Objetivo central da investigação: elucidar o sentido do problema da ideia platônica, na sua precisa formulação, acompanhando sua emergência no pensamento de Platão.
Perspectivação da teoria das ideias a partir da aporia do uno e do múltiplo.
O uno e o múltiplo não são conceitos determinados da teoria, mas descrição funcional do problema que a gera e do quadro em que se inscreve.
O processo de constituição da ideia é denominado “ordem da razão”.
Expressa a descoberta da ideia por uma ordem racional/necessária.
Revela a ideia como a própria ordem racional do mundo (cosmos).
Pressupostos fundamentais que delimitam o objeto de estudo.
Primeiro pressuposto: todo o pensamento platônico se reconduz ou resume à teoria das ideias.
Justificação: primado da questão “o que é?” (τί ἐστι;) em toda a obra de Platão, que funda o diálogo como tal.
A ideia é o correlato desta questão fundamental.
Segundo pressuposto (decisivo): a ideia não é um fundamento transparente, mas o problema de todo o pensamento platônico.
A questão fundamental em Platão é a ideia; a questão fundamental sobre Platão é o sentido da ideia.
A ideia platônica é em si mesma um problema que constrange Platão a filosofar e que sua filosofia constantemente devolve, não como resolvido, mas como sempre a resolver.
Via de indagação escolhida e sua especificidade.
Entre três vias possíveis (origem do termo, história da interpretação, determinação no texto), a investigação segue a terceira.
Determinação da ideia no texto não significa:
Recenseamento geral de seus sentidos nos diálogos.
Vinculação ao questionamento gnosiológico-ontológico à maneira aristotélica.
Detecção do papel que desempenha em cada texto.
Significa, nesta investigação: interrogar o modo como a ideia se origina no pensamento platônico.
Foco no momento de originação, onde a ideia é formalmente reclamada com uma necessidade insuperável.
Só a partir desta origem genética é possível determinar reversivamente seu sentido e lê-la sob a perspectiva do uno e do múltiplo.
Método genético e ponto de partida neutro.
Necessidade de proceder a uma análise genética da ideia, não tomando-a como um dado, mas reconstruindo seu percurso.
Ponto de partida neutro e consensual: a noção de saber nos “primeiros diálogos” (diálogos socráticos).
A ideia platônica não é uma doutrina já sabida, mas aquilo que “faz questão”, envolvendo-nos como uma proposta sempre nova no projeto do filosofar.
Por isso, no estudo, referimo-nos preferencialmente à “questão platônica” para designar o objeto, respeitando seu caráter radicalmente questionante.
Estrutura global do trabalho (cinco secções sequenciais).
Segunda secção: Situação do pensamento platônico em sua emergência nos diálogos socráticos.
Articulação triádica entre virtude, saber e a questão “o que é?”.
Autonomização e universalização da questão “o que é?” em relação ao quadro ético inicial.
Vinculação definitiva dessa questão à ideia e determinações fundamentais desta.
Circunscrição da relação ideias/particulares e da “participação” como expressão da aporia do uno e do múltiplo.
Terceira secção: Tematização direta do sentido da ideia platônica.
Discussão de modelos correntes de interpretação.
Orientação para a consideração do caráter decisivo de sua “absolutidade”.
Quarta secção: Acompanhamento do movimento de constituição da ideia na sua integralidade (“ordem da razão”).
Enunciação dos elementos necessários para compreender a relação entre ideias e particulares.
Quinta secção: Apresentação dos termos platônicos dessa compreensão.
Retomada final do saber como momento privilegiado para tematizar e resolver a aporia do uno e do múltiplo.
Sexta secção (breve): Reposição da questão platônica em seu horizonte global.
Síntese dos principais momentos.
Perspectivamento do contributo central do diálogo Parmênides.