===== TRATADO 31 (V, 8) - SOBRE A BELEZA INTELIGÍ­VEL ===== //[[end5>8:|Enéada V,8]]// //BP// Capítulo 1: A beleza das artes; exemplo do Zeus de Fídias. 1-6. Introdução: a beleza inteligível remete ao seu princípio (o Um). 6-26. Exemplo de uma estátua: a beleza provém da arte (a forma) e não da matéria (a pedra). 26-40. A arte não imita tanto a natureza quanto as razões que a fundamentam. Exemplo da estátua de Zeus, de Fídias. Capítulo 2: A beleza das realidades naturais. 1-6. Essa beleza provém da ação de um demiurgo criador. 6-16. Não é nem a matéria, nem a cor que explica a beleza, mas a Forma. 16-28. Não é a massa que é bela, mas a razão que sustenta a Forma. 29-41. A beleza natural provém de uma beleza maior, que é imaterial. 41-46. Parenese ao leitor: contemple a sua própria beleza! Capítulo 3: Ascensão das razões formadoras até o céu inteligível. 1-9. A beleza provém do Intelecto, que produz a razão. 9-16. Formaremos uma ideia do Intelecto por meio de um de seus atos em nós. 16-36. É preciso compreender o Intelecto a partir do nosso e do dos deuses. Capítulo 4: Descrição lírica da vida bem-aventurada do Intelecto. 1-6. Um mundo de pura luz. 6-15. Cada inteligível é também todos os outros. 15-27. A relação do todo com sua parte. A visão de Linceu. 27-36. Ausência de cansaço e de lassidão “lá”. 36-55. A ciência de “lá” é a ciência perfeita. Capítulo 5: O verdadeiro conhecimento. 1-9. Existe um conhecimento ou uma sabedoria (sophía) que preside a toda geração e a toda produção. 9-15. Crítica aos estoicos, para quem a razão é imanente à natureza. 15-20. A dignidade de uma realidade provém de sua ligação com o conhecimento. 20-25. O verdadeiro conhecimento são as Ideias inteligíveis. Capítulo 6: A verdade é conhecida intuitivamente; exemplo dos sábios do Egito. Capítulo 7: Produção e totalidade. 1-12. Crítica ao demiurgo platônico: o criador do mundo não delibera como fazem os artesãos. 12-18. “Tudo o que se encontra aqui vem de lá”. 18-28. A produção do sensível é imediata e silenciosa. 28-35. Aplicação ao caso do homem: o homem inteligível e o homem sensível. 36-47. Uma produção global do todo não distingue as diferentes causas. Capítulo 8: O inteligível é a beleza perfeita; referência ao Timeu (37c-d). Capítulo 9: Tentativa de uma representação figurativa do poder inteligível. 1-11. Tentemos representar o sensível como um todo perfeitamente unificado. 11-28. Roguemos ao deus para que nos ajude a elevar-nos à representação do inteligível. 28-36. O poder sensível é apenas relativo. 36-47. A beleza inteligível é perfeita. Capítulo 10: A contemplação do belo no inteligível. 1-4. Procissão de Zeus, dos deuses, dos demônios e das almas. 4-22. Diferentes graus de contemplação da beleza, da justiça e da temperança. 22-31. Visão da beleza total; comparação com homens em uma luz dourada. 31-43. Identidade do que vê e do que é visto no Intelecto. Capítulo 11: O êxtase da alma no inteligível. 1-9. A união da alma com o intelecto divino. 9-19. Conhecimento do intelecto e bem-aventurança. 19-40. Superação da consciência reflexiva; exemplo da doença e da saúde. Capítulos 12 e 13: Interpretação do mito de Cronos devorando seus filhos. Capítulo 12: Por que Zeus não é devorado por seu pai. 1-3. Aquele que conheceu a união com o belo anuncia o que se segue: 3-11. Cronos representa o Intelecto, seus filhos, os inteligíveis. 11-26. A salvação de Zeus é necessária; ela representa a saída da alma do Intelecto. Capítulo 13: Relações entre Urano, Cronos, Zeus e Afrodite. 