Transposição do Conhecimento

FESTUGIÈRE, André-Jean. Contemplation et vie contemplative selon Platon. Paris: Vrin, 1936.

O principal cuidado de Platão como filósofo foi constituir uma ciência, o que exigia encontrar uma noção do ser que servisse de fundamento a um saber certo e o conduziu do visível ao invisível.

A Ideia aparece primeiramente ao final do Crátilo, diálogo que segue de perto a fundação da Academia (388-387) e precede o Fédon de um ano, fazendo parte de uma primeira série onde o autor desobstrui o terreno antes de expor detalhadamente a teoria das Ideias.

A questão de saber se existe um belo e um bom em si mesmo (auto to kalon kai to agathon), e assim para cada um dos seres em particular, é colocada, considerando-se esse ser em si mesmo que não está em fluxo perpétuo.

Nenhum conhecimento é possível sem a imutabilidade das Formas, ponto doravante adquirido que o Fédon em toda parte supõe, servindo o Crátilo de introdução ao diálogo que se segue imediatamente.

A análise procede por graus, segundo uma sequência de aproximações onde se procura apertar cada vez mais de perto a natureza própria do theorein.