Bem e Virtudes

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A alma não pode adivinhar o que é o bem, nem definir com precisão sua natureza, mas pode ao menos dele obter uma noção aproximada contemplando sua imagem mais brilhante, o sol.

O prazer pertence à classe das coisas infinitas e não pode ser o bem, que possui toda a plenitude da perfeição, enquanto a inteligência pertence à classe do finito e é do mesmo gênero que a causa.

O bem é uma ideia complexa ou universal que envolve três ideias: a verdade, a medida e a beleza, sendo a razão seu elemento fundamental por presidir à mistura, mas não o único elemento.

Assim como para Kant a virtude só pode ser considerada o bem supremo quando a ela se une a felicidade, Platão também considera que o bem para o homem deve unir a virtude ao prazer que é seu cortejo.

Platão não indicou com a precisão de Kant a distinção entre agir por dever e visar a felicidade, e sua moral pode ser acusada de compreender um prazer sentido pela sensibilidade.

O dualismo do bem (virtude e prazer) é o fundamento comum do Filebo e da Razão prática, mas a virtude é o maior e o único verdadeiro bem para o homem.

O amor da verdade é a primeira marca da sabedoria, pois conhecer Deus é conhecê-lo tal como ele é, e dessa primeira virtude decorrem e dependem todas as outras.

Para conhecer a verdade sobre a virtude e o vício, a alma deve possuir afinidade com o objeto que quer conhecer, além de penetração de espírito e facilidade de memória.

Todas as virtudes dependem de qualidades e faculdades puramente intelectuais do entendimento, como a penetração do espírito e a solidez com a facilidade da memória.

A coragem não é simplesmente uma ciência, pois os médicos e os lavradores sabem o que é de se temer em sua arte sem serem por isso mais corajosos, nem uma violência brutal, pois os loucos, as crianças e os animais privados de razão que enfrentam o perigo sem conhecê-lo não são corajosos.

A temperança é a potência da alma de dominar seus prazeres e seus desejos, apaziguando as divisões interiores causadas pelas paixões e ideias contrárias.

A justiça é a virtude pela qual o homem, em sua conduta para com os outros e para consigo mesmo, faz apenas o que lhe pertence fazer, o que é ao mesmo tempo seu dever e seu direito.

A educação tem dois métodos: um antigo, que consiste ora em ralhar com severidade, ora com doçura (exortação), e outro que consiste em ensinar.