1-11. Cronos entre Urano e Zeus, ou seja, o Ser entre o Um e a Alma. 11-24. Beleza da alma do mundo, representada por Afrodite; beleza de nossa alma. //[[https://archive.org/search?query=Bouillet+Plotin&sort=-downloads|Ennéades]]// (I) Nas obras de arte, a beleza provém da forma que o artista confere à matéria para nela representar o ideal que concebeu: pois ele não se limita a imitar a natureza; ele remonta às ideias das quais deriva a natureza dos objetos. (II-III) Nas obras da natureza, a beleza provém igualmente da forma que passa do princípio criador para a coisa criada. Ela não se encontra na massa corporal, enquanto massa: pois somente a forma penetra no olho. Além disso, a beleza que reconhecemos nas ciências, nas virtudes e na própria alma é evidentemente imaterial. É preciso, portanto, admitir que a beleza do corpo tem como arquétipo a beleza que reside na natureza e da qual ela provém. Esta, por sua vez, tem como arquétipo a beleza que reside na alma e da qual ela procede. Por fim, a beleza da alma tem, ela própria, como princípio a perfeição da Inteligência, na qual reside a Beleza absoluta. (IV) No mundo inteligível, todos os seres são belos porque resplandecem com uma claridade infinita, de modo que cada um deles contempla a si mesmo e contempla todos os outros. A vida transcorre ali em uma contemplação perpétua e tranquila que é a sabedoria, e como a inteligência é todos os seres que ela pensa, a Essência, a Sabedoria e a Inteligência são idênticas no mundo inteligível. (V) Todas as obras da arte ou da natureza têm uma certa sabedoria como princípio. A sabedoria do artista remete à da natureza, que lhe serve de regra. A da natureza remete, por sua vez, à da Inteligência, na qual a verdadeira sabedoria e a verdadeira essência são uma e a mesma coisa. Por isso, ela possui as ideias, ou seja, as formas substanciais ou essências, tipos vivos de tudo o que existe no mundo sensível. (VI) Os sábios do Egito demonstravam uma ciência consumada ao empregar sinais simbólicos pelos quais designavam os objetos intuitivamente, de certa forma, sem recorrer à palavra. Ao representar as imagens dos objetos individuais, permitiam compreender as coisas em sua totalidade natural, que a ciência deve reproduzir. A ciência, de fato, não é um pensamento, um raciocínio; é a imagem completa dos tipos individuais que contempla. XXV (VII) É por isso que a Inteligência divina concebeu e realizou o mundo inteiro de uma só vez por meio da Alma universal: pois o mundo, do início ao fim, está contido e limitado pelas ideias, e a Inteligência, possuindo as ideias, possui ao mesmo tempo os modelos, as formas e as essências de todas as coisas que são produzidas aqui na Terra. (VII-IX) O mundo inteligível é o tipo da Beleza porque é uma forma e o objeto da contemplação da Inteligência divina. É por isso que, no Timeu, Platão nos mostra o Demiurgo admirando sua obra, a fim de nos fazer julgar a perfeição do modelo pela do mundo sensível, que não passa de sua imagem. De fato, no mundo inteligível, cada essência é distinta das outras sem estar separada delas por nenhuma distância local; cada uma é todas as outras, porque possui um poder infinito; enfim, cada uma é perfeita, porque nela a essência e a beleza formam uma única e mesma coisa. (X-XI) Tal é o espetáculo que contemplam Júpiter (a Alma universal) com os deuses secundários, os demônios e as almas superiores. Nessa contemplação sublime, aquele que contempla identifica-se com o objeto que contempla, e possui todas as coisas ao renunciar à consciência de si mesmo para não permanecer distinto de Deus. (XII) Quando se tem a intuição de Deus (ou seja, do Intelecto divino), vê-se que Ele gera um filho cheio de beleza, cuja grandeza permite avaliar a de seu pai. Esse filho, que é Júpiter, produz, por sua vez, o mundo sensível, obra tão bela e tão perfeita quanto sua natureza permite: pois oferece uma imagem da essência e da beleza e, como seu modelo é eterno, nunca deve deixar de existir. (XIII) Os mitos reconhecem três grandes deuses, Coelus, Saturno e Júpiter: Coelus é o Um absolutamente simples; Saturno acorrentado é a Inteligência imutável, tipo da Beleza; Júpiter é a Alma universal, que mutila seu pai ao dividir a unidade primitiva, administra o mundo sensível e herda sua beleza de Saturno. //BCG57// 1. A beleza da arte consiste em uma forma viva, originária do mundo inteligível e à qual o artista tem acesso direto (cap. 1). 