===== Alma Universal ===== Falamos dos dois primeiros seres; mas qual é o terceiro, aquele que reflete para fazer, para produzir e para dividir as ideias vistas pela Inteligência e situadas no animal em si? Qual é, então, esse ser “que reflete para produzir no mundo sensível as coisas que vê lá? Certamente Platão parece, misteriosamente, fazer dele um ser diferente dos dois primeiros; para outros, parece que esses três seres, o animal em si, a Inteligência e o ser que reflete são um só; ou ainda, e frequentemente, uns propõem um sentido, e outros, outro, e pensam que há ali três seres. Talvez aquele que divide as ideias seja, em certo sentido, a Inteligência, e, em outro sentido, não seja a Inteligência; na medida em que as coisas divididas provêm da Inteligência, é a própria Inteligência que divide; mas na medida em que a Inteligência permanece imóvel e indivisível, embora as coisas divididas (ou seja, as almas) provenham dela, é que opera a divisão em múltiplas almas. É por isso que Platão diz que a divisão é obra do terceiro princípio e que está no terceiro princípio, aquele que reflete; refletir não é função da Inteligência, mas da Alma, cujo ato se divide em uma natureza divisível. ENNEADAS: III, 9 (13) - Considerações diversas 1 A alma universal não nasce em lugar algum e não veio a nenhum lugar; pois não há lugar para ela; e o corpo participa dela, porque é seu vizinho. É por isso que Platão não diz que ela está no corpo, mas que o corpo está nela. As almas particulares têm um lugar de origem, é universal, elas têm um lugar para onde descem e por onde passam; é também o lugar para onde voltam. ENÉADAS: III, 9 (13) - Considerações diversas 3 A alma universal está no alto, e é da sua natureza estar lá; a seguir a ela está o universo, cuja parte é vizinha do e a outra abaixo do sol. A alma particular, ao se dirigir para o que está acima dela, é iluminada e reside no ser; ao se dirigir para o que está abaixo, ela vai para o não-ser. E é isso que ela faz quando se dirige para si mesma; pois, quando tende para si mesma, ela produz abaixo dela uma imagem de si mesma, sem realidade. Ela mesma está sem terreno sólido e perde toda determinação fixa; e sua imagem é tudo o que há de mais indeterminado e obscuro; privada de razão e inteligência, essa imagem está a uma grande distância do ser. Nesse momento, ainda está em seu lugar, na região intermediária; mas ela lança novamente um olhar sobre a imagem; com esse segundo olhar, ela lhe dá uma forma e, satisfeita, desce para dentro de si mesma. ENNEADAS: III, 9 (13) - Considerações diversas 3 A alma é como a visão, e a inteligência como o objeto visível; indeterminada antes de ter visto a inteligência, tem uma disposição natural para pensar; e ela está para a inteligência como a matéria está para a forma. ENNEADAS: III, 9 (13) - Considerações diversas 5