito um modo original de participação que não afeta em nada seu estatuto de não-ser; o bem não afeta a matéria, que é totalmente impassível. * O capítulo 12 continua a reflexão sobre a "participação impassível" e alerta contra os hábitos de linguagem: Platão propôs um modelo de participação impassível para a matéria; a presença das qualidades na matéria não é uma presença total e real, conforme uma citação de Demócrito; dizer que a matéria padece é pensá-la como um corpo com extensão. * O capítulo 13 examina em que sentido a matéria "foge da forma" e propõe a comparação da matéria com um espelho: a forma da matéria é nunca ter uma; a matéria foge radicalmente do rapport com o ser; permanece impassível em relação ao que entra nela, não participando em nada da verdade; o espelho é sensível, a matéria é invisível, e os seres que estão nela dependem necessariamente das Formas. * O capítulo 14 trata da existência da matéria e propõe uma interpretação alegórica do mito de Poros e Penia: a matéria é necessária para que os reflexos das Formas se constituam; a matéria é comparada a Penia e os reflexos das Formas a Poros; a matéria participa sem participar; se a matéria participasse das Formas, o mundo ruiria; a matéria é causa da geração. * O capítulo 15 mostra que as formas estão na matéria como as representações estão na alma: a matéria é estranha a todo limite, sem nenhum parentesco com coisa alguma; a atividade de representação (phantasia) não oculta a natureza da alma; a matéria é fraca e não pode aparecer nem dizer "estou aqui". * Os capítulos 16 a 18 examinam a matéria e a grandeza: a razão formal dá um tamanho à matéria, que por si mesma não é extensa; a matéria não guarda nada da grandeza dos corpos que vêm nela; tem o tamanho do universo sem que isso a afete; a dimensão em si é animada do desejo de ser ela mesma, isto é, grande; a grandeza material é uma mentira; as qualidades sensíveis são ilusões, homônimas com os inteligíveis; a matéria é e não é grande; o grande não é senão uma vestimenta que cobre a matéria; as razões formadoras precisam da matéria como de um lugar de acolhimento para se desenvolver em viventes determinados. * O capítulo 19 conclui examinando em que sentido a matéria pode ser comparada a uma "mãe" (Timeu 51a4-5): as qualidades contrárias se afetam mutuamente; a matéria impassível não produz nada, sendo mais "receptáculo" do que "mãe"; alusão ao Hermes itifálico e à Grande Mãe rodeada de eunucos; a matéria não engendra nada. //[[https://archive.org/search?query=Bouillet+Plotin&sort=-downloads|Ennéades]]// Este livro compreende duas partes: 1° Da impassibilidade da alma; 2° Da impassibilidade da matéria e da forma. DA IMPASSIBILIDADE DA ALMA[6] (I-III) Na sensação, é preciso distinguir a paixão do juízo: a primeira pertence ao corpo; o segundo, à alma. Sendo uma essência sem extensão e incorruptível, a alma não pode sofrer nenhuma alteração que implique que ela seja perecível. Se se diz que ela experimenta uma paixão, é preciso dar a essa palavra um sentido metafórico, como se faz nas expressões: arrancar da alma um vício, introduzir nela a virtude, etc. De fato, a virtude consiste em que todas as faculdades estejam em harmonia; o vício não é senão a ausência da virtude; daí resulta que nem a virtude nem o vício introduzem na alma algo estranho à sua natureza. Em geral, passar da potência ao ato, produzir uma operação, não tem nada de contrário à inalterabilidade de uma essência imaterial; sofrer ao agir pertence apenas ao corpo. Daí resulta que as opiniões, os desejos e as aversões, e todos os fatos que chamamos, por metáfora, de paixões e movimentos, não alteram