O caráter distintivo e específico do ser vivo é a simpatia (συμπάθεια), o fato de que todas as partes de um ser sentem uma impressão comum devido a uma causa que age sobre uma delas.
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A simpatia é a própria unidade ou seu efeito imediato, e jamais a justaposição (παράθεσις) produz tal simpatia.
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A alma deve ser simpática a si mesma para ser princípio da vida e do pensamento, e para ser simpática a si mesma, deve ter uma natureza diferente da dos corpos.
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O próprio corpo ou qualquer grandeza não se explica pela simples justaposição das partes; é necessária uma força que as una, forme um todo e as mantenha nele.
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A matéria é algo simples por essência, desprovida de toda forma e qualidade, tendo recebido essas formas e qualidades de alguma causa (a forma).
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A alma não pode ser um corpo, pois o próprio corpo só existe pela forma; ela não é uma substância (οὐσία), mas sim um certo estado passivo da matéria (πάθος τῆς ὕλης).
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Algo diferente da matéria, que modifica a matéria e os elementos materiais, imprimindo-lhes um movimento ordenado, é o agente diretor da vida (τὸ κοσμῆσον τῆς ζωῆς), necessariamente exterior e superior a toda natureza corporal.
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A matéria que entra na constituição do corpo o torna essencialmente cambiante e fluido, conduzindo-o rapidamente à destruição, mesmo que se chame de alma um de seus elementos materiais.
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Se a alma é um corpo, experimentará o mesmo destino que todos os corpos; não haveria mais corpos, mas apenas uma matéria em movimento constante, sem direção e sem forma, tendo-se eliminado a força que pode dá-las.
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A própria matéria não existiria se fosse considerada o único elemento das coisas; o mundo se perderia no nada se pudesse ter nascido.
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Nada se resolve atribuindo arbitrariamente a função ordenadora e reguladora de uma alma a um corpo qualquer (ar ou pneuma), pois esse corpo não pode possuir sua essência (que supõe unidade permanente) sem uma força diferente que reúna e contenha seus elementos.
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A assistência dessa força não pode dar ao corpo uma unidade real e durável, porque ele não a possui por si mesmo.
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Se se suprime o princípio incorpóreo que faz as partes de um todo concorrerem para sua unidade e ordem, nem os elementos dos seres nem o mundo e cada ser vivo podem existir.
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Os próprios defensores da doutrina materialista são forçados a admitir uma espécie de alma anterior ou superior ao corpo, imaginando um pneuma que possui alma (ἔνουν) ou um fogo intelectual (νοερὸν πῦρ), procurando um substrato corporal para edificar a alma, quando na verdade é nas potências da alma que estão os fundamentos do corpo.
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Se a alma e a vida não fossem outra coisa senão o pneuma, não se acrescentaria ao termo uma diferença específica (πρός ἔν); todo pneuma não é uma alma, há mil pneumas sem alma (ἄψυχα), e apenas o pneuma πρός ἔν é ou pode ser uma alma.
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Se esse modo de ser do pneuma (ἡ σχέσις) é um ser real (τῶν ὄντων), diferente da matéria e do substrato, imaterial embora engajado na matéria, não pode ser senão uma razão (λόγος) contendo potências e atos, residindo em uma alma, emanando das Idéias, das quais é uma imagem.