Identificação entre ideia e "o que é"

Mesquita

A identificação entre ideia e “o que é” pode ser atestada pela negativa através das raras passagens em que Platão supõe um contraditor das ideias.

O contraditor da ideia assume o caráter imediatamente contraditório do real como tal, declarando que não há “próprio justo”, nem “próprio belo”, nem “próprio Fogo”, porque as coisas em sua flutuação ontológica se bastam a si mesmas.

Os que negam a dimensão de “o que é” já estão representados nos diálogos do primeiro período, seja como “ignorantes passivos”, seja como “ignorantes ativos”.

No Fedro, a passagem interna de “o que é” para a ideia se faz sentir com maior clareza, quando Fedro orienta a resposta imediatamente para o que “realmente é”.

O Hípias Maior apresenta tacitamente uma dedução rigorosamente canônica das ideias, constituindo testemunho privilegiado da gênese da ideia a partir da simples consideração de que algo é.

Dessa análise do Hípias Maior resultam quatro caracteres definidores de “o que é”, que constituem as determinações fundamentais da ideia.

Das três determinações fundamentais decorrem todas as demais determinações da ideia, enunciadas explícita ou implicitamente nos diálogos socráticos.

Tudo o que foi mostrado até esse ponto indica apenas que a noção “o que é”, tal como ocorre no Hípias Maior, prefigura o conjunto de determinações do que virá a ser designado tecnicamente por ideia.