a natureza da alma. (IV) Denomina-se parte passiva da alma aquela que experimenta as paixões, ou seja, os fatos acompanhados de dor ou prazer. É preciso distinguir bem o que pertence ao corpo e o que pertence à alma: o que pertence ao corpo é a agitação sensível que se produz nos órgãos, como a palidez; o que pertence à alma é a opinião que produz a dor ou o prazer e que se liga à imaginação. A parte passiva é, portanto, uma forma imersa na matéria; ela própria não sofre; é apenas a causa das paixões, ou seja, das afeições experimentadas pelo corpo[7]. (V) Se, embora a alma seja impassível, diz-se que é preciso libertá-la das paixões, é porque, por meio de suas representações, a imaginação produz no corpo movimentos dos quais nascem medos que perturbam a alma. Libertar a alma das paixões é livrá-la das concepções da imaginação. Purificá-la é separá-la do corpo, ou seja, elevá-la do mundo terreno às coisas inteligíveis. SOBRE A IMPASSIBILIDADE DA FORMA E DA MATÉRIA. (VI) O Ser absoluto é impassível: pois, possuindo de si mesmo e por si mesmo a existência, basta-se plenamente a si mesmo; é, portanto, perfeito, eterno, imutável, possui a vida e a inteligência. Erra-se quando se acredita que o caráter da realidade é a impenetrabilidade: essa propriedade pertence apenas aos corpos; quanto mais duros e pesados são, menos móveis são, menos participam do ser. (VII) A matéria é impassível, mas por uma razão diferente da do Ser absoluto; ela é impassível porque é o não-ser. Não sendo nem ser, nem inteligência, nem alma, nem razão seminal, nem corpo, ela é uma espécie de infinito; ela pode sempre tornar-se todas as coisas indiferentemente, porque não possui nenhuma forma, porque não é senão uma aspiração à existência. Ao receber sucessivamente qualidades contrárias, ela não é mais alterada do que um espelho o é por uma imagem. (VIII-X) O que sofre é o corpo, o composto de forma e matéria. Quanto à própria matéria, ela permanece imutável em meio às mudanças que as qualidades contrárias infligem umas às outras, assim como a cera mantém sua natureza ao mudar de forma, assim como um espelho permanece sempre o mesmo, quaisquer que sejam as imagens que venham a se refletir nele. De fato, sendo o receptáculo comum de todas as coisas, a matéria não pode ser alterada enquanto matéria. (XI-XIII) Embora participe das ideias, a matéria permanece impassível, porque essa participação consiste em uma mera aparência: ela não é afetada de forma alguma ao receber as formas; ela é apenas o seu local. (XIV-XV) Não recebendo nada de real quando as imagens das ideias entram nela, a matéria permanece sempre insaciável devido à sua indigência natural. As razões seminais que estão na matéria não se misturam com ela; encontram nela apenas uma causa de aparência. (XVI-XVIII) A matéria não é a substância extensa. Ao receber da razão seminal a forma, ela recebeu ao mesmo tempo a quantidade e a figura. Ela só é grande porque contém as imagens de todas as ideias e, consequentemente, a imagem da própria grandeza. Não possuindo realmente a forma, ela não possui realmente a grandeza; tem apenas a sua aparência. A grandeza aparente da matéria deve sua origem à procissão da Alma universal que, ao produzir fora de si a Ideia de grandeza, conferiu à matéria a extensão que ela possui em seu estado atual[8]). (XIX) A quantidade e as qualidades para as quais a matéria serve de sujeito entram nela sem que ela compartilhe das paixões que elas mesmas sofrem. A matéria permanece, portanto, impassível em meio a todas as mudanças produzidas pela ação que os opostos exercem uns sobre os astros. Por isso, ela é completamente estéril. Somente