Pertencimento de Empédocles a uma família aristocrática de Acragas, na Sicília.
Seu envolvimento com as tendências órficas e pitagóricas da Magna Grécia, possivelmente influenciado por pregadores órficos itinerantes.
Caracterização de Empédocles como o exemplo mais perfeito da transição cultural de atividades xamânicas para atividades filosóficas.
Comparação com os primeiros filósofos da Índia, cuja atividade se inseria num milieu religioso de ascetismo e feituras de milagres.
Atribuição, por fontes tardias, de feitos como controlar o vento, ressuscitar os mortos e acalmar paixões violentas com a lira, à semelhança de Orfeu.
Relato de Heráclides Pôntico sobre a revivescência de uma mulher que estivera em transe sem pulso ou respiração por trinta dias.
Adoção de uma persona pública teatral e arrogante, modelada a partir de
Anaximandro, usando vestes sacerdotais, sapatos de bronze e uma coroa de louros.
Associação ao motivo da recusa de um reinado, semelhante a
Heráclito, e seu envolvimento político do lado popular, apesar de sua origem aristocrática.
Existência de uma estátua de bronze em Agrigento que o retratava com a cabeça misteriosamente coberta.
- A produção filosófica de Empédocles: os poemas *Purificações* e *Sobre a Natureza*
A visão circular do tempo como uma das principais diferenças entre as atitudes antigas e modernas.
Ensino desta visão pela maioria dos filósofos indianos e gregos.
Versões encontradas ou atribuídas a Hesíodo,
Pitágoras, Anaximandro,
Anaxímenes, Heráclito, Diógenes de Apolônia,
Xenófanes e Platão na Grécia.
Padronização desta visão entre os filósofos hindus, budistas e jainistas na Índia.
Contrastação com a visão linear do tempo na tradição judaico-cristã-islâmica, de origem zoroastriana.
Manutenção de uma visão linear secularizada no Ocidente, associada à ideia de progresso científico.
Predominância, na maioria das culturas, da visão do tempo como um círculo ou espiral, enfatizando a repetição.
Descrição do tempo como uma roda giratória tanto por órficos e Empédocles quanto por budistas e jainistas.
Expansão macrocósmica dos rituais de renovação do mundo para o conceito de um “Grande Ano”, o tempo de vida de um mundo ou era.
Fim de uma era mundial frequentemente visto como uma catástrofe análoga ao inverno (inundação) ou verão (fogo).
- Revisão das tradições: as origens e desenvolvimento da ideia na Índia e na Grécia
Dificuldade em ascertain a origem da ideia na Grécia e na Índia, sugerindo uma origem externa a ambas.
Na Índia, tentativas de rastreamento remontam ao *Rig Veda*, especificamente ao hino 1.164, atribuído ao poeta Dirghatamas.
Simbolismo da roda de doze raios, comumente interpretada como o ano de doze meses lunares e 360 dias.
Correspondência no *Aitareya Aranyaka* entre as numerologias do corpo humano e do calendário lunar: 720 partes correspondendo a dias e noites do ano.
Menção a uma roda com noventa cavalos e quatro no *Rig Veda*, possivelmente referindo-se a quatro estações de noventa dias.
Primeira sugestão de um Grande Ano no *Atharva Veda*, com a sugestão de uma destruição mundial pelo fogo e dissolução no oceano primal.
Doutrina da procedência e retorno do universo à Unidade primeiro encontrada na *Svetasvatara Upanisad*, por volta de 200 a.C., com implicação de periodicidade.
Declarações absolutamente claras do mito do Grande Ano encontradas apenas no período Épico, nos textos das *Leis de Manu* e do *Mahabharata*.
Complexo mito das quatro *yugas* (*idades*) com numerologia elaborada e ciclos de *kalpas*.
Versão Jain dividida em doze estágios, com piora na primeira metade e melhora na segunda, ecoando a estrutura de Empédocles e do *Político* de Platão.
Versões budistas iniciais com quatro idades degenerativas e subdivisões variadas em textos posteriores.
Evidências na Grécia incluindo a imagem do círculo e da roda, utilizada pelos órficos e por Empédocles.
Mito detalhado das idades cíclicas encontrado em Hesíodo, *Trabalhos e Dias*, com quatro idades de deterioração: Ouro, Prata, Bronze e Ferro.
Inserção por Hesíodo de uma “Idade dos Heróis” não condizente com o padrão, sugerindo importação e adaptação do mito de quatro idades.
Evidências do mito do tempo cíclico entre os primeiros filósofos gregos: Pitágoras e a doutrina da repetição exata dos eventos.
Opinião de Anaximandro sobre inúmeros mundos nascendo e dissolvendo-se sucessivamente, de acordo com a “ordenação do Tempo”.
Crença de Anaximandro no ressecamento progressivo do mundo pelo sol, implicando um conceito análogo ao do Grande Ano.
Visões semelhantes atribuídas a Xenófanes,
Demócrito, Heráclito (doutrina da *ecpirose*), Platão e
Aristóteles.
Imagens hindus de dissolução no oceano ou no fogo paralelamente às versões gregas, especialmente a dos estoicos, que emprestaram de fontes anteriores.