2. A beleza da natureza também se deve a uma forma e, dessa maneira, ainda em um grau mais elevado, o mesmo se aplica à beleza moral (cap. 2). 3. Como ascender à contemplação na Inteligência por meio da contemplação da alma purificada, ou melhor, dos deuses (cap. 3). 4. O céu dos deuses inteligíveis manifestado em toda a sua glória, sua perfeita unidade e sua diversidade vital que se move sem fim. Um universo de seres supremos reais, não de teoremas e proposições (cap. 3-4). 5. A sabedoria mais elevada da Inteligência que conhece as realidades mais como imagens do que como proposições (cap. 5). 6. Os hieróglifos egípcios são um exemplo de expressão não discursiva (cap. 6). 7. A espontaneidade não planejada com que a Inteligência cria sua imagem, este mundo visível (cap. 7). 8. A beleza do mundo inteligível (cap. 8). 9. O método de desmaterialização de nossa contemplação do mundo visível para que possamos ver o inteligível (cap. 9). 10. A verdadeira e divina contemplação do mundo inteligível a partir de dentro (caps. 10-11). 11. Cronos e Zeus como símbolos do mundo inteligível e sensível. Necessidade de uma existência eterna da imagem sensível do inteligível (cap. 12). 12. Exposição posterior da maneira como Urano, Cronos, Zeus e Afrodita simbolizam as três Hipóstases. Toda a beleza provém do mundo da Inteligência. Transição para V 5 (cap. 13). //APE// A beleza da arte reside na forma viva, originária do mundo inteligível, ao qual a mente do artista tem acesso direto (cap. 1). A beleza da natureza também se deve à forma, e, em grau ainda maior, a beleza moral (cap. 2). Como elevar-se à contemplação no Intelecto, por meio da contemplação da alma purificada ou, melhor ainda, dos deuses (cap. 3). O céu dos deuses inteligíveis exibido em toda a sua glória, sua unidade perfeita e sua diversidade viva e em movimento sem fim, um universo de seres supremamente reais, não de teoremas e proposições (cap. 3-4). A sabedoria superior do Intelecto, que conhece as realidades mais como imagens do que como proposições (cap. 5). Os hieróglifos egípcios como exemplo da expressão do pensamento não discursivo (cap. 6). A espontaneidade imediata e não planejada com que o Intelecto cria sua imagem, este cosmos visível (cap. 7). A beleza do mundo inteligível (cap. 8). O método de desmaterializar nossa contemplação do cosmos visível para que possamos ver o inteligível (cap. 9). A verdadeira contemplação, semelhante à divina, do mundo inteligível a partir de dentro (cap. 10-11). Cronos e Zeus como símbolos dos mundos inteligível e sensível; necessidade da existência eterna da imagem sensível do inteligível (cap. 12). Exposição adicional da maneira pela qual Urano, Cronos, Zeus e Afrodite simbolizam as Três Hipóstases. Toda a beleza provém do mundo do Intelecto. Transição para o V. 5 (cap. 13). //LPE// §1. O caráter paradigmático do Intelecto. §2. A beleza da natureza e a beleza moral têm seus paradigmas no Intelecto. §3. A ascensão ao Intelecto por meio de suas imagens. §4. A vida do Intelecto e das Formas que são idênticas a ele. §5. O conhecimento não proposicional no Intelecto. §6. Os hieróglifos egípcios como analogia ao pensamento não proposicional. §7. O Intelecto não é apenas paradigma, mas produtor de sua imagem, o mundo sensível. §8. A beleza do mundo inteligível. §9. O método para eliminar a materialidade de nosso pensamento e, assim, ascender ao inteligível. §10. A contemplação dos inteligíveis pelo Intelecto. §11. O sentido em que a alma se unifica com o Intelecto. §12. O mito de Cronos e Zeus como analogias para os mundos inteligível e sensível. §13. A extensão do mito, incluindo Urano e Afrodite, às três hipóstases fundamentais. Transição para 5.5. ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort nocookie}}