a forma é fecunda. //BCG57// A) IMPASSIBILIDADE DA ALMA (capítulos 1-5) I. PROBLEMA. — Admitindo que as percepções não são afecções, mas juízos, e que os juízos não são “impressões”, como pode, então, a “parte afetiva” da alma ser impassível? Como podem ser impassíveis, em meio a vícios, erros, paixões e apetites, nem mesmo as partes superiores? (1, 1-25). II.RESPOSTA GERAL. — A alma é uma substância sem magnitude e indestrutível, e é um número ou uma «razão»; portanto, é impassível; as afecções da alma o são por analogia com as do corpo (1. 25-37). III. VIRTUDE E VÍCIO (cap. 2). 1. Objeção: falamos em “remover” o vício e em “implantar” a virtude, e isso pressupõe que ambos afetam a alma (2, 1-5). 2. Resposta: a virtude é uma “harmonia” e o vício uma “desarmonia”; logo, antes da harmonia ou desarmonia mútua das partes da alma, deve haver uma virtude ou um vício próprio de cada parte (2, 5-20). 3. Objeção: a alma é virtuosa ou viciosa pela presença de algo que a deixa afetada (2, 20-29). 4. Resposta (2, 29-67): a) A atividade da alma virtuosa é perfectiva, não modificativa; além disso, a atividade dos seres imateriais não implica modificação (2, 29-54). b) O vício decorre de não seguir a norma racional ou de seguir uma norma errada; mas nem uma coisa nem outra implicam afetação (2, 29-67). IV. PAIXÕES E APETITES (cap. 3): a) É preciso distinguir entre o fator psíquico, que não implica afetação, e o efeito somático, que afeta o corpo, mas não a alma (3, 1-26). b) Resumo do exposto até agora (3, 27-35). V. A «PARTE AFETIVA» DA ALMA (cap. 4). 1. Nas paixões, é preciso distinguir três componentes, dos quais dois são psíquicos, mas não afetam a alma: a opinião na faculdade opinativa e a quase-opinião na parte afetiva; o terceiro componente é puramente somático: a afecção do corpo (4, 1-30). 2. A própria parte afetiva é uma forma impassível; analogia da lira (4, 30-52). VI. A PURIFICAÇÃO DA ALMA (cap. 5). 1. Sua razão de ser: baseia-se no fato de que a imagem que penetra na parte afetiva é a causa imediata da afeção do corpo; por isso, supôs-se que essa imagem fosse uma afecção (5, 1-13). 2. Em que consiste: em suprimir as causas psíquicas das afecções somáticas (5, 13-29). B) IMPASSIBILIDADE DA MATÉRIA (cap. 6-19). I. INTRODUÇÃO (cap. 6). 1. Problema: a matéria é incorpórea; mas será também impassível? De que modo? (6, 1-7). 2. Características do Ser real: é plenamente real; dotado de uma Vida perfeita; é Inteligência e Sabedoria absolutas; é infinito em potência, eterno, imutável e incorpóreo (6, 7-32). 3. Os corpos: seu ser consiste em não-ser (6, 33-77): a) Objeção: quanto mais sólidos, resistentes, violentos e estáveis forem os corpos, mais reais serão (6, 33-41). b) Resposta (6, 41-77): 1) as coisas, quanto mais carentes de ser, tanto mais corporais são; e quanto mais corporais, mais passíveis (6, 41-64), 2) a realidade dos corpos é ilusória; por isso, a verdadeira ressurreição consiste em ressuscitar sem o corpo (6, 65-77). II. IMPASSIBILIDADE DA MATÉRIA À LUZ DA RAZÃO (capítulos 7-10). 1. Por falta de entidade tanto da matéria quanto das coisas que se refletem nela (cap. 7). 2. Porque carece de qualidades contrárias aos agentes (8, 1-6). 3. Porque é indestrutível (8, 6-20). 4. Porque é como um espelho impassível (9, 1-24). 5. Porque é simples; analogia com a casa onde há pessoas se agredindo (9, 24-44). 6. Porque é onirrecetiva (10, 1-13). 7. Porque o substrato, enquanto tal, não se modifica; logo, tampouco a matéria, enquanto matéria (10, 14-28). III. IMPASSIBILIDADE DA MATÉRIA À LUZ DE PLATÃO (capítulos 11-15). 