Livro dos mistérios egípcios

Chaignet: LIVRO

Esforços para conciliar o helenismo com o cristianismo

Os esforços de Iamblico e de seus sucessores visavam demonstrar que o politeísmo helênico podia satisfazer tanto a razão e a ciência mais severa quanto as necessidades religiosas mais puras da alma, em uma tentativa de sustentar a luta contra o cristianismo.

O conhecimento e a união com o divino

O conhecimento não é a união com o divino, pois entre o conhecimento e seu objeto há uma espécie de separação e diferença, aplicando-se isso aos homens e aos seres superiores a nós, mas inferiores aos deuses, como demônios, heróis e almas perfeitas.

A singularidade do conhecimento divino

A conhecimento dos deuses está isento de toda contradição, elevando-se acima do princípio da razão e da dialética, e não consiste em um consentimento que ocorre no tempo, mas coexiste com a alma eternamente e sob uma forma idêntica.

Identidade e diferença entre deuses e almas

A diferença que subsiste na conhecimento racional entre objeto e sujeito se apaga quando se trata da concepção dos deuses, restando apenas uma diferença de graus na perfeição, sendo o superior unido ao inferior como a alma é unida ao corpo.

A corporalidade dos deuses celestes

A corporalidade não estabelece diferença de essência, pois as divindades siderais são deuses apesar de serem visíveis, já que não são envolvidas por seus corpos, mas ao contrário, eles envolvem seus corpos com suas vidas e atividades divinas.

A natureza dos demônios e sua distinção dos deuses

Os demônios são divindades inferiores por terem um corpo, mas o fato de velar por seu corpo não diminui sua dignidade quando o corpo obedece docilmente à alma, é contido pelo elemento superior e não lhe oferece obstáculo.

A bondade dos deuses e a participação da matéria

Não existem deuses maus, apenas deuses bons que nos procuram sempre coisas boas, mas seus corpos são dotados de propriedades inumeráveis que se estendem pelo sistema das coisas fenomenais e até mesmo nas coisas individuais.

A arte da teurgia e seus fundamentos materiais

A arte da teurgia buscou e encontrou os elementos materiais, receptáculos naturais de cada deus segundo seu caráter particular, combinando minerais, vegetais, animais e aromas sagrados para compor uma matéria que possa ser para um deus uma morada perfeita e pura.

A superioridade dos símbolos teúrgicos sobre o pensamento

Não é um pensamento racional que liga os teurgos aos deuses, pois os filósofos especulativos não possuiriam então a união teúrgica com os deuses, o que eles não possuem de fato sob essa forma.

A ação dos deuses sobre si mesmos e a função da prece

Os deuses não são postos em movimento por nenhuma coisa inferior, mas apenas por si mesmos, devido à analogia de essência entre os símbolos divinos e as divindades a que se referem.

Duas modalidades de culto teúrgico

É necessário distinguir os deuses materiais (que contêm e envolvem a matéria, dando-lhe ordem e beleza) dos deuses imateriais (absolutamente libertos da matéria e que a dominam), devendo-se começar as práticas hieráticas pelos deuses materiais.

Os dois tipos de sacrifício e a superioridade do culto racional

Existem duas espécies de sacrifícios: os dos homens absolutamente purificados, que adoram exclusivamente pelo silêncio o ser supremo, e os sacrifícios materiais e corporais, que convêm aos homens ainda aprisionados no corpo.

Conclusão sobre a filosofia e a teurgia

A filosofia é considerada pela própria teurgia como uma ciência distinta e superior, pois a união da alma com Deus é o objetivo que ambas perseguem, mas há um modo filosófico de alcançá-la, de uso mais restrito, porém de ordem mais elevada e mais perfeita.

A crítica do autor do Livro dos Mistérios aos Gregos

O autor do Livro dos Mistérios reconhece as dificuldades da empresa de fixar dogmas, atribuindo-as à resistência do espírito nacional grego, que ama a novidade e é refratário a toda lei.