Uno altíssimo

GARCÍA BAZÁN, Francisco. Plotino y la mística de las tres hipóstasis. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: El Hilo De Ariadna, 2011.

O curso de 258-259, resumido em Enn. VI,9 (9) — “Sobre o Bem ou o Uno” —, o mais místico dos tratados de Plotino, é dedicado inteiramente ao aprofundamento das meditações sobre o Uno altíssimo, começando com o enunciado que presidirá todo o conteúdo.

Para chegar a conhecer com propriedade a natureza do Uno, é necessário entrar em familiaridade com os seres mais perfeitos ou unitários, pois são imagens mais próximas do Uno, e em seguida sobrevolar o limite superior do Intelecto.

Ao distinguir o Uno da unidade numérica ou do ponto, Plotino esclarece o sentido metafísico e não aritmético do termo, aprofundando a noção de Potência ou Possibilidade Universal.

A Autossuficiência é equivalente ao termo Potência e denota absoluta falta de necessidades e plena capacidade — atributo que só ao Uno pode ser aplicado com sentido rigoroso, pois qualquer composição aponta para dependência.

O Uno é Bem — não porque deseje algo, mas porque é objeto do desejo de tudo o mais — e, por nada desejar nem sequer a si mesmo, é Suprabem: há algo para o que não é um bem, que é para Ele mesmo.

A partir do capítulo sétimo, a experiência da Primeira Hipóstase como fundamento último passa a autojustificar a doutrina sobre Ela, e Plotino usa novas designações e metáforas para descrever a relação do Uno com os seres.

Em Enn. VI,9, pela primeira vez nas lições plotinianas, o caráter da natureza do Bem é estabelecido com exatidão e precisão filosófica — superando coerentemente a tese anterior da Primeira Hipóstase como kalós kai agathós — ajustando-se Plotino à letra do Parmênides e desenvolvendo as virtualidades da doutrina aritmológica das correntes platônico-pitagorizantes, especialmente de Espeusipo.