Idea/Eidos

Mesquita

O par conceitual idea/eidos (ἰδέα/εἶδος) ocupa posição central na terminologia da investigação, o que justifica um excurso dedicado a enquadrar e explicitar o motivo de sua tradução preferencial pela expressão “ideia”, hoje pouco corrente.

As preocupações de Platão com a terminologia são, em regra, marginais, o que explica uma razoável flutuação vocabular — agravada pelo fato de o uso platônico de idea/eidos ser importado do léxico corrente da época, ao qual Platão dá tratamento filosófico por integração em seu pensamento.

Torna-se extremamente difícil definir uma versão constante para o par idea/eidos, mesmo para as ocorrências estritamente técnicas, especialmente diante das duas possibilidades habitualmente disponíveis — a tradução tradicional por “ideia” e a mais recente opção por “forma” —, pois três fatores concorrem para essa dificuldade.

As demais alternativas disponíveis — “espécie” e “caráter”, de um lado, e “aspecto”, de outro — levantam os mesmos problemas de “ideia” e “forma”, seja por acentuarem uma vertente tardia ou aristotelizante do platonismo, seja por constituírem opções demasiado vagas, apesar de sua potencial generalidade.

A opção coloca-se entre manter deliberadamente a ambiguidade de idea/eidos ou escolher uma expressão que, cobrindo eventualmente maior número de casos, possua sentido mais determinado — e essa é precisamente a alternativa entre “ideia” e “forma”.

A tradução por “ideia” tem a vantagem de ser a versão tradicional, o que compensa sua comparativamente menor generalidade, pois seu caráter tradicional permite circunscrever imediatamente — dir-se-ia intuitivamente — aquilo de que se trata, sem tomar qualquer posição doutrinária.

Duas breves referências são ainda devidas a outros dois termos que pervade o vocabulário platônico da teoria das ideias: ousia e to hen.