O argumento primordial de Parmênides sobre o Ser e sua estrutura de dicotomia e dilema.
A comparação do argumento de Parmênides com a formulação de Nāgārjuna sobre a origem das coisas.
A invenção do regresso ao infinito por
Zenão de Eleia e seu uso para desprovar o movimento.
O uso do conceito de divisibilidade infinita por Nāgārjuna para atacar a noção de um continuum espacial.
Os paralelos entre os argumentos fundamentais dos Eleáticos e dos Madhyamikas contra origem, destruição, movimento, mudança e pluralidade.
A crítica de Zenão à concepção de espaço e tempo como descontínuos, através dos paradoxos da “Flecha” e da “Pluralidade”.
O argumento de Zenão e de Āryadeva contra o atomismo, demonstrando que os átomos devem ter partes.
A difusão do argumento contra a indivisibilidade do átomo para outras escolas indianas, como atestado nos Nyāya Sūtras e no Abhidharmakośa de Vasubandhu.
A ambiguidade da dialética de Zenão, que pode ter visado tanto a unidade parmenidiana quanto a pluralidade.
A proposta de Buda como o primeiro dialético, considerando evidências questionáveis como o Nobre Silêncio.
A obra “Sobre a Natureza, ou Sobre o Não-Ser” de Górgias como o exemplo mais antigo de uma dialética total.
A estrutura da argumentação de Górgias em torno de três proposições: ontológica, epistemológica e semântica.
A defesa da proposição “Nada existe” através de argumentos contra o Ser e o não-Ser, e contra o monismo e o pluralismo.
A transição para a epistemologia: a defesa de que, se algo existe, não pode ser conhecido, baseada no isolamento dos sentidos.
A comparação da crítica de Górgias aos sentidos com o argumento de Śāntideva sobre a consciência e os sentidos.
A crítica à linguagem: a defesa de que, se algo pudesse ser conhecido, não poderia ser comunicado, pois as palavras não têm conexão com as coisas.
A relação entre a crítica à linguagem de Górgias e a visão madhyamika de que as palavras não adquirem significado referindo-se a algo fora do sistema linguístico.
Caracterização dos Sofistas como filósofos críticos, em oposição aos metafísicos eleáticos.
A relação complexa entre Eleáticos e Sofistas, com os últimos inspirando-se na prática dialética, mas redirecionando a atenção para a vida cotidiana.
A contribuição de Protágoras para o ceticismo e o relativismo, com sua afirmação de que “tudo é verdadeiro” e sua prática de argumentar ambos os lados de uma questão.
O contexto histórico do surgimento do ceticismo e do relativismo na Grécia e na Índia, ligado ao colapso de estruturas tribais.
O retorno ao fenômeno como base mais segura da percepção, desde Demócrito até Sexto Empírico.
O desenvolvimento do aparato da filosofia crítica durante o período sofístico, incluindo a dicotomia “mesmo/não-mesmo” ou negação da identidade parcial.
A aplicação da negação da identidade parcial por
Eutidemo e sua conclusão antilógica “Ambos e nenhum!”.
A base da negação da identidade parcial no pensamento de Zenão e sua centralidade para a prática dialética grega e indiana, como na crítica de Nāgārjuna à causa e efeito.
O uso da dialética por Platão para diferentes propósitos, tanto metafísicos e absolutistas quanto críticos e céticos.
O “elenchus” socrático como uma adaptação do “elenchus” eleático, operando negativamente sem oferecer um ensino próprio.
A preparação escalonada para o conhecimento supremo na “
República”, envolvendo a ascensão além das hipóteses matemáticas através da dialética.
A descrição do método dialético como “destruindo as hipóteses de volta ao próprio princípio, a fim de obter confirmação”.
A comparação entre a “destruição das hipóteses” em Platão e a afirmação de Nāgārjuna de que “A negação de todas as visões é o caminho para a iluminação”.
A interpretação do “Parmênides” como uma demonstração do colapso semântico que acompanha qualquer tentativa de expressar o absoluto, resumido na frase final: “Quer o Uno seja ou não seja, ele e os outros, em relação tanto a si mesmos quanto uns aos outros, ambos são e não são, e ambos aparecem e não aparecem, tudo de todas as maneiras possíveis”.
A escola megárica e sua especialização no formalismo dialético, com ênfase na negação sem uma doutrina positiva.
O argumento de Euclides de Megara contra as provas analógicas, aplicando a dicotomia “mesmo/não-mesmo”.
Os paradoxos de Eubúlides de Mileto (o Mentiroso, o Monte, a Electra, o Homem Cornudo) como críticas à lógica aristotélica e estoica.
A crítica de Estilpo de Megara à teoria das Ideias, focando na relação entre modelo e representação.
A rejeição megárica da potencialidade, conforme relatada por
Aristóteles, e sua consequência de que “o que está em pé estará sempre em pé e o que está sentado estará sempre sentado”.
O Argumento Mestre de Diodoro Cronus, que opõe as doutrinas aristotélicas de contradição e potencialidade, concluindo que “o possível é aquilo que é ou será”.
A comparação do Argumento Mestre com a doutrina Ājīvika do determinismo (niyativāda) e com o argumento de Nāgārjuna contra a relação substância-atributo.
A crítica de predicação de Menedemo de Eretria, aplicando a dicotomia “mesmo/não-mesmo” para questionar afirmações como “A doação de presentes é boa”.
O cinismo como um paralelo claro aos métodos e motivos do Madhyamika fenomenalista.
A contribuição de Antístenes para o pensamento negativo através de sua crítica à predicação, argumentando que apenas tautologias são afirmações demonstravelmente verdadeiras.
A doutrina cínica do “typhos” (fumaça, ilusão) para descrever o efeito embaçador das opiniões preconcebidas sobre a experiência crua, comparada às afirmações dos textos Prajñāpāramitā.
A ética cínica baseada em “autarkeia” (autodomínio), “apatheia” (não reação) e “adiaphoria” (não diferenciação), comparada aos conceitos budistas de “virāga” (desapego), “upekṣā” (equanimidade) e a ligação entre “prajñā” (sabedoria) e “karuṇā” (compaixão).
As semelhanças anedóticas entre as tradições cínica e zen, incluindo ensino por exemplo, uso de choque, exigência de dedicação total, fórmulas enigmáticas, frugalidade, atitude alegre e autoposse.
A hipótese de influência indiana no cinismo, considerando as rotas comerciais e a comparação feita por Onesicrito entre iogues e cínicos, mas também a possibilidade de derivação a partir de fontes gregas anteriores.