Matéria

DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.

De acordo com uma segunda linha de raciocínio na filosofia de Plotino, a intermediação pela alma pode não ser necessária, pois a matéria participa diretamente do mundo inteligível e o mundo sensível pode ser produto direto do Noûs.

Para Plotino, a matéria é não-ser — mais precisamente, tem o ser do não-ser (III, 6, 6, 30-32) — e sua natureza é ser impassível, inalterável e ser em potência, nunca em ato.

A impassibilidade da matéria exclui qualquer união verdadeira entre matéria e forma no mundo sensível de Plotino, e não há emanação no sentido de um fluir literal que envolva diminuição ou alteração da própria substância do Noûs.

Plotino compara a matéria a um espelho e os “seres” que estão “nela” às imagens num espelho — analogia que ilustra excelentemente toda a doutrina plotiniana da matéria e das coisas sensíveis.

A comparação da matéria com um espelho precisa de correção: o espelho que é a matéria não está separado espacialmente do ser real, pois o universo inteligível não está nem longe nem perto do universo visível (VI, 4, 2, 48).

A “participação” é o contato da matéria com o mundo inteligível, pelo qual a matéria recebe o que pode receber — mas a matéria “participa e não participa” do mundo inteligível (VI, 4, 8, 41-42), porque por essa participação o mundo inteligível não é dissipado e a matéria não é afetada.