CROUZEL, Henri. Origène et Plotin: comparaisons doctrinales. Paris: P. Téqui, 1992.
O décimo tratado (V, 1, 1) (1-10) começa com uma lamentação sobre as almas que, fazendo mau uso de seu livre arbítrio, querendo pertencer apenas a si mesmas, esqueceram que Deus era seu pai e que vinham de cima: em outras palavras, que eram “partes” (μοίρας) de cima. Precipitando-se na direção oposta à sua origem, elas ignoraram de onde vinham. Plotino as compara a crianças arrancadas de seus pais desde o nascimento, criadas longe deles e, por essa razão, sem conhecer nem eles nem seus pais. Mais adiante, trata-se da procissão da Inteligência a partir do Um (V, 1 (10) 7, 1-6). A Inteligência é a imagem (εικών) do Um: de certa forma, o gerado é aquele que o gera, ele conserva muitas de suas características, ele tem uma semelhança (όμοιότῆς) com ele. No entanto, a Inteligência não é o Um. Encontramos novamente o jogo das antíteses. As noções de imagem e semelhança, expressas por várias palavras, têm importância no exemplarismo platônico, assim como na patrística primitiva. Aquele que gera faz à sua imagem. E a produção da Inteligência é assim expressa: o Um “vê voltando-se (20) para ele; essa visão é a Inteligência”. De fato, a Inteligência é caracterizada pela dualidade sujeito/objeto: ela é ao mesmo tempo inteligência e inteligível.