Psicologia de Platão

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DE LA PSYCHOLOGIE DE PLATON


O ato da conhecimento é um ato real e certo, implicando primeiramente o ser, e no ser o movimento e o repouso.

É impossível acreditar que o ser no qual se produz o conhecimento sob todas as formas seja outra coisa que não uma alma.

O homem é dotado de dois tipos de conhecimento, que a consciência revela como reais e diferentes: a Inteligência e a Opinião.

Não se pode conceber uma ciência falsa, pois o próprio ser que tem apenas opiniões não pode formá-las sobre um nada de existência.

A definição do ser, segundo Platão, é: tudo o que possui a potência de exercer uma ação qualquer ou de recebê-la, por menor que seja.

Os diversos gêneros de seres correspondem às duas formas que reveste o conhecimento: a razão pura e a opinião.

Há um terceiro gênero de ser, reconhecido pela necessidade de expor e explicar claramente a verdade das coisas: o lugar eterno, a matéria.

A matéria real não pode ser concebida na privação absoluta de todas as formas; seus germes agitam-se como num caldo em fermentação, como numa espuma no fervilhamento informe do caos.

O ser puro e absoluto, o devir e a matéria são de toda a eternidade, porque são pensados necessariamente.

O mundo visível é um imenso e universal devir, possuindo portanto uma alma eterna.

Platão declara que essas causas necessárias, agindo espontaneamente na matéria, são privadas de razão e de inteligência, fazendo a primeira coisa que vem sem regra.

O mal e o feio no mundo conduziram Platão a supor a existência de dois princípios, pois se o Deus bom fosse o único autor, o mal não se introduziria.

Apesar das críticas, a metafísica da alma em Platão contém os princípios certos e luminosos da verdadeira metafísica, isto é, uma psicologia admirável e profunda.

A interpretação da doutrina platônica apresentada tem contra si graves autoridades, sobretudo a de Aristóteles, tal como exposta por M. Ravaisson.

A expressão díade indefinida não pertence a nenhum dos diálogos de Platão, e não se pode controlar a afirmação de Aristóteles de que era usada nos ensinamentos secretos.

O não-ser do Sofista, ou o gênero do outro, não é uma definição destinada a conciliar a coexistência da matéria com a unidade e imutabilidade de Deus.

A existência da alma é demonstrada pelo movimento, do qual ela é o princípio, e a existência de um Deus que vive, ama, pensa, move e governa o mundo é afirmada contra a doutrina absurda da imobilidade absoluta dos Eleatas.