Chaignet: LIVRO
A filosofia de Plotino é caracterizada como uma ciência racional que busca a verdade, afastando-se de uma interpretação puramente mística.
A psicologia ocupa uma posição central e primordial na filosofia plotiniana, sendo a ciência da alma o princípio e o começo de toda a ciência filosófica.
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A psicologia é o centro da filosofia porque o conhecimento da alma é a condição para se conhecerem os dois mundos dos quais ela é o limite: o devir e o fenômeno, e o mundo das ideias e do Uno.
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Um preceito divino prescreve o autoconhecimento, conhecendo a alma na qual esses dois mundos se penetram e se unem, e ela está presente em todas as coisas e no Todo.
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A natureza é uma alma, os animais e vegetais participam da vida e da razão, toda vida é um pensamento, o animal é uma ideia, e a própria matéria é uma forma, ainda que a última das ideias.
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O tempo é a vida da alma no movimento, o espaço é a matéria já limitada pela ideia que está na alma, e o astro é uma manifestação da razão, assim como a terra possui uma alma.
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A ação tem o pensamento como fim, o desejo é um pensamento, o ser é pensamento, e a virtude e a felicidade consistem no pensamento, estando o Uno ligado à alma como a causa está unida ao seu efeito.
O autor justifica a escolha de começar a exposição do sistema pela psicologia, com base na própria natureza da filosofia plotiniana.
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A análise psicológica da alma humana, que revela que não é bom para o homem ficar só, serve de base para o princípio de que o Uno não podia ficar sozinho.
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A hipótese de uma existência anterior da alma é fundada em uma observação psicológica, na qual
Plotino descreve despertar e sair do corpo para ver uma beleza maravilhosa, unindo-se ao divino.
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A ciência do ser, para a alma humana, é a consciência de sua própria natureza, e a psicologia se confunde em certa profundidade com a ontologia.
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Longino, em carta a
Porfírio, solicita com mais instância os tratados da alma e do ser, e a coleção de
Porfírio se abre com um livro sobre a existência e a distinção entre alma e corpo.
A observação dos fenômenos psicológicos em si mesmo revela a existência de uma alma e aponta para a necessidade de um princípio superior e uno.
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Observam-se em si mesmo fenômenos de natureza emocional e afetiva, o que prova a existência de uma alma, pois os corpos são incapazes de experimentar sensações.
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Além de sentir, tem-se a consciência de que se pensa, havendo dois tipos de pensamento: o discursivo e o intuitivo, aos quais estão unidos um entendimento discursivo e uma razão pura.
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O caráter comum dos fatos que manifestam a vida complexa da alma é a unidade, mas essa unidade é imperfeita, tanto na vida quanto no pensamento.
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Toda vida e todo pensamento tendem à organização e à unidade, o que prova que não a possuem, sendo necessário um princípio superior e diretor que possua a unidade e a gere.
Parte Primeira: Teoria da Alma
A filosofia, nascida do desejo de saber, é uma ciência que tem por objetos a dialética, os princípios, as formas e as regras do conhecimento.
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A dialética, parte mais considerável da filosofia, não se contenta com uma opinião, mas se esforça por conhecer a essência de cada ser, suas diferenças e semelhanças, e o lugar que ocupa.
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Por meio do método da divisão, a dialética distingue as ideias, define as coisas e determina os primeiros gêneros dos seres, ligando ou dissolvendo as noções por meio da análise.
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A dialética contém a lógica como uma arte prática e subordinada, que ensina a manejar proposições e silogismos, sendo uma verdadeira nutrição da alma.
O conhecimento da alma é o mais digno de ser estudado, pois é ela que se coloca os problemas e deseja encontrar soluções, além de abrir a inteligência sobre a natureza e a vida.
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É necessário, antes de buscar qualquer outro conhecimento, conhecer a natureza e a essência da própria potência de conhecer, pois o conhecimento de si mesmo é o conhecimento da natureza do pensamento.
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A alma está colocada no limite e no ponto de contato dos dois mundos, e o conhecimento dela permite compreender ambos, pois ela os contém em si mesma.
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Ao se conhecer, a alma não pode deixar de perguntar de onde ela vem, terminando por conhecer sua origem, o que faz da filosofia a mais nobre e preciosa das ciências.
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Existem ciências inferiores e imperfeitas que servem de iniciação, como a matemática, e outras que fazem parte da filosofia, como a teoria das artes e do belo.
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O amor, que é sempre amor do belo e do bem, deve ser bem dirigido e conduzir à filosofia, como uma asa poderosa que ajuda a alma a voar para sua pátria celeste.