Intelecto (noûs)

GARCÍA BAZÁN, Francisco. Plotino y la mística de las tres hipóstasis. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: El Hilo De Ariadna, 2011.

No curso de 265-266, no “grande tratado” contra os gnósticos — constituído por Enn. III,8 (30); V,8 (31); V,5 (32) e II,9 (33)Plotino retoma e aprofunda a doutrina sobre o Uno, consolidando as noções desenvolvidas nos cursos anteriores.

Em Enn. III,8,9, uma breve frase carregada de emoção intelectual assinala a superioridade do Uno sobre o Intelecto: ao descrever o Intelecto como realidade segunda, Plotino observa emotivamente que ele “tendo começado como Uno não permaneceu como começou… e se desdobrou querendo ter todas as coisas” — e que “tanto melhor lhe fora não haver desejado tal coisa, porque chegou a ser segundo.”

Em Enn. V,8 (31), antes de tratar da beleza nos artefatos, no cosmos e no inteligível, uma brevíssima recapitulação confirma a incomparável transcendência do Uno.

Em Enn. V,5 (32), as primeiras noções confirmam que o Intelecto é “a partir dIsso” e que a natureza divina do Noûs é deus segundo — que se manifesta antes, ao contemplador, do que Aquele que é Primeiro e Prepadre.

Ao distinguir o Uno de qualquer unidade numérica — nem esencial nem matemática ou quantitativa — Plotino mostra que todos os números, imediata ou mediatamente, participam do Uno em si mesmo como Unidade mais alta.

Passando dos números às ideias, Plotino mostra que o ser é uma marca ou pegada do Uno — e que a expressão platônica “mais além do ser” tem caráter negativo ou sugestivo, não designando algo determinado.

Em Enn. II,9 (33) 1, síntese que abre o “Contra os gnósticos”, Plotino resume a doutrina estabelecida sobre a Primeira Hipóstase como ponto de partida já dado.

Contra a tese gnóstica de um primeiro Princípio dividido em potência e ato, Plotino rejeita a distinção como absurda nos seres imateriais e atuais.

No curso de 266-267, em Enn. VI,7 (38) — “Sobre a origem das ideias e sobre o Bem” — Plotino aborda a relação Bem/Intelecto como ampliação do exposto em Enn. V,5,12, a partir da “ideia do Bem” da República.

Ao analisar o que é o Bem em relação à atração que exerce sobre todos os seres, Plotino distingue três questões — se o Bem é para um ser só ou para todos; se é tal por ser desejado ou por natureza própria; se o que aspira ao Bem recebe algo dEle ou o frui — e resolve-as a partir da anterioridade lógica do terceiro ponto.