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Da composição da alma segundo o Timeu
A composição da alma é inteiramente simbólica, não significando a criação de substâncias reais pelo poder divino.
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A substância da alma, com sua essência de potência ativa e passiva, preexiste à intervenção divina.
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Essa essência é determinada desde toda a eternidade como causa e princípio do movimento.
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Tal movimento, embora possua alguma ordem, demonstra uma imperfeição ou mal inerente que a potência divina pode curar, mas apenas por tempo limitado.
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Conforme Plutarco, toda a composição da alma e a ação divina devem ser entendidas como uma ordenação de faculdades confusas.
Interpretação contra a visão aristotélica
Não se pode admitir, contra a opinião de Aristóteles, que Platão tenha feito a alma posterior ao movimento ou composta de elementos corpóreos.
Análise psicológica da composição da alma
A alma é una, simples e absolutamente indivisível em sua essência, mas sua ação é necessariamente divisível e múltiplo.
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Quando a alma se eleva à contemplação do absoluto, ela permanece perfeitamente una e indivisível.
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Quando considera as coisas sensíveis e particulares, ela é partilhada entre elas, ocorrendo uma divisão numérica não no espaço, mas na duração.
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A divisibilidade na ação intelectual da alma não prejudica sua unidade essencial, que é plena de potências diversas.
As três essências como faculdades da alma
A alma tem por essência o movimento espontâneo, isto é, o pensamento, que se manifesta em diferentes modos.
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Existem três formas de pensamento, operadas por dois movimentos principais.
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O movimento circular superior é o do “mesmo”, invariável e indivisível; o círculo inferior, do “outro”, é dividido em seis movimentos diferentes.
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O elemento constante, absoluto e universal no pensamento é o infinito, ou o próprio Deus presente em nós, não como substância, mas como influência.
A essência mista e as ideias gerais
A essência mista e intermediária é a harmonia ou proporção que Deus emprega para tornar as substâncias fixas e estáveis.
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Trata-se do instrumento que permite introduzir o elemento geral e a unidade lógica na sensação pura.
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O espírito se modifica pelas noções que adquire, tornando-se semelhante ao que concebe: divisível ao conceber o divisível, ideia ao conceber a ideia.
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A função da essência mista da alma é reduzir o sensível ao inteligível, a pluralidade à unidade e o individual ao geral.
Divisão harmônica da alma
A divisão operada por Deus na alma, segundo números harmônicos, tem por objetivo dispor harmonicamente as partes que compõem sua substância total.
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Não se trata de dividir a substância da alma para distribuí-la entre os seres.
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Em uma substância una e indivisível, cuja essência é pensar, a divisão só pode ser compreendida como uma disposição interna de faculdades.
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Como a alma é uma harmonia de faculdades ou forças, a unidade se decompõe em faculdades com diferenças e relações que concorrem para a perfeição do todo.
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Em cada operação, a alma está presente inteiramente, sendo o corpo que a divide ao se comunicar a todas as partes.
A alma do mundo
A alma do mundo, invisível e imaterial, possui pensamento e harmonia, participando assim da natureza eterna e inteligível.
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Princípio eterno do movimento espontâneo, ela persiste eternamente em seu ser e no mesmo ser.
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Eterna quanto à substância e à essência, ela é engendrada no tempo quanto à perfeição de sua forma, por uma comunicação que só pode ser uma influência espiritual e voluntária.
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A alma do mundo é um deus cuja função própria é criar eternamente, na matéria eterna, formas grosseiras pelo movimento.