Sentidos Particulares

Chaignet: LIVRO

O conhecimento sensível se opera por meio de órgãos corporais, através dos quais a alma entra em relação íntima com os objetos exteriores e estabelece com eles uma espécie de comunidade de afecção.

Um intermediário material entre o objeto e o órgão não é necessário, pelo menos para a visão, pois, se ele for diáfano, não contribuirá para a visão, e, se for obscuro, será um obstáculo, já que a função do olho é ser afetado pela cor.

A continuidade existe pelo ar, mas o ar é por si mesmo obscuro; quando iluminado, deixa chegar aos olhos as imagens, sem sofrer divisão nem cessar de ser contínuo.

A luz, não sendo um corpo nem uma modificação do ar, mas o ato do corpo luminoso, aparece e desaparece com ele; sendo incorpórea, não pode ser afetada pelo objeto visível.

As mesmas explicações podem ser repetidas a respeito do fenômeno da audição, no qual o ar também não é um médium, mas a condição própria do som.

Há sons inarticulados e sons articulados, que diferem pela ação diferente dos objetos sonantes.

O fato dessa simpatia entre as coisas sensíveis e os sentidos prova a unidade do mundo, que só ela pode produzir.

É o si mesmo que sente, mas sentir não é a função própria, embora nunca cesse durante a vida.