Busca prévia, passando pelo sujeito-substância

PLOTIN. Plotin. Traité 53: [Ennéades] I, 1. Gwenaëlle Aubry. Paris: les Éd. du Cerf, 2004.

O Tratado 53 é composto de duas partes distintas, refletidas no título escolhido por Porfírio: a segunda é regida pela problemática do Primeiro Alcibíades e pela questão do sujeito-consciência, enquanto a primeira o é pelo De anima e pela questão do sujeito-substância, segundo o procedimento da pesquisa preliminar.

A experiência originária — a que é primeira “para nós” — é a da união da alma e do corpo, e é sobre a descrição dessa experiência fundamental que o Tratado 53 se abre.

Embora Platão não ignore essa experiência — a República, o Timeu e o Fedão contêm litanias semelhantes —, o Primeiro Alcibíades não se ancora explicitamente nela nem fornece os meios de pensá-la, de modo que o cuidado de concretude está, paradoxalmente, do lado de Plotino.

A problemática da atribuição e, com ela, a do sujeito-substância, precede a questão do sujeito-consciência: só após identificar o sujeito das paixões e compreender que não nos reduzimos a ele será possível saber o que somos e tomar consciência do que somos verdadeiramente.

A ambição do Tratado 53 é pensar a união da alma e do corpo sem ceder em sua separação, reconciliando Aristóteles e Platão, lendo juntos o De anima e o Fedão.