Ideia como o que propriamente é

Mesquita

A segunda determinação da ideia — como “o que propriamente é” — encontra sua formulação mais clara na descrição da essência eterna do Timeu.

O que importa meditar não é tanto a caracterização isolada de cada modo de ser, mas a relação entre eles — a forma como o ser se dá nas coisas e faz com que estas, ainda que relativamente, sejam.

O que está em causa na distinção entre os iguais e o próprio igual não é primeiramente a mesmidade de um frente à diversidade dos outros, mas o fato de a ideia ser absolutamente o que é — sempre igual — ao contrário dos particulares que nunca são puramente o que são.

A duplicidade de sentidos da mesmidade e da alteridade explica por que o igual e os iguais não são, um e outro, o mesmo.

A relação entre os iguais e o igual não é exterior, horizontal e reflexa, mas interna, vertical e abissal — não a relação entre duas coisas, mas entre uma coisa e o seu ser.

Caracterizar o particular como constitutivamente A e não-A não significa aludir à sua deveniência no tempo ou à aceitação de predicados contraditórios, mas afirmar que todo o A que ele é simultaneamente não é.