Iena

VIEILLARD-BARON, Jean-Louis. Platon et L’Idéalisme Allemand (1770-1830). Paris: Éditions Beauchesne, 1979

1. Entre a chegada de Fichte para o semestre de inverno de 1794-1795 e a vitória de Napoleão sobre os prussianos em 1806, a cidade e a Universidade de Iena viveram um período de animação intelectual excepcional, cujo grande filósofo foi o jovem Schelling, ofuscando a glória de Fichte e arrastando Hegel para sua sombra, num movimento romântico do qual Fichte permaneceu à margem por recusar tanto uma filosofia absoluta da natureza quanto o apelo ao sentimento individual.

2. Os trabalhos recentes sobre o período de Iena mostram um Hegel empenhado em reunir informação filosófica muito ampla para concentrá-la na unidade de uma reflexão potente e orientada numa única direção, contrastando com Schelling, que jamais renunciava ao prazer de brilhar e de ocupar o primeiro plano, mesmo à custa de retomar obras malsucedidas ou de mudar bruscamente de perspectiva.

3. Antes de traçar qualquer biografia intelectual comparada entre Schelling e Hegel, importa precisar em que espírito se operou então o recurso a Platão, questionando se o espírito de Iena foi no fundo um espírito de renascimento, e não de mera nostalgia no sentido negativo que lhe atribuiu Nietzsche.

4. Sendo o espírito de Iena verdadeiramente um espírito de renascimento, o recurso a Platão nele ocupa lugar privilegiado tanto na filosofia da natureza quanto na reflexão teórica e política, como já indica o escrito sobre a Diferença, no qual Hegel observa que a ordem das ideias e a ordem das coisas não formam senão uma única totalidade, de modo que o recurso a Platão se exercerá nas duas manifestações do Absoluto único, em Hegel na análise do conhecimento e da política, em Schelling na filosofia da natureza.