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Plotino coloca no início do § 7 o ser como primeiro gênero, sendo a vida primeira essência e movimento.
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O ser é um gênero que tem várias espécies, e a alma não é o ser mesmo, mas um ser (ti on), pois a essência é uma parte do conjunto que é a alma, mas não esse conjunto.
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O ser (to on) é o primeiro gênero do ser, e
Plotino emprega indiferentemente os termos to on e he ousia para qualificá-lo, demonstrando a ausência de terminologia fixa.
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O movimento é estabelecido como segundo gênero, sendo o movimento que é comum a toda vida, e a vida primeira é essência e movimento.
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A vida era apenas um sucedâneo do movimento, a manifestação em um nível inferior do movimento, e a inteligência contém efetivamente esses dois gêneros: o ser e o movimento.
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A separação do movimento e do ser é feita pelo pensamento, e uma comparação com a sombra do ser nas coisas sensíveis ajuda a compreender essa divisão dos gêneros.
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O movimento não deve ser subordinado ao ser nem colocado nele como em um sujeito, pois ambos estão no mesmo plano e suas duas naturezas não fazem mais do que uma.
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O movimento se manifesta no ser sem que o ser saia de sua própria natureza.
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O repouso é o terceiro gênero, sendo mais evidentemente próximo do ser do que o movimento, podendo ser assimilado à realidade imutável de um ser eterno.
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O repouso é diferente do ser e do movimento, sendo necessário manter a cada gênero sua existência própria.
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Assim como se separa o movimento do ser, separa-se também o repouso do ser pelo pensamento, para fazer dele um novo gênero nos seres.
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Recusa-se a confusão que adviria da ausência de diferença entre os gêneros, pois não poderia haver um gênero único que resumisse todos os outros.
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É necessário admitir vários gêneros: o ser, o movimento e o repouso formam três gêneros distintos.
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A conclusão de
Plotino assemelha-se estreitamente à da dedução dos gêneros do ser no
Sofista (254b e seguintes), onde
Platão recapitula os gêneros maiores.
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Plotino não cessa de sublinhar a união mútua que liga os gêneros, encontrando-os contidos uns nos outros, ao mesmo tempo em que os apresenta como separados para provar sua realidade autônoma.
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Os temas da separação (khôrismos) dos gêneros e de sua comunidade mútua (koinônia tôn genôn) já haviam sido desenvolvidos no
Sofista.
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O mesmo e o outro são o quarto e o quinto gêneros, derivando o outro da relação que os três primeiros termos têm entre si e o mesmo da redução à unidade.
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Ao deduzir o mesmo e o outro a partir dos três primeiros gêneros,
Plotino ajusta-se a
Platão e particularmente à passagem correspondente do
Sofista (254d4-255c7).
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O mesmo e o outro abandonam o simples estatuto de atributo para se erigirem em gêneros autônomos, totalizando cinco gêneros.
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Os gêneros não são componentes diretos da inteligência, pois esta é feita das ideias (eidê) ou da soma de todas as idealidades, sendo os gêneros descobertos na relação que se estabelece entre seus elementos ou no interior de cada ideia.
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O domínio dos gêneros pertence não apenas à ontologia, mas também à lógica.
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Plotino detalha a composição da inteligência utilizando a metáfora da visão: um olhar fixado sobre ela a desvela, revelando um mundo inteligível organicamente estruturado por seres, vida e pensamento.
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O texto de
Platão que
Plotino visa não pode ser senão a passagem do
Sofista (248e-249d), onde
Platão aborda o mundo inteligível com a doutrina do ser totalmente real (ser, alma, vida, pensamento) e onde o conceito de inteligência desempenha um grande papel.
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Os intérpretes divergem sobre se o movimento se atribui diretamente às ideias, mas o ser totalmente real designa o conjunto do mundo inteligível e não as ideias sozinhas.
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Acredita-se que
Platão queira falar da inteligência nessa passagem, pois é inconcebível que o ser total seja vazio de intelecto (noun ouk ekhon).
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O
Sofista, em geral, porta mais sobre um estudo das ideias e de suas relações do que sobre a inteligência, sendo o trecho anterior apenas provisório e circunstancial para refutar os Amigos das Ideias.
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Enquanto
Platão fala em geral das ideias,
Plotino faz uma filosofia da inteligência, apoiando-se nessa única passagem para fazer dela a regra geral.
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A inteligência é uma idealidade hipostasiada: pelo seu aspecto hipóstase, ela reúne em si todos os elementos e funciona como uma totalidade homogênea, ocupando o lugar que as ideias ocupavam.
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Pelo seu aspecto idealidade, a inteligência prolonga a teoria platônica das ideias, sendo um sistema complexo onde a ideia desempenha um papel essencial.
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Os gêneros se inserem entre as ideias e no seio de cada ideia, organizando as relações que elas têm entre si e participando de um grau mais fino do que as ideias à infraestrutura do mundo noético.
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À medida que aparecem os cinco gêneros no domínio das ideias, elabora-se a hipóstase da inteligência.