1. Timeu: a exegese correta de uma série de textos do Timeu mostra que, segundo Platão, a matéria participa da forma apenas em aparência e sem que seja afetada (11, 1-13, 32). 2. Confirmação pela analogia do espelho (13, 32-55). 3. O Banquete: o mito de Penia no Banquete mostra que a matéria participa sem participar realmente (14, 1-18). 4. Confirmação pela analogia das superfícies lisas e planas (14, 24-31), dos recipientes herméticos expostos ao sol (14, 31-15, 11) e da alma (15, 11-32). IV. MATÉRIA E MAGNITUDE (cap. 16-18). 1. A magnitude é uma forma e, como tal, é um mero revestimento externo da matéria (16, 1-20). 2. Para a matéria, não é a mesma coisa ser e ser magnitude (16, 21-32). 3. Gênese da magnitude: a Magnitude em si projeta na matéria uma imagem de si mesma; esta é a magnitude dos corpos (cap. 17). 4. A magnitude da matéria é pura aparência (18, 1-23). 5. Contraste entre a alma e a matéria (18, 24-46). V. A MATÉRIA COMO «MÃE» (cap. 19). 1. A matéria é infértil: é mãe apenas como receptáculo, não como progenitora (19, 1-25). 2. Esse é o simbolismo dos ritos do culto a Cibele (19, 25-41). //APE// A. A impassibilidade da alma. Exposição geral da posição a ser defendida: a alma, por ser incorpórea, não pode ser afetada ou modificada como um corpo, embora surjam dificuldades no que diz respeito ao vício e ao erro (cap. 1). Discussão sobre o vício: rejeição da teoria de que a virtude e o vício são apenas harmonia e desarmonia das diferentes partes da alma: cada parte deve ter sua própria virtude, que é, essencialmente, a razão: a passagem da virtude para o vício e do vício para a virtude não envolve nenhuma alteração intrínseca nas partes da alma (cap. 2). Discussão sobre as emoções: distinção entre o elemento corporal e o elemento da alma; a alma se move por si mesma, mas não é movida ou afetada pelas emoções (cap. 3). A parte da alma sujeita às afeições: relação entre opiniões, imagens mentais e perturbações corporais: a alma é forma, e a forma não é afetada ou perturbada pelo que ocorre naquilo que ela informa (cap. 4). O que, então, se entende por purificação filosófica, libertar a alma dos afetos? Despertar a alma de seus pesadelos, libertá-la de imagens mentais perturbadoras e voltar-se das coisas inferiores para as superiores (cap. 5). B. A impassibilidade da matéria. A matéria, também, é algo incorpóreo. O ser real é imaterial, eterno, imutável, intelecto vivo. Resistência, obstrução, dureza, corporeidade agressiva são sinais de falta de ser e de vida: e quanto mais uma coisa é um corpo, mais ela é afetada. Pensar que os corpos são reais é uma ilusão, um sonho do qual devemos despertar (cap. 6). A matéria é verdadeiramente o não-ser, nada além de um fantasma; e as formas que a atravessam também são fantasmas; elas não podem agir, e ela não é afetada (cap. 7). As coisas que são afetadas são afetadas por seus opostos, e a afetação é o caminho para a destruição: mas a matéria é indestrutível (cap. 8). Se uma coisa está presente em ou para outra coisa, isso não significa necessariamente que a afete: a matéria não tem oposto e, portanto, não é afetada por nada (cap. 9). Se a matéria fosse alterada ou afetada, não seria mais capaz de receber todas as formas (cap. 10). Exegese de Timeu 50 b-c. Como as formas estão na matéria sem alterá-la e tornando-a bela e boa em vez de feia e má (cap. 11). O pensamento real de Platão, expresso de forma bastante superficial, é que a matéria não é afetada pela forma de maneira alguma, não recebe nem forma nem tamanho nem qualquer outra coisa, porque não é um corpo (cap. 12). O que se quer dizer ao afirmar que a matéria “tenta escapar” da forma e que ela é “o receptáculo e a nutridora de todo o devir”. As formas fantasmagóricas na falsidade da matéria são como reflexos em um espelho invisível e sem forma (cap. 13). A matéria é o meio no qual as imagens do ser real quase existem, a “Pobreza” do Simpósio sempre implorando pelo que nunca poderá realmente ter, como uma superfície refletora que concentra raios em seu exterior (cap. 14). Analogias e diferenças entre as imagens mentais na alma e os fantasmas na matéria; a alma é algo e tem seu próprio poder para lidar com suas imagens; a matéria é nada e não tem poder (cap. 15). Matéria e tamanho: o tamanho vem com a forma e é forma; a matéria tem apenas tamanho falso, não tamanho verdadeiro (cap. 16-18). A matéria, como a alma, contém todas as formas, mas não todas juntas, como a alma, e sim divididas (cap. 18). As formas não causam à matéria nem mal nem bem. A matéria é apenas uma “mãe”, por assim dizer, pois não gera nada e é apenas um receptáculo passivo (como a mãe é, segundo uma teoria). O Hermes itifálico é um símbolo do poder gerador do logos; os eunucos que acompanham a Grande Mãe simbolizam a esterilidade da matéria (cap. 19). //LPE// §1. Como podemos explicar o vício se a parte superior da alma é imutável? §2. A teoria da harmonia não oferece uma explicação. A virtude e o vício decorrem do exercício ou da falta de exercício da razão. §3. As manifestações físicas das emoções são causadas pela alma, que permanece imperturbável. §4. O caso da alma inferior é semelhante. As emoções, etc., não estão na alma inferior. A faculdade “afetiva” da alma é uma espécie de forma, mas é a matéria na qual a alma está presente que está sujeita ao afeto; por exemplo, a faculdade de crescimento não cresce por si mesma. Trata-se de uma atividade, e não de um movimento. §5. “Purificação” é afastar-se das imagens para voltar-se para o que está acima. §6. A matéria está sujeita a afetos? A natureza do ser verdadeiro. Quanto mais algo se torna corpo, mais está sujeito a afetos. §7. A matéria é incorpórea, mas, ao contrário do Intelecto e da Alma, é ilimitada e é o verdadeiro não-ser. Ela permanece imutável. §8. Os afetos se destroem e se substituem mutuamente, mas a matéria não é destruída. §9. Diferentes significados de estar presente para ou em algo, ou de ser afetado por algo. O afeto ocorre aos opostos por meio de seus opostos. O simples não pode estar sujeito a afetos. §10. A matéria é, em si mesma, inalterável. §11. A matéria permanece inalterada, má e feia, mesmo quando a forma, a bondade e a beleza estão presentes nela. §12. Platão ensina que a matéria é inalterada. §13. Interpretação de várias frases platônicas, incluindo “a matéria foge” e a matéria é “receptáculo e nutridora”. As formas na matéria são como as imagens em um espelho invisível. §14. A matéria é um pré-requisito para um universo visível. Ao refletir a forma e o ser, ela “participa” deles de certa forma, mas sem estar de modo algum unida a eles, como reflexos fugazes sobre uma superfície. §15. A matéria não se mistura com o que aparece “nela”, nem eles se misturam com ela, como as coisas que são iluminadas pelo sol ou a alma ao contemplar imagens mentais. §16. Até mesmo o tamanho é projetado sobre ela a partir do exterior e não lhe pertence realmente. §17. A matéria não é magnitude, que é uma forma, mas assume apenas a aparência de tamanho. §18. A matéria, justamente porque não é afetada pela forma em si mesma, pode receber e refletir todas as formas. §19. A matéria, como uma mãe, é apenas um receptáculo passivo da forma. É como os eunucos de Cibele em sua impotência, enquanto as formas são geradoras como Hermes. ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort nocookie}}