GARCÍA BAZÁN, Francisco. Plotino y la mística de las tres hipóstasis. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: El Hilo De Ariadna, 2011.
Em Enn. IV,7 (2) 10, ao concluir sobre a natureza divina e eterna da alma, Plotino proclama a afinidade (syngéneia) e semelhança (homooúsion) da alma com os seres inteligíveis divinos, afirmando que, purificada, ela verá excepcionalmente.
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“É necessário que a natureza de cada coisa se examine mirando-a em sua pureza, porque o agregado é sempre um obstáculo para o conhecimento da coisa à qual algo se acrescenta.”
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“O que subtrai observe-se e se convencerá de que é imortal, uma vez que se observe transformado em algo inteligível e puro.”
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“Verá um intelecto que não mira as coisas sensíveis e mortais, mas intui o eterno pelo eterno e luminoso, iluminado pela verdade que vem do Bem, o que difunde a luz da verdade sobre todos os inteligíveis.”
Despojada dos elementos individualizadores que a tornam apaixonada, irascível e passível — sob o ferrugem da estátua e o barro que recobre o ouro oculto — a alma aflorada descobre-se parente e da mesma substância que o Intelecto, participando sem intermediários de sua divindade e eternidade.
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Reconhecer-se como imagem é saber-se menor, mas ao mesmo tempo afirmar a realidade do que se é: imagem.
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Desde si mesma, a alma pode chegar ao Intelecto que nela se espelha e, elevando-se sobre si mesma, percebê-lo diretamente e intuí-lo (katanoeín).
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Nesse ponto, a alma pode observar também que a verdade que reina no Intelecto procede de uma instância ainda mais elevada — o Bem, ainda mais divino.
Em torno ao tema central do capítulo, duas ideias se destacam: uma afirmação taxativa, embora não desenvolvida, das três hipóstases e sua relação hierárquica — Bem, Intelecto, Alma — e o reconhecimento patente de que o Bem está no cume das hipóstases.
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A doutrina do despojamento pela busca do isolamento das realidades que são em si mesma domina essas reflexões.
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As imagens plásticas da estátua e do ouro recobertos por material estranho — utilizadas pouco antes no mesmo contexto — reaparecem aqui.
Em Enn. IV,2 (4), que versa sobre a “essência da Alma” e completa materiais do tratado anterior, Plotino equipara o Bem como Princípio primeiro ao Uno, introduzindo pela primeira vez, sem maiores precauções, a exegese das hipóteses do Parmênides.
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“O Alma é assim una e múltipla; as que estão nos corpos, múltiplas e unas; os corpos, só múltiplos.”
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“O mais alto, porém, é só Uno.”
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É a primeira vez que
Plotino utiliza a exegese das hipóteses sobre o Uno do
Parmênides para aplicá-la à Alma e ao Bem.
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Trata-se de uma hermenêutica consciente de textos platônicos sobre outros mais sintéticos ou velados, de modo platônico-pitagorizante, que o filósofo neoplatônico seguirá utilizando e desenvolvendo ao longo de seus cursos.