BRUN, Jean. Platão. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.
A escola que Platão fundou nos jardins de Acádemos, perto de Atenas, constitui o primeiro instituto verdadeiramente organizado para receber alunos. Biblioteca, sala de aula, dormitórios, etc., conferem aos estudos filosóficos um caráter novo. A escola funcionava de acordo com programas e pessoas de todas as partes vinham assistir às aulas. Muitos alunos formados na Academia iriam difundir, por toda a região do Mediterrâneo, as ideias de Platão e, talvez sobretudo, suas ideias políticas.
Pouco depois, uma nova escola, o Liceu, seria fundada por um ex-aluno de Platão: Aristóteles. A partir do século III a.C., surgem outras duas escolas: o estoicismo e o epicurismo. Essas quatro escolas sobreviverão aos seus fundadores por séculos, e sua influência permanecerá muito viva ao longo de toda a Idade Média.
Vimos que, em cada uma de suas viagens à Sicília, Platão deixava a direção da escola a cargo de um substituto; após sua morte, os escolarques se sucederam, perpetuando com mais ou menos fidelidade o pensamento do fundador. Platão foi sucedido por seu sobrinho Speusippo. Ele dirigiu a escola até sua morte em 339; era muito próximo de Dion e provavelmente participou da preparação do desembarque deste na Sicília. Das numerosas obras de Speusipo, nada nos resta; sabemos simplesmente, por Aristóteles, que ele substituiu as ideias por números.
Xenócrates o sucedeu até 314; depois foi a vez de Polemão de Atenas, que morreu em 270, e de Crates.
Vale ressaltar que Heraclides do Ponto, que ingressou na Academia por volta de 367, assumiu a direção da escola quando Platão partiu novamente para a Sicília em 361 com Speusippo e Xenócrates; com a morte de Speusipo, Heraclides regressou à sua pátria, Heracleia, às margens do Mar Negro, para fundar ali uma escola de renome.