Theoria

FESTUGIÈRE, André-Jean. Contemplation et vie contemplative selon Platon. Paris: Vrin, 1936.

O mundo inteligível pode ser imaginado como um duplo espiritual do mundo sensível, com a abóbada celeste servindo como linha de partilha.

A natureza da visão inteligível

A palavra “teoria”, como visão do intelecto, expressa uma realidade, mas é necessário evitar uma interpretação meramente imaginativa.

A essência como fundamento da ciência

O fundamento da ciência reside na necessidade de delimitar com certeza um objeto estável e imutável.

A crítica da hipóstase das Formas

A crítica aristotélica sugere que as Formas seriam apenas definições hipostasiadas, um duplo inútil do mundo sensível.

O problema do fundamento da verdade

Suprimir a realidade do inteligível leva a negligenciar o problema do fundamento da verdade do juízo.

O argumento platônico pela imutabilidade

A ciência supõe a imutabilidade dos objetos do pensamento e a necessidade lógica das relações que os ordenam.

O movimento da alma e a necessidade do ser

Para Platão, o espírito está em constante movimento e não pode impor ordem aos fenômenos se não puder tirá-la dos sensíveis ou de si mesmo.

A necessidade da reminiscência para a contemplação

A Forma é uma essência e essa essência é o ser, mas isso não resolve a questão de saber se esse ser pode ser oferecido à contemplação.

A contemplação terrestre como relembrar

A contemplação terrestre é a continuação imperfeita de uma contemplação outrora fácil e plena, que se completará após a morte.

A certeza platônica como verdade de fato

Apesar de resultarem de inferências, as Ideias, a vida anterior e o relembrança são aceitos por Platão com uma certeza que se assemelha à de um axioma.

A contemplação como união imediata com o ser

Esse contato com o ser constitui a originalidade mais profunda da filosofia platônica e justifica a ciência como contemplação.

Diferenças entre o Cogito cartesiano e o contato platônico

Há uma grande diferença entre o contato gerador da filosofia platônica e o Cogito, que é a mesma diferença que separa os dois idealismos.

O objeto supremo da contemplação

Quando Platão progride até o último cimo, a Ideia onde ele para não é a Forma de um objeto artificial, mas o gênero supremo denominado Belo, Bem ou Um.

A concentração do intelecto como condição

A análise conjugada do Fédon e do Banquete permite distinguir dois movimentos na démarche platônica para a contemplação.

A extase e o despojamento do objeto

O resultado da concentração é uma extase onde o espírito pertence à ideia, e quanto mais a ideia se despe, mais o espírito também se despe.

A dialética ascendente do Banquete

A dialética ascendente do Banquete compreende duas operações: a abstração qualitativa e a abstração quantitativa.

A ciência suprema e a intuição final

Partindo das ciências, chega-se à ciência última que tem por objeto o Belo soberano, conhecendo, enfim, o que é belo por si só.

A diferença entre a visão gradual e a visão total

Há uma grande diferença entre o “theorein” gradual que marca as etapas da iniciação e a “thea” total que a completa.

Os caracteres negativos do Belo supremo

O filósofo é reduzido a multiplicar as negações para descrever a beleza maravilhosa que aparece de repente.

A Forma indefinível como princípio primeiro

O caráter que decide a natureza do Belo supremo é o fato de não poder ser objeto de definição ou ciência, diferindo das outras Formas.

A contemplação como causa formal da ciência

A epopteia não é apenas a causa final de toda a contemplação, mas também a sua causa formal.

O agenciamento da teoria platônica

A teoria platônica é contemplação porque ela acaba num contato imediato entre o pensamento e o ser, contato que se prolonga na visão sinótica.

Os passos da dialética para a contemplação

Os laços de dependência entre dialética e contemplação podem ser resumidos em passos que vão da vista física do sensível até à ciência completa das realidades.

O contexto histórico da busca pelo ser

Essa busca do ser em Platão corresponde a necessidades determinadas de um momento preciso da história do pensamento, marcado pelos sofistas.

A resposta de Protágoras

Protagoras, com o seu axioma “O homem é a medida de todas as coisas”, oferecia uma resposta que reduzia o ser à aparência individual.

As posições de Xeníades e Górgias

Xeníades de Corinto e Górgias de Leontinos levaram o raciocínio a conclusões ainda mais radicais sobre o não-ser.

As consequências morais e metafísicas do ceticismo

O ensino dos sofistas sobre as bases da filosofia induzia ao ceticismo e tinha consequências diretas no domínio da moral.

A resposta de Platão: a intuição primeira do ser

Platão não podia se fiar nem nos sentidos, sempre instáveis, nem no raciocínio sozinho, pois a conclusão de um silogismo só apreende o ser se o ser já estivesse apreendido nas premissas.

A ciência platônica como verdadeira contemplação

Esse sentimento imediato do ser, nomeado uma visão, faz com que a apreensão do ser Belo, Bem ou Um possa ser dita uma contemplação e que a ciência platônica seja verdadeiramente contemplativa.