Katharsis

FESTUGIÈRE, André-Jean. Contemplation et vie contemplative selon Platon. Paris: Vrin, 1936.

A purificação filosófica em Platão é uma transposição, para o plano espiritual, das exigências rituais de pureza necessárias para aceder ao sagrado.

A distinção entre uma virtude popular, de origem social, e uma virtude verdadeira, fundada no conhecimento, é central para se compreender a novidade da moral platônica.

A República de Platão expõe o drama de uma juventude pervertida pela educação sofística, que leva ao niilismo, e contrapõe a ele a necessidade de uma nova fundamentação para a justiça.

A verdadeira virtude, distinta do mero cálculo de interesses, consiste na purificação das paixões e na disposição da alma conforme a natureza, visando a contemplação do Bem.

Nos diálogos tardios, como o Teeteto e as Leis, Platão mantém a preeminência da contemplação e a necessidade da purificação como fuga do mundo sensível para a imitação de Deus.