====== I-2 ====== ==== Resumo de Saffrey e Westerink ==== Capítulo 2. Método de ensino e preparação dos ouvintes. O sucesso do ensino depende de dois fatores: a qualidade dos discursos e a disposição dos ouvintes, sendo que esta última tem a mesma importância que nos mistérios (p. 8.17-9.7). O tratado será dividido em três partes: 1° os atributos comuns a todos os deuses (livro I), 2° as ordens divinas específicas, seus atributos, suas procissões (livros II-VI...), 3° os deuses individuais hipercósmicos e encósmicos (...) (p. 9.8-19). O discurso se esforçará para esclarecer os símbolos e as imagens, trazer provas das afirmações dogmáticas, elucidar as alegorias e mostrar a realidade das evidências (p. 9.20-10.10). O ouvinte deverá ser moralmente puro, bom lógico, competente em ciências naturais, matemática e dialética. Assim, ele possuirá em si mesmo a trindade das virtudes: amor, verdade e fé, que lhe permitirão tornar-se um verdadeiro teólogo (p. 10.11 - 11.26). ---- ==== Resumo da tradução de Thomas Taylor ==== * Necessidade de desdobrar o modo da doutrina proposta e definir os preparativos requeridos do ouvinte * Finalidade: permitir que o ouvinte, devidamente adaptado, se aproxime não dos discursos em si, mas da filosofia intelectualmente elevada e deífica de Platão * Princípio geral de adequação entre aptidões do ouvinte e formas dos discursos, analogia com os mistérios * Preparação prévia de recipientes para os Theoi (Deuses) por parte dos habilidosos em tais assuntos * Seleção não arbitrária, mas baseada na capacidade natural de participar da iluminação divina * Introdução aos ritos místicos apenas daquilo que, em cada categoria (coisas inanimadas, animais, homens), é naturalmente capaz dessa participação * Divisão tripartite do discurso teológico presente * Primeira parte: consideração de todas as concepções comuns sobre os Theoi (Deuses) que Platão resume, juntamente com o poder e dignidade dos axiomas teológicos * Parte média: especulação das ordens totais dos Theoi (Deuses), enumeração de suas peculiaridades, definição de suas progressões à maneira platônica e referência de tudo às hipóteses dos teólogos * Parte final: discurso sobre os Theoi (Deuses) celebrados em diferentes lugares nos escritos platônicos, sejam supermundanos ou mundanos, referindo a teoria sobre eles aos gêneros totais das ordens divinas * Metodologia hermenêutica a ser aplicada em todas as partes da obra * Preferência pelo claro, distinto e simples em detrimento de seus contrários * Transferência do que é entregue através de símbolo para uma doutrina clara sobre o mesmo * Transmissão do que é entregue através de imagens para seus exemplares (paradeigmata) * Exame, por raciocínios causais, do que é escrito de modo mais afirmativo * Investigação e explicação do modo de verdade contido no que é composto através de demonstrações (apodeixeis) * Descoberta de perspicuidade para coisas propostas enigmaticamente, não a partir de hipóteses estrangeiras, mas dos escritos mais genuínos de Platão * Contemplação, para coisas que imediatamente ocorrem aos ouvintes, de seu consentimento (synphonia) com as coisas mesmas * Objetivo final: apresentação de uma forma perfeita (teleion eidos) da teologia platônica, com sua verdade que perpassa todas as intelecções divinas e o intelecto único que gerou toda a beleza desta teologia * Perfil e exigências do ouvinte ideal dos dogmas propostos * Adorno com as virtudes éticas (ethikai aretai) e vinculação pela razão (logos) de todos os movimentos iliberais e inarmônicos da alma * Harmonização desses movimentos à forma única da prudência intelectual (phronesis noera) * Referência ao princípio socrático: não é lícito ao puro ser tocado pelo impuro; o homem vicioso é impuro, o caráter contrário é puro * Exercício prévio em todos os métodos lógicos (logikai methodoi) * Contemplação de concepções irrepreensíveis sobre análises e divisões, conforme a exortação de Parmênides a Sócrates * Fundamentação: sem tal exercício dialético, o conhecimento dos gêneros divinos e da verdade neles estabelecida é difícil e impervio * Competência em física (physike), conhecimento das opiniões multiformes dos fisiólogos * Exploração, à maneira de imagens, das causas dos seres, facilitando o avanço à natureza das essências separadas e primeiras * Requisito de não ignorar a verdade contida nos fenômenos (phainomena), nem os caminhos da erudição e as disciplinas que contêm * Objetivo desses estudos: obtenção de conhecimento mais imaterial (ayloteron) da essência divina * Necessidade de unir todos esses conhecimentos no intelecto líder (hegemon nous) * Participação na dialética de Platão, meditação das energias imateriais separadas das potências corpóreas * Desejo de contemplar por meio do intelecto, em conjunção com a razão, os seres verdadeiros (onta) * Aplicação genuína à interpretação de dogmas divinos e benditos, preenchendo a alma, conforme o Oráculo, com amor profundo (eros) * Concordância com Platão: para a apreensão desta teoria, não se pode obter melhor auxiliar que o amor * Exercício na verdade (aletheia) que perpassa todas as coisas, excitação do olho inteligível (noeton omma) à verdade real e perfeita * Estabelecimento em um tipo firme, imóvel e seguro de conhecimento divino * Persuasão de não admirar outra coisa, nem dirigir atenção a outras coisas, mas apressar-se à luz divina * Exigência de uma energia racional intrépida e do poder de uma vida incansável (atryptos bios) * Proposta de um tipo de energia e repouso (energeia kai stasis) adequado a quem pretende ser um corifeu como o descrito por Sócrates no Teeteto * Prévia ao tratado: discussão sobre a teologia em si mesma, seus diferentes modos e as formas teológicas aprovadas ou rejeitadas por Platão * Finalidade: facilitar, com este conhecimento prévio, a aprendizagem dos próprios auxiliares das demonstrações no que se segue ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort}}