Sensibilidade

Chaignet: Livro

A distinção entre prazeres que ocorrem por intermédio de movimentos fisiológicos na sequência de sensações e aqueles que se manifestam sem sensação na alma sozinha.

O prazer pertence à classe da aparência, da imitação do ser, do acidente fenomênico e relativo, sendo inimigo da medida, da forma e da beleza.

O prazer e a dor podem se misturar de diferentes maneiras: ora no corpo, ora na alma, ora simultaneamente em ambos, produzindo estados de alegria e sofrimento concomitantes.

Existem prazeres misturados que a alma recebe apenas em si mesma, constituindo as paixões como a cólera, o medo, o desejo, a tristeza, a piedade, o amor, o ciúme, a inveja e outras semelhantes.

Existem prazeres sem mistura, puros, não precedidos, acompanhados ou seguidos de qualquer dor, constituindo os prazeres reais e verdadeiros.

A beleza é mais acessível ao homem do que as outras essências, graças ao mais luminoso dos sentidos e ao mais sutil dos órgãos.

Existe uma diferença entre o prazer acompanhado de ciência ou de opinião reta e o prazer que nasce frequentemente acompanhado de mentira e ignorância.

A paixão é um mal e um sofrimento, constituindo um estado da alma onde a razão já não ilumina nem comanda, sendo difícil defini-la e classificá-la.

A essência de um ato moral consiste não em uma inclinação, mas em uma determinação livre, espontânea, voluntária e inteligente, diferindo da inclinação por seu objeto e pelo controle da alma.

Platão não fez todas essas distinções sobre a paixão e o amor, tendo feito do amor um desejo, mas a análise desses fenômenos psicológicos profundamente distintos exige que se separem esses dois ordens.