Pluralismos

Thomas McEvilley — Configuração do Pensamento Antigo

Primeiros pluralismos na Grécia e Índia

- Reação contra o monismo eleata e a multiplicação das substâncias por parte de Empédocles

  1. Tentativa de resgatar a pluralidade do mundo sensível do abraço asfixiante do Uno eleata
  2. Intensificação progressiva da reação contra o caráter religioso arcaico do complexo do monismo no pensamento de Anaxágoras e dos atomistas Leucipo e Demócrito

- Mudança do questionamento filosófico após Demócrito

  1. Continuação da reação contra a apropriação eleata da realidade, porém com mudança de forma ou estágio
  2. Abandono do Problema do Um e do Múltiplo e adoção do Problema do Conhecimento
  3. Prioridade da distinção entre numênico e fenomênico sobre a distinção entre Um e Múltiplo
  4. Realização de uma mudança da metafísica para a epistemologia, com uma guinada em direção ao sujeito
  5. Substituição da questão “A realidade é Una ou Múltipla?” por “Somos competentes para fazer tal juízo?”
  6. Adoção subsequente de questões sobre a competência para julgar a própria competência e o significado de ser competente
  7. Condução da rejeição do noumenalismo eleata ao fenomenalismo sofístico de Protágoras

- Contribuição de Empédocles e Zenão para a contratradição da filosofia grega

  1. Contribuição involuntária da multiplicação das substâncias eleatas por Empédocles para a grande contratradição
  2. Contribuição da dialética de Zenão de Eleia para a mesma tradição opositora
  3. Crescimento paralelo do ceticismo e do materialismo a partir de Demócrito em oposição à tradição metafísica platônico-aristotélica
  4. Culminância da dicotomia, do ponto de vista da história posterior, na antinomia do século II d.C. entre Sexto Empírico e Plotino

- Reavaliação da suposta aversão grega ao infinito

  1. Questionamento da ideia de que a preferência pela clareza e especificidade indicava aversão ao infinito
  2. Reconhecimento do fascínio grego pelo conceito de infinito como um de seus produtos característicos
  3. Distinção entre a apreciação da separação das coisas e a apreciação do mistério do infinito
  4. Contraste com a ideia indiana de o indivíduo se dissolver no Uno, não enfatizada no discurso grego sobre o infinito

- A precisão do infinito em Zenão

  1. Compreensão de Zenão do infinito não como uma coisa, mas como um processo preciso
  2. Caracterização do objeto intelectual-estético da infinitude zenoniana como logicamente e matematicamente preciso

- A finitude como condição de cognoscibilidade

  1. Preocupação de pitagóricos, Parmênides e Empédocles com a cognoscibilidade do universo
  2. Necessidade de limites para que o universo possa ser inspecionado e conhecido dentro de uma vida humana

- Anaxágoras como modernizador e a expansão infinita do universo

  1. Redução das duas forças motrizes de Empédocles (Amor e Ódio) a uma única (Mente)
  2. Substituição do universo cíclico de Empédocles por um universo em expansão linear e eterna
  3. Expansão infinita do movimento vorticoso como processo mundial
  4. Possíveis ressonâncias religiosas no conceito de Mente, descrito como “puro” (katharos)

- Ressonâncias posteriores na filosofia indiana

  1. Paralelos conceituais com o conceito de alayavijñana do Budismo Mahayana
  2. Recorrência do conceito de infinitude interpenetrada no Avatamsaka Sutra
  3. Alcanço de posições similares às do Budismo Mahayana meio milênio depois através da rejeição do monismo hilozoico upanishádico-pré-socrático

- O tratamento negligente da questão da difusão do atomismo

  1. Ignorância generalizada ou tratamento breve das relações entre as escolas atomistas grega e indiana
  2. Citação de uma opinião desatualizada de Keith, aplicada erroneamente a todas as escolas indianas

- O atomismo como parte textural do pensamento indiano

  1. Presença do atomismo em várias escolas indianas: Ajiivika, Jain, Carvaka, Budista e Nyaya-Vaisesika
  2. Candidatura das formas Ajiivika, Jain e Carvaka, possivelmente existentes no século VI a.C., a influenciar Leucipo e Demócrito
  3. Dificuldade cronológica devido à sistematização textual tardia

- Dificuldades de avaliação diante dos problemas cronológicos textuais

  1. Possibilidade de três sistemas atômicos indianos serem anteriores a Leucipo
  2. Sugestão de um interesse vivo e disseminação de doutrinas atômicas na Índia como contraponto ao complexo do monismo
  3. Possibilidade do atomismo ter sido uma das mercadorias filosóficas transportadas através do Império Persa

- Contexto social de dissolução da ordem tradicional

  1. Dissoluções sociais paralelas na Grécia pré-socrática e no período Upanishádico inicial na Índia
  2. Dissolução de modelos tradicionais como o Védico e o Homérico
  3. Surgimento do complexo do monismo como compensação pela ruptura, fornecendo um novo mito de unidade

- Reações individualistas e a formação de comunidades de afastamento

  1. Ganho de força de reações contra valores comunais em favor de valores individuais
  2. Formação de comunidades de afastamento que criavam bolhas émicas fortes, como a irmandade pitagórica ou a sangha budista
  3. Compensação da dissolução da tradição pela reinstalação de uma estrutura semelhante à tribal

- Ressonâncias psicológicas e sociais do monismo e do pluralismo

  1. Paralelos entre a tendência do ego de se fundir no inconsciente e a dissolução do indivíduo na tribo
  2. Tentativa do ego, através da insistência na finitude, de delimitar e controlar o inconsciente ilimitado
  3. Emergência de distância da matriz tribal na cristalização da ideia de Mente separada por Anaxágoras
  4. Crescente capacidade de ver a sociedade como algo manipulável de fora pela